Passados dois meses da explosão no prédio da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic), o cenário na região continua o mesmo dos dias após o acidente. Algumas das casas que foram atingidas pela explosão continuam com os entulhos espalhados pelos cômodos, a antiga sede continua isolada e os moradores continuam com a incerteza de quando serão indenizados.
A reportagem do CadaMinuto esteve no local nesta quarta-feira (20), data que completa dois meses do fato, e conversou com moradores da região. Desde o dia da explosão, a estudante Taís Duarte mora de favor na casa de vizinhos. A residência onde morava permanece intacta, com os móveis destruídos, restos do teto que cedeu decorrente da explosão espalhados pelo chão e muita poeira.
A estudante, que mora com o filho, contou que chegou a passar algumas semanas morando em Joaquim Gomes na casa de parentes, mas por conta dos estudos, teve que retornar a Maceió e morar desde então na casa de vizinhos.
“Chegaram a fazer uma vistoria aqui, mas nos disseram que a estrutura não havia sido comprometida. O técnico chegou a ironizar dizendo que eu reformasse a casa, porque a indenização iria demorar. Dois meses se passaram e eu continuo sem respostas do Estado e o pior, morando de favor. Isso é um absurdo”, protestou.

Taís ainda denunciou que muitas residências estão sendo assaltadas. “Essa semana o ladrão entrou em uma casa vizinha e levou as portas. Eles entram pelos fundos, já que muitas delas estão sem as portas, o que facilita a vida deles”, contou.
Indenizações devem começar em março, afirma governo
Segundo a assessoria de comunicação do governo, os laudos técnicos referentes aos imóveis danificados com a explosão devem ficar prontos no final deste mês. Mas o processo de indenização ainda deve demorar até março para ter início.
A assessoria da Polícia Civil disse que o delegado Carlo Reis, titular da Delegacia de Polícia Judiciária Metropolitana (DPJM), que está à frente das investigações aguarda a resposta do Ministério Público sobre o pedido de prorrogação por mais 30 dias no prazo das investigações sobre as causas da explosão.
Quanto a escolha do novo prédio para funcionamento da Deic, a assessoria da PC informou que ainda não foi definida um prédio para a nova sede.
Relembre o caso
A explosão ocorreu no final da tarde do dia 20 de dezembro, em um paiol onde eram armazenados explosivos na sede da Deic, no Farol. A agente Maria Amélia Lins Costas Dantas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Outros dois policiais ficaram feridos.
O abalo foi sentindo nos bairros do Centro e Trapiche. Comerciantes na região do Farol afirmaram que lojas e clínicas tiveram os vidros estraçalhados. Mais de 100 imóveis foram atingidos.
A liberação de energia proveniente da explosão causou danos no prédio da Deic e outros em seu entorno envolvendo 4 quarteirões e 5 ruas com avarias em 110 edificações segundo Relatório de Avaliação Preliminar de Danos (AVADAN) da Defesa Civil Estadual – DC.















