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Postado em 18/12/2011 às 16:26 por Redação em BlogBalaio do Teles

A boataria do terror

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Olá pensadores!

Antes de mais nada, é preciso reconhecer: no que tange à segurança pública, Alagoas amarga dias tenebrosos. Os dados oficiais estão aí, para quem quiser ver, medir e comparar! Alagoas está sendo dominada, dia a dia, por uma onda de crimes capaz de tirar o sossego de qualquer cidadão de bem.

Entretanto, não obstante a essa triste constatação, tal fator não nos autoriza, enquanto população e enquanto imprensa, a contribuir e, até mesmo, aumentar esse já insuportável clima de insegurança pública que vivemos. Não acredito que, mesmo diante da iminente calamidade  que o Estado vive em termos de segurança pública, estejamos autorizados a prolatar o apocalipse, da forma como foi feito, em Maceió, na manhã deste domingo.

Os boatos sobre supostos arrastões, que teriam começado, para alguns internautas e para boa parte da mídia eletrônica do Estado, na noite e madrugada anteriores, tendo se espalhado pela cidade de Maceió, são um exemplo de como nós, simples cidadãos, temos nossa parcela de culpa no aumento, não da criminalidade, mas da sensação de insegurança que já nos assola.

O que aconteceu no centro da capital alagona, hoje, é perfeitamente explicável. No comércio repleto de pessoas, de repente, alguém gritou: “Assalto! Pega ladrão! Olha o arrastão!”. Para cada ouvido que captou essa mensagem, uma reação foi desencadeada, como um efeito dominó. Daí, a multidão desordenada tratou de compor o restante do cenário: dezenas de pessoas correndo, assustadas e passando mal; portas das lojas sendo fechadas; polícia sem entender nada; um verdadeiro tumulto geral e sem foco.

Na internet, tivemos a pior repercussão, creio, de tudo isso. Milhares de internautas, dando como certo o arrastão, passaram a ser vítimas de não sei quantos outros arrastões em diversos lugares da cidade. Ninguém dizia “eu vi!”. Era sempre “um amigo meu disse que...”. O telefone sem fio do medo se espalhou e, em poucas horas, estávamos trancados em nossas casas pensando que, a qualquer momento, o arrastão iria bater em nossas portas.

Pior que a ação dos usuários da net, foi o trabalho da mídia alagoana no caso. Sem atentar para o grau de responsabilidade que possui para a construção de um clima de tranqüilidade e sem o devido trabalho de apuração, a mídia passou a noticiar, em manchetes, que Maceió estava sendo dominada! Meu Deus! Quanta irresponsabilidade! Quem, como eu, acorda procurando saber das notícias do Estado, ao se deparar com uma manchete dessas, pensou o quê? Estamos lascados!

Pouco a pouco as notícias da não ocorrência do arrastão foram sendo divulgadas. Então, os boateiros de plantão passaram questionar: “e as pessoas que estavam no centro? Elas estavam mentindo?”. Não, respondo. As pessoas que estavam no centro não estão mentido. Mas o que houve não tem nada a ver com arrastão. Hoje, no centro, tivemos um exemplo, comum inclusive nos estudos policiais de comportamento de turbas, de tumulto generalizado sem causa relevante. Era como uma manada de cervos fugindo da sombra de um possível leão.

Meus amigos, repito: Alagoas está agonizando no quesito segurança pública e isto é fato notório. Esperamos ansiosos que o Estado saia desta UTI social e possamos respirar dias melhores. Mas, enquanto isso, estou certo, há comportamentos nossos, enquanto cidadãos, que podem fazer dessa agonia algo muito mais doloroso, muito mais sofrido... Aliás, desmotivadamente sofrido, como hoje. O que nós, alagoanos, menos precisamos é nos tornarmos escravos da boataria do terror.

 

Estou no twitter: @sjteles 

15 comentários

  • 1/2
  • Silvio Teles

    Há 5 meses

    Olá, fã do RM!

    Também sou fã do Ricardo Mota, que inclusive, é comentarista de um livro que lancei! Tenho o maior respeito por ele. Mas, na moral, checa a hora de postagem do meu texto e do dele. Ai você verá quem lançou o texto na rede primeiro. Cuidado com as acusações infundadas, meu amigo!

  • fã do RM

    Há 5 meses

    Acho que parte desse texto é do Ricardo Mota. Vc copiou e colou.

  • Renato

    Há 5 meses

    A verdade é que houve algo sim, só que aumentaram as coisas. Se um grita, olha o arrastão! Logicamente haverá tumulto. Houve algum assalto e transformaram isso em um mar de terror generalizado! Agora a polícia nada pode fazer ao ver inúmeras pessoas correndo como uma manada.

  • Lucas

    Há 5 meses

    Creio que você não teve o trabalho de pelo menos procurar saber se alguém deu entrada no HGE em decorrência do ocorrido, pois teria visto vítimas de ferimentos por de arma de fogo, além daquelas que tiveram mal estar de diveras etiologias. Não vejo boato nisto.

  • scherleide

    Há 5 meses

    não foi boato não, minha prima foi vítima e ficou trancada em banheiro de uma loja no centro,pode naõ ter tido arrastão,mas que houve assalto em 1 loja é confirmado.

  • Maikel Marques

    Há 5 meses

    ...Dirigi-me às Lojas Americanas, onde o clima de pavor era intenso. Por alguns instantes, fiquei preso dentro da loja. Depois, segui ao litoral.

  • Maikel Marques

    Há 5 meses

    Olá, pensador! Acabo de ler seu texto sobre a "boataria" no centro. lá estava eu. passava pela Cincinato Pinto quando vi gente correndo para um lado e policiais - colegas seus de corporação - correndo para outro...

  • Carla Valéria

    Há 5 meses

    ... em Maceió. INFELIZMENTE!

  • Carla Valéria

    Há 5 meses

    Que bom que não ocorreu, mas do jeito que está a cidade, não é nada difícil de acontecer não. Se a cidade estivesse bem, um boato não teria tido tanta repercussão. Espero mesmo que o boato sirva para que algo seja feito em relação à Segurança Pública do Estado, pois a violência não está apenas em Ma

  • Cleudson Nobre

    Há 5 meses

    Amigo parabéns pelo texto. Hj fui abordado por várias pessoas tratando sobre esse tal de arrastão como se isso tiivesse realmente ocorrido.

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Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.