Olá, pensadores!
Para os cristãos, a Semana Santa marca o fim da quaresma, período destinado à reflexão. Aproveitando a deixa, convido os pensadores, com base em antigas idéias minhas, mas que reputo absolutamente atuais e oportunas, a refletirem comigo:
No início do século XVI, o clero católico sofreu um grande golpe em sua “bolsa de valores” vendo um de seus mais rentáveis negócios, a venda das sagradas indulgências, despencar no “mercado da fé”, sobretudo pela ação da reforma protestante, encabeçada pelo monge alemão Martinho Lutero.
Com as idéias luteranas, evidenciadas em suas célebres “95 Teses”, o poderio soberano da Igreja Católica, que vinha sendo arranhado século e meio antes com as ações inaugurais do teólogo inglês John Wycliff, começou a ruir. Lutero, com seu destemor papal, abria as portas da Igreja à moralização do cristianismo.
Porém, cinco séculos depois, os rumos traçados pelo discípulo ideológico de Santo Agostinho parecem ter se perdido nas práticas das igrejas protestantes de nosso país. A igreja católica, que parecia latente, agora demonstra que nunca perdeu o fio da meada. A idéia de moralização foi trocada, há tempos, por estratégias religiosas de marketing e comércio, visando a obtenção de fiéis e de lucros cada vez mais altos. Na crista da onda, agora, pastores e padres espetaculosos surgem diariamente, fazendo alarido e comercializando, descaradamente, “as boa novas”.
É um tipo de comércio que, nos tempos atuais, está em ascensão, decorrente de total deturpação das idéias germinais de Lutero. A fé tem sido vendida em prateleiras e se, antes, apenas o “perdão dos pecados” era negociável, agora se comercializa tudo: sermões, palestras, shows, curas, dons espirituais, solução de problemas... É, sem dúvidas, a face atual da “Ética Protestante”, compatível com uma sociedade capitalista e voltada para o lucro, tão bem demonstrada no pensamento de Weber!
No mercado da fé, um sermão homileticamente bem construído e retoricamente perfeito ou um show protagonizado pelas “celebridades” religiosas pode custar muito caro aos organizadores de qualquer evento cristão. Estrelas do mundo gospel cobram cachês altos para “profetizarem” sobre uma terra qualquer. Nem sempre talentosos, quase sempre bem afeiçoados, bem maquilados, arrastam multidões de muitos fãs e poucos verdadeiros fiéis.
São verdadeiras estrelas que precisam de seguranças, escolta e carro blindado. O que os diferencia dos cantores de forró? Sei lá. Talvez a aura de santos que a si tentam impor... Ou a idéia de que possuem o celular do altíssimo sempre à disposição. Com isso, mercadejam baseados nas necessidades de um povo maltratado, fácil de ser emocionado e comovido. Mas, na hora de receber o cachê ou de fazerem suas exigências fúteis sobre toalhas, vinhos, comidas ou mulheres, são iguais às demais celebridades.
Nas pregações e cantatas, balbuciam frases prontas, exploram a emoção do povo sem instrução e se apresentam como verdadeiros intermediadores entre Deus e os homens. Choram, prometem, profetizam. Justificam seus cachês milionários com a instrução bíblica que diz que o obreiro é digno de seu salário. Contudo, ao pregarem ou cantarem, em inaudita falsa modéstia, argúem que nada do que falam é fruto deles, tudo é de Deus. No entanto, se Jesus ensinou a falar de seu amor por amor, os atuais mercadores do Evangelho, péssimos discípulos, fazem-no condicionalmente ao depósito de certa quantia em suas contas bancárias, “descontadas todas as despesas”.
Terá Deus feito como a Moisés e o decálogo, escrevendo em pedra a tabela de honorários desses novos “profetas”? Terá Ele revogado o “de graça recebestes, de graça dai”, dito por Jesus e registrado no Evangelho de Mateus? É uma fé que somente move montanhas se, antes, mover uma pilha boa de dinheiro. Porque, de outro modo, o padre bonitão, o pastor canela de fogo ou o grupo de louvor das multidões sequer chegaria à tal cidade. Não é fé, meus amigos. É dinheiro, apenas.
Tenho certeza que existem os que espalham as boas novas por amor verdadeiro às pessoas, premissa do autêntico cristianismo. Aliás, destes, muitos sequer conhecem a Bíblia, ou conhecem e, por motivos mil, não a seguem. Porém, suas práticas pessoais são mais cristãs que a de muitos dos que assim se autodenominam. Carregam consigo a premissa de fazer o bem ao próximo, como ensinou Jesus, como ensina o Alcorão, a filosofia budista e como apregoam as maiores filosofias religiosas do mundo.
São seres em todo dissociado dessa lógica mercantil que assola a religião. Humanos, justos e bondosos, não estão preocupados em liderar ou pastorear ovelhas, nem lhes passa à mente formar ministérios próprios, dando mais ênfase a seus nomes que a vontade de ajudar ao próximo. A estes anônimos interessa exercitar, com zelo invejável, o verdadeiro amor divino, seja qual for o Deus em que acreditem. Na visão cristã, acredito que esses formam o “remanescente”, lembrado por Isaías e citado por Paulo quando escreveu aos Romanos.
Que esta Semana Santa seja uma oportunidade para refletirmos. O verdadeiro evangelho não é aquele que serve para se criar estrelas vaidosas de si mesmo. Estas, creio, sequer entendem a mensagem cristã ou, pior, entendem e a deturpam para deleite próprio. A maior lição da morte de Cristo, para os que acreditam nela, é ensinar a todos o que o próprio Cristo dedicou-se a fazer durante toda a vida: distribuir a caridade entre os estranhos, diferentes, desamparados e necessitados, sem luzes, nem holofotes.
Teles,foi a Igreja Católica q conservou os vinte sete livros do Novo Testamento que vc usa, os quais vc faz seus estudos bíblicos.Pronta para você deturpar. lembre-se q sua fonte de fé é católica. Seja agradecido por seus estudos universitários,pq fora a Igreja Católica q fez surgir na Europa.
Alex!
Até que enfim alguém entendeu o sentido do texto!
Parabéns, Alex!
Mas apesar destas coisas acontecerem, não devemos nos desanimar, pois o objetivo verdadeiro é fazer a vontade de Deus. E como saber qual é a vontade dEle? Ler e estudar a Bíblia.
Como foi comentado anteriormente, Jesus já nos advertiu sobre estas e outras coisas (Mt 24:6).
Acredito que, qualquer evento que tenha como finalidade louvar, mostrar a palavra de Deus ou ensiná-la, DEVE ser gratuito, pois não se pode vender louvor nem cobrar para pregar a palavra; isso é absurdo, uma heresia.
Mas, Teles, infelizmente muitos se dizem cristãos sem, de fato, ser.
Continua...
O texto é bastante pertinente, sou evangélico mas tenho que concordar com o autor, pois as "celebridades" gospel (nem todas, mas a maioria) estão preocupadas mesmo é com dinheiro. Para fazer o quê com ele eu não sei, mas que o foco é o dinheiro é!
Continua...
O texto é bastante pertinente, sou evangélico mas tenho que concordar com o autor, pois as "celebridades" gospel (nem todas, mas a maioria) estão preocupadas mesmo é com dinheiro. Para fazer o quê com ele eu não sei, mas que o foco é o dinheiro é!
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Muito bem MÉRCIA, amei seu comentario simples e objetiva, e digo mais se igreja eles dizem, q não salva JESUS DISSE PEDRO TU ÉS PEDRA E SOBRE ESTA PEDRA ERGUEREI MINHA IGREJA. para q ELE ergueu sua igreja? eu só digo uma coisa se temos familia temos filhos vamos ter q dar conta de cada um deles e só
Para os que só tem olhos voltados para uma parte da história, gostaria de indicar o livro Uma História que não é contada. Autor Prof. Felipe Aquino, Ed. Cléofas.
não tem muita importância, a única coisa que importa mesmo para Ele é que em meio a tudo isso pessoas se convertem todos os dias e mudam suas vidas e de suas famílias.
Eita, é um bate e rebate que nem dá gosto de ver. Ainda bem que Deus vai além. Se estão vendendo indulgências, se a fé está em prateleiras, se o padre é bonitão e o pastor canela de fogo
Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.