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Postado em 28/06/2011 às 08:52 por Redação em BlogEnsaio Geral

Chegou a hora de apagar a velinha!

A Diogo, meu filho

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Goretti Brandão

Há exatamente 30 anos, numa noite junina como foi a de ontem, senti as primeiras contrações que culminariam com a chegada do meu primogênito ao planeta Terra, no dia seguinte. Eram 16:10h do dia 28 de junho de 1981. Guardo na memória como se fora recentemente inaugurada; a atmosfera da sala de cirurgia, as cores da tarde, as conversas entre os médicos, a presença da minha mãe e o cheiro de éter impregnando o local. Algum tempo depois, talvez minutos, pois que perdi a dimensão dele, escutei o choro forte do meu menino e chorei junto com ele, a alegria de tê-lo trazido à experiência da vida.

Meu pequeno anjo sem asas era comprido, carequinha, feio e desengonçado, como quem, desdobrado, depois de nove meses, ali dentro, e agora do lado de fora de mim, se excedesse alongando bracinhos e perninhas magrelas que se agitavam. Conferi cada dedinho: Contei-os. Estavam todos ali no lugar... Era tudo perfeito! Serenei...

Lá fora dos muros do hospital, escutava-se o barulho de bombas, sentia-se o odor da pólvora, e da fumaça, ouviam-se gritos, e como naquele ano o inverno foi rigoroso, fazia muito frio. O dia anoiteceu e eu tinha a certeza de que era outra pessoa, diferente. Sentia um misto de alegria e medo. Sairíamos dali, a criança, para o mundo desconhecido que o esperava e eu, para outra realidade evidente e inescapável, que me conferia a condição e a responsabilidade de ser mãe.

No decorrer desses 10.950 dias, que parecem nada diante de tudo, acumulo sobre a vida que caminha apressada, inapagáveis registros: a primeira palavra balbuciada, as birras da infância, a teimosia, as quedas, as palmadas, os machucados, os brinquedos preferidos e as travessuras de uma criança sempre danada.

Trago comigo reminiscências de todos os seus Natais, Carnavais, os Dias da Criança, as mordidas, em tempos distintos, de dois cães, os medos de alma, o vocabulário ‘exótico’ da puberdade, o alvoroço da adolescência, a faculdade, a formatura, o Exército, as farras homéricas, rapel, mergulho submarino, bungee jump, as tatuagens, a Medicina, as especializações, o casamento. Você virou gente grande!

Nesta data, eu sempre refaço os caminhos da minha lembrança e volto feliz, àquele início de final de tarde, véspera de São Pedro, quando enfim nos conhecemos. Para mim, a poética do paradoxo materno: No seu primeiro entardecer, o meu filho estendia sobre mim, junto com o sol, as luzes avermelhadas do ocaso, e me ensinava naquele instante, sobre o ir além das minhas próprias sombras.

Desde então o meu experimento da sua presença é viver intensamente a luz solar dos dias, e nos finais de tarde, acender lâmpadas para iluminar as noites da vida. Mãe e filho. Criamos laços e perpetuamos afetos ao longo dos anos, e sobre a amizade e o respeito de adultos, aprendemos a construir juntos, como pessoas. Sobretudo, como amigos verdadeiros.

Felicidade é comemorar seu tempo de existência e poder ouvir o som da sua gargalhada, descontraída, de menino alegre, que encharca meu coração de profundo contentamento. O seu maior dom é o de estar sempre à vontade no mundo... É genuína a sua alegria ruidosa, que festeja o amor à vida e às pessoas, porque ela ocupa, contamina e ecoa em todos os lugares de dentro e de fora de você. A vida é o presente que sempre lhe oferecerei, porque viver é uma experiência incrível e inesgotável.

Que Nossa Senhora do Livramento, a quem eu o consagrei, Santa Rita dos Impossíveis e o Espírito Santo de Deus o abençoem! Ame e Seja Feliz, meu filho!

6 comentários

  • Mª São José

    Há 9 meses

    Pois é amiga eu recordo as nossas tardes em cadeiras de balanços na calçada trocando nossas experiências, orgulhosas das nossas crias e até já planejando o namoro de ambos o que nunca aconteceu, pois só existia no nosso imaginário de marinheiras de 1ª viagem. Agradeço a Deus por toda essa maravilha.

  • Betania Lima

    Há 11 meses

    Olá! Nós que somos mãe, nos inserimos no contexto. Nos faz lembrar de nossos filhos e de toda a tragetória vivenciada.
    Parabéns! Saudades!

  • Thâmara

    Há 11 meses

    É isso aí minha irmã. E naquele dia nasceu meu 1º sobrinho.. amado e esperado por todos nós, seus irmãos, que nunca tínhamos vivido esta experiência. Obrigado por tê-lo trazido ao mundo. E ao crescer, bem parecido contigo, vivemos dias felizes, como uma família que apoia e venera os seus. Parabéns!

  • Goretti Brandão

    Há 11 meses

    Sou eu quem agradece sua visita, a leitura e o comentário! Muito Obrigada! Que bom que vc fará esse exercício!!!

  • Vilceia Melo

    Há 11 meses

    Ao ler seu texto percebi que nunca tinha feito essa "viagem ao passado" relembrando com detalhes o dia em que minha filha nasceu. A partir de agora todo dia 09 de Março, será um exercício obrigatório, prazeiroso e compartilhado em família !

    Obrigada pelo lindo texto.

  • Wadson Correia

    Há 11 meses

    Que lindo esse amor! Parabéns Dinda Gó e ao Diogo também kkk!!!

Ensaio Geral

Blog de Cultura editado pela jornalista Goretti Brandão

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