O julgamento dos padres acusados de pedofilia em Arapiraca está em andamento. O primeiro a ser ouvido é o ex-coroinha Fabiano da Silva Ferreira, que aparece num vídeo fazendo sexo oral com o Monsenhor Luiz Marques Barbosa.

A audiência é comandada pelo juiz João Luiz de Azevedo Lessa, titular da Vara de Execuções Penais e da Vara da Juventude e conta com a presença do promotor do Ministério Público, Alberto Tenório, dos advogados de defesa e acusação, além dos três sacerdotes envolvidos no caso - Mosenhor Luiz Marques, Monsenhor Raimundo e Padre Edilson Duarte.

Após duas horas de conversa com Fabiano, o juiz autorizou a entrada da imprensa. Na sala, os três acusados não quiseram falar, apenas Monsenhor Raimundo proferiu algumas palavras. "Estamos esperando aqui para ver o que acontece", disse. Padre Edilson e Mosenhor Luiz optaram pelo silêncio.

Já o promotor Alberto Tenório afirmou que as provas são contundentes e que os padres devrão ser condenados. "É público e notório o que está nos autos. É um crime. Temos provas, testemunhas e até a confissão de um dos acusados (Padre Edilson)", destacou.

O Juiz João Luiz de Azevedo Lessa ouvirá o máximo de pessoas possíveis nesta sexta. Segundo o magistrado, caso não seja possível ouvir todos ainda nesta sexta, uma outra data será marcada para sequência do julgamento. "Deverá ser marcada uma nova data na próxima semana", contou.

O próximo ex-corinha a ser ouvido é Cícero Flávio.

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A denúncia

O Ministério Público Estadual já havia ofertado denúncia na 8ª Vara Criminal de Arapiraca contra três sacerdotes acusados de exploração sexual de dois coroinhas, quando as vítimas eram adolescentes. Foram denunciados o Monsenhor Luis Marques Barbosa e os padres Raimundo Gomes Nascimento e Edilson Duarte.

Na denúncia, o MP lembra que ‘aproveitando-se da qualidade de sacerdote, os denunciados aproximaram-se das vítimas, coroinhas à época, que tinham entre 12 e 17 anos, com o intuito de satisfazer seus desejos sexuais. Para conseguir o intento, constrangiam os jovens utilizando-se da confiança que desfrutavam, ofereciam vantagens econômicas e, ainda, intimidavam aqueles para que não revelassem os encontros sexuais ocorridos com freqüência.

Os jovens citados na denúncia são Fabiano da Silva Ferreira, Cícero Flávio Vieira Barbosa e Anderson Farias Silva. O caso ganhou repercussão nacional após a exibição de uma reportagem pelo Programa Conexão Repórter, do jornalista Roberto Cabrini, no SBT.

O Ministério Público afirma que a autoria é certa, ante das provas constantes nos autos e a materialidade restou comprovada, especialmente por meio de provas testemunhais. Com isso, os acusados estão incursos nas penas cominadas no artigo 244-A, da Lei 8.069/90, onde submete criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual. Para este tipo de crime, a pena é de sete anos de reclusão e pagamento de multa.