No primeiro dia do julgamento da morte do Paulo César Farias e da namorada Suzana Marcolino, a primeira testemunha ouvida pelo Juiz Maurício Breda foi o jardineiro, Leonino Tenório de Carvalho, casado com a também funcionária Marize Vieira de Carvalho, que por motivos de doenças não pôde comparecer ao Tribunal do Júri.
Em depoimento, Leonino que trabalha para a família há quase 20 anos, disse que no dia do crime só estava ele, a esposa e os seguranças José Geraldo da Silva e Adeildo Costa dos Santos. Na época, Leonino trabalhava de 7h às 17h, e diz não recordar de detalhes no dia do crime. Os seguranças teriam trabalhado às 7h do dia 22/06 às 9h do dia 23/06. Leonino Tenório afirma que além dos acusados, um policial militar também era responsável pela segurança de PC Farias.
O depoente afirmou desconhecer qualquer discussão entre PC Farias e Suzana Marcolino e ressaltou que mantinha contato apenas de trabalho com PC Farias e Suzana. Ao chegar ao local do crime, a esposa de Leonine, Marize teria dito ao garçom que a sala estava desarrumada. Marize teria sido a primeira pessoa a perceber o local do projétil. Leonine afirmou desconhecer mais informações.
Dos irmãos de Paulo César, Luiz Romeiro, Claudio Farias (falecido), Augusto Farias era o que mais comparecia na casa. “Era aquela amizade de irmão mesmo”, afirmou.
Sobre a prisão de PC Farias, Leonine disse que todos ficaram chocados. “Era um homem excelente. Ficou todo mundo arrasado”, disse.
O Crime
Ao observar uma movimentação no primeiro andar, Leonino, foi chamado por Reinaldo Correia de Lima, um dos seguranças, para tentar abrir a janela que dava acesso ao quarto, onde os corpos de PC Farias e Suzana estavam.
Os funcionários tentaram abrir a janela com uma tesoura de jardinagem, e sem sucesso forçaram a janela. Ao avistar os corpos, Reinaldo teria pulado a janela e colocado a mão no pescoço de PC Farias. Ao perceber que estava frio, Reinaldo teria falado aos funcionários: “doutor Paulo César está morto”.
De acordo com o depoente, ninguém teria tocado no corpo de Susana. De acordo com Leonino, foi o segurança Reinaldo foi quem ligou para Augusto Farias assim que encontraram o casal morto. Sobre possíveis ameaças à Paulo César Farias, Leonino afirmou desconhecer o assunto.
Um dia após o crime, Leonino afirmou ao representante do Ministério Público Marcos Mousinho, que os seguranças Geraldo e Adeilton estavam de saída, e apenas aguardavam os outros dois seguranças.
Queima do colchão
Em depoimento, Leonino Carvalho afirmou que queimou o colchão do casal por que o local estava com mal cheiro. “Como o colchão já estava fedendo, liguei para o Flávio (funcionário) para saber o que eu deveria fazer com o colchão. Algum tempo depois ele retornou a ligação e me autorizou fazer a limpeza do local e jogar o colchão fora”, afirmou.
No primeiro momento, Leonino afirmou que foi sua a ideia de pôr fogo no colchão e no travesseiro. Após ser questionado por juiz Maurício Breda, Leonino disse que foi a mando de Flávio. Com a queima do colchão do casal, a reconstituição do crime foi feita com o colchão dos filhos de Paulo César Farias, que Leonino afirma ser menor que o colchão do casal.
