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Postado em 10/05/2011 às 21:15 por Redação em BlogBalaio do Teles

Porque parlamentares não precisam de greve

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Olá, pensadores!

Esse texto foi publicado, também, no portal O Globo: 

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/05/12/porque-parlamentares-nao-precisam-de-greve-924446578.asp

Não é difícil entender porque nunca, na história do Brasil – e, muito menos, na de Alagoas – se ouviu dizer que um grupo de deputados, empunhando faixas nas mãos, apitos e gritando frases de ordem, tenha marchado pelas ruas, em protesto por reajustes salariais ou por melhores condições de vida. Mesmo sendo servidores públicos, os senhores parlamentares nunca precisaram – e, do jeito que a coisa anda, nunca precisarão – de tal expediente.

É porque, meus amigos, protestar é coisa, por exemplo, de policial militar, que diariamente está nas ruas, enfrentando a criminalidade que é reflexo da malversação do dinheiro público, da falta de escolas e de educação de qualidade, da ineficiência estatal para fomentar a geração de ocupação e renda, da falta de urbanização e moradia dignas. É coisa de PM que se desdobra em escalas sub-humanas, sofrendo com a escancarada falta de efetivo (que só faz cair, enquanto a população de Alagoas cresce); ou que termina seu serviço e sequer precisa sair do local da operação, pois mora nas grotas, vielas, no seio da criminalidade violenta; que vive em permanente estado de receio, com medo de descobrirem seu ofício e ser morto, ali, mesmo.

Protesto, desses com apitaço geral, é coisa para policial civil, que é obrigado a investigar os crimes de mando que são ordenados ninguém sabe por quem – se alguém sabe, é melhor ficar calado: esse povo é vingativo; que precisam desvendar o porquê de tantos jovens estarem se matando, o porquê de tantos assaltos estarem acontecendo, o porquê de tantos crimes; que se imbuem na caçada de bandidos e malfeitores que não temem nada e nada tem a perder, fazendo da bala sua principal saudação.

Fazer greve é coisa de professor, que enfrenta, durante anos a fio, por um salário de fome, salas de aulas com alunos cada vez mais hostis, filhos de famílias cada vez mais desestruturadas e pouco informadas; que trabalham em escolas – como noticiou o Jornal Nacional, hoje – sem a menor estrutura para abrigar alunos, com infiltrações, tetos prestes a desabar, sem material didático adequado, com déficit de professores e de profissionais; que precisam compensar, com habilidade, a fome dos alunos que não tem merenda ou dos que a tem de péssima qualidade, por conta da propina que algum político safado está botando no bolso.

Marchar pelas ruas é coisa do pessoal da saúde, que tem de transformar água em bálsamo para dar conta da imensa quantidade de pacientes que necessitam de tratamento; que se expõem, diariamente, a diversos tipos de contágio para, num ato que se aproxima da piedade, tentar salvar quantos podem; que dobram plantões e serviços para remediarem a ausência de profissionais suficientes, necessários ao atendimento daqueles que não podem esperar; que adoecem por não poderem fazer muita coisa com as condições que tem.

Em resumo, meus amigos, estou convencido de que fazer protesto é coisa de quem trabalha! De gente que sofre, que sua e que, dia a dia, vem tentando fazer Alagoas se libertar dos índices desgraçados que a nossa classe política faz questão de manter, ou, o que é pior, de atrair. Falo em atrair porque há um sentido nessa lógica nefasta: enquanto Alagoas for um lugar desgraçado, as arbitrariedades podem ser cometidas sob o pretexto que é nada se comparada à situação do Estado.

Repito, reivindicar é coisa de quem trabalha. Para os outros, que, em vez de trabalho, trazem em seu histórico uma lista imensa de crimes e desvios milionários de dinheiro, é mais fácil, mais prático e menos cansativo fazer uma assembléia entre si e decidir dobrar seus vencimentos – que já não são pequenos, considerado e efetivo benefício que trazem à sociedade – pouco se importando com a realidade do Estado, dos outros servidores públicos e, principalmente, da população que os elegeu.

20 comentários

  • 1/2
  • Casagrande

    Há 1 ano

    Caro amigo arapiraquense parabéns pelas palavras sábias que qui estão, vc mostrou como é a realidade que não queremos acreditar ou acreditamos mas não comentamos nem discutimos, é difícil saber dessas questões pq trabalhamos, nos dedicamos porém não estão garantidos nem mesmo nossos direitos constit

  • francisco de assis amorim

    Há 1 ano

    Caro amigo, é por isso q o NOVO RICO do nosso pobre ESTADO comprou um HOTEL DE LUXO NA CIDADE DE NATAL; POR FAVOR INVESTIGUEM ISTO?

  • marcelo

    Há 1 ano

    EXCELENTE texto! Parabéns!

  • LAMARKCCI

    Há 1 ano

    Seus textos são ótimos parabéns!!! Todos alagoanos têm que colocar em sua mente q o poder emana do povo. Colocaram esses péssimos parlamentares,pois na próxima eleição os retire.

  • sofredor

    Há 1 ano

    Parabéns pelo texto que retrata um pouco do que é ser funcionário público nesta Alagoas sem LEI e de coronéis miseráveis e furão.

  • atento

    Há 1 ano

    Muito bom, não preciso dizer mais nada. Excelente retratação da dura realidade que vive o trabalhador honesto em alagoas. Ja na ALE, o que vale são os acordos obscuros.Acho que é por isso não pagam a ceal, é para os acordos fiquem cada vez mais obscuros la naquela casa de gatunos e preguiçosos.

  • sertanejo cagota

    Há 1 ano

    Se recebessem um salário mínimo fariam greve toda semana...

  • JoilsonBel&Cel

    Há 1 ano

    Sabia que seu lado brioso NÃO HAVIA sucumbido! É isso! Esse eu o conheço!

  • Luana Ferreira

    Há 1 ano

    Silvio, a você só posso oferecer meus sinceros parabéns pelo mais belo e sincero texto dos ultimos tempos sobre a realidade de nosso Estado.
    Eu tenho orgulho de ser de um Estado de tamanha beleza, mas tenho também vergonha por tanta injustiça com um povo que só quer trabalhar e viver dignamente!

  • Marcos Wanderley

    Há 1 ano

    O que faremos, a quem recorrer? Estive na praça Deodoro e, mais uma vez, não avistei oficiais que pudessem dar um mínimo de segurança aos manifestantes. É LAMENTÁVEL!! É com extrema tristeza e preocupação que chego a essa conclusão. INTERVENÇÃO FEDERAL JÁ!!!

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Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.