A recente redução geral dos juros na maioria dos bancos brasileiros beneficia também o consumidor que deseja comprar um automóvel.
Os especialistas alertam, no entanto, que o comprador deve evitar entrar em longos financiamentos. Isso porque, apesar dos cortes, as taxas brasileiras ainda são altas, em alguns casos acima de 30% ao ano.
De acordo com o professor de finanças Samy Dana, da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), guardar dinheiro e comprar à vista é sempre melhor negócio.
— Muitos concessionários abusam do preço por causa dessa facilidade de financiamento. Em parcelas, o veículo custa R$ 35 mil. Mas, se o consumidor pagar à vista, vai conseguir um preço de R$ 30 mil, por exemplo.
Além disso, na prática, os cortes nos juros para o financiamento de veículos representam uma redução discreta no valor da parcela e no total pago.
A Caixa Econômica Federal, por exemplo, baixou as taxas máximas de 1,55% para 1,26% ao mês. Se o comprador adquirir um carro de R$ 40 mil, der 30% de entrada e pagar os R$ 28 mil restantes em 36 meses, o valor da parcela cai apenas R$ 48,43.
Nesse mesmo cenário, o valor total pago no final dos 36 meses passa de R$ 36.745,56 para R$ 35.002,08, uma redução de pouco mais de R$ 1.700.
Além disso, para ter acesso às melhores taxas, a maioria das instituições faz exigências pesadas, como explica o economista especialista em varejo automotivo Ayrton Fontes.
— Quem consegue reduções são as classes privilegiadas, que têm longos relacionamentos com os bancos e possuem aplicações ou seguros, por exemplo. Para a classe C, endividada, o cenário mudou muito pouco.
Barganhar sempre
No mercado de automóveis novos, não há negócio imperdível. Essa regra, segundo os especialistas ouvidos pelo R7, deve estar sempre na cabeça do consumidor, que precisa pesquisar e barganhar sempre.
Segundo o professor Dana, os compradores devem evitar a tentação dos anúncios que, certamente, vão tomar conta dos jornais por conta da redução de juros.
— Esqueça essa história de "só neste fim de semana" ou "juros zero", isso não existe.
A melhor dica, segundo o titular da FGV-SP, é fazer o test-drive, escolher o modelo e, depois, negociar em pelo menos três concessionárias diferentes.
— Os vendedores têm metas e, quando os estoques estão altos, como agora, sempre é possível negociar preços melhores.
Além dos preços, as taxas de juros também podem ser discutidas, inclusive com os bancos das próprias montadoras, como explica Fontes.
— Se o consumidor tem dinheiro para dar de entrada ou um carro usado para oferecer na troca, dá para negociar juros mais baixos.
Antes de fechar negócio
Em relação a mercados mais desenvolvidos, o Brasil possui um dos carros mais caros. Para que a aquisição desse bem não se transforme em uma dor de cabeça, o consumidor deve sentar e fazer as contas. Veja a seguir uma lista de fatores a considerar antes de fechar negócio.
* O valor somado dos financiamentos da família não deve ultrapassar 30% da renda disponível (aquele dinheiro que "sobra" depois do pagamento de aluguel, escola, alimentação etc.).
* Lembre-se das despesas extras que vêm com o carro. Seguro, combustível, manutenção, estacionamento e IPVA podem, facilmente, somar mais de R$ 1.000 por mês.
* Todo carro novo sofre depreciação. O bem que você comprou por R$ 40 mil pode, daqui a um ano, valer apenas R$ 30 mil.
* "Juros zero" não existem. Se você duvida, basta perguntar por quanto o mesmo carro sairia se fosse pago à vista.
* Financie o menor valor possível no menor prazo possível. Em muitos casos, elevar o número de parcelas de 36 para 48, por exemplo, representa uma redução de menos de R$ 200 por mês.
Veja as taxas mensais praticadas pelos bancos
Bradesco: a partir de 0,97%
Itaú: a partir de 0,99%
HSBC: 0,98% a 2,55%
Santander: 0,98% a 2,45%
Banco do Brasil: 0,95% a 1,99%
Caixa Econômica Federal: 0,89% a 1,26%