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Postado em 06/06/2011 às 05:04 por Redação em EntretenimentoMúsica

Luta pela vida: A história de um "Rojão" que não quer calar

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por Mario Lima especial para o Cadaminuto

“Arruma um show para mim cantar no São João”, dizia Tororó do Rojão, 75 anos, na noite do último sábado (4), a seu empresário e amigo Marco Sal, deitado em sua cama, naquela casa de portas verdes da avenida Comendador Leão. Horas mais tarde, na madrugada deste domingo, 5 de junho, Tororó foi levado pela família para a Santa Casa, onde luta pela vida na UTI neurológica, com aneurisma cerebral. De acordo com a equipe médica que o atendeu seu estado se mantinha extremamente grave.

Mas a hora é de falar de um grande amigo, de uma amizade que começou em um dos seus shows, no Orákulo, o palco inteiramente dominado por ele e seu grupo regional, formado por pandeiro, triângulo e bumbo.

E ele parecia um estrondo, o trupizupe do raio de trovão, o “diabo solto no meio do redemoinho”. Mexia, pulava, rebolava e lançava sua voz cortante em mais um forró bom da gota, com sua toalhinha no pescoço, seu chapéu coco todo colorido, e um sorriso explodindo em sua face reluzente.

Ele é o Tororó do Rojão, o Manoel Apolinário da Silva, 75 anos de vida bem vivida, junto com muita gente boa do xote, do xaxado, do forró e do baião. Foi zabumbeiro de Luiz Gonzaga e companheiro de peripécias do rei da sanfona. Tocou o triângulo na gravação original da música “Ovo de Codorna”.

E para segurar a barra de Tororó, só mesmo muito ovo de codorna prá comer. Tororó é lascivo, traz malandragem, sacanagem e “fuleiragem” em suas letras musicais e no bate papo com a turma. A sonoridade e o ritmo se inspiram no coco e na embolada do parceiro e irmão Jacinto Silva.

Fechando a trinca dos sonhos do velho Tororó, está o paraibano Jackson do Pandeiro, onde buscou sua alegria gestual. Acima de todos eles, está o Vavá dos Oito Baixos, o mestre sanfoneiro com quem formou “Os inseparáveis do Forró”.

Com essa usina de sons em sua volta, Tororó do Rojão foi longe e continuou firme em sua existência de músico pobre, buscando um futuro digno, decente, tentando de tudo, até mesmo lutar contra a corrente. Sem shows, sem patrocínio, esse artista popular genuíno, superou tudo isso pela sua paixão em cantar e encantar seu público.

Nos seus dois Long Plays e três CDs, Tororó toca e canta de tudo: Boemia. malandragem, sexo, linguagem profana, homossexualismo e uma forte temática social. Mas sua espinha dorsal é o forró, na versão mais genuína, diferente de tudo.

Com sua voz grave e ritmada, Tororó do Rojão brilhou no palco enquanto pôde, mas sua artrose no joelho, sua idade avançada e suas estripulias pela vida fizeram com que ele desse uma pausa nos shows.

E na esteira da lembrança ficam as incursões pela Cidade Maravilhosa. No Rio, mandou ver nos night clubs, na feira de São Cristovão, e pelo Brasil afora, onde Tororó pediu passagem.

“Ô Cabra bom!”, é com esse gentílico que Tororó se apresenta, sempre de bom humor, para quem sofreu na pele a pobreza, no corte e na limpa da cana-de-açúcar. Mas a vida sorriu para Tororó, pelas ondas da rádio Difusora, no programa de Odete Pacheco, lá pelos idos de 1950. Dali em diante sua carreira decolou, hoje é reconhecido e aplaudido como o autêntico forrozeiro das Alagoas.

Tororó é múltiplo e versátil, une gerações de artistas, dividiu o palco com legendas como Tom Zé, e mais o Duofel, Wado, Mopho, Xique Baratinho, no Festival de Música Independente (FMI), em Maceió.

O despertar musical chegou logo cedo, escutando sua mãe Maria cantar o coco, em sua cidade natal, Matriz de Camaragibe. Daí em diante, o artista já começava a sonhar em ser uma estrela da música popular, um artista de verdade, de carteirinha e tudo. “Essa batalha de Tororó é o que vou lembrar sempre, dessa dignidade dele de não abrir mão de ser um artista profissional”, atesta um de seus maiores fãs e incentivador, o jornalista Ênio Lins.

Assim foi e assim será a vida do grande Tororó, muita luta, muita garra pela vida, que venceu a pobreza com seu talento, apesar de continuar pobre, vivendo e ajudando toda a família com sua aposentadoria de ex-mecânico da Petrobras. Muito pouco por sinal, o que valia era seu plano de saúde, por uma velhice mais segura. Mas o que ele queria mesmo era voltar aos palcos.

Tororó deixou marcas na música regional, e uma legião de fãs. Uma delas, a jornalista Paula Félix, tem pronto um documentário ainda inédito sobre a vida do cantor. O líder da banda Xique Baratinho, Railton Sarmento, prepara um show com várias bandas da cena musical alagoana apresentando as músicas de Tororó.

As luzes da ribalta estão acesas, o palco está pronto para mais um espetáculo do mestre do forró, seja aonde for, assim na terra como no céu. Tomara que ele volte iluminado, endiabrado, angelical, pronto para outras traquinagens. Salve Tororó pelos séculos...

Veja entrevista de Tororó do Rojão no Balaio Brasil Sesc Tv

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