O Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgou ontem uma pesquisa que aponta o Brasil com cerca de 14,1 milhões de analfabetos. A pesquisa considera como analfabetas as pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever.

Mais da metade destes analfabetos (7,3 milhões, ou 51,7%) vive no Nordeste. Mesmo com a maior taxa de analfabetismo do país, a região foi a que resolveu o problema de maneira mais significativa.
Em cinco anos (de 2004 a 2009), o Nordeste diminuiu em 8,2% o número de analfabetos em sua população. Isso é mais do que a média do Brasil (queda de 7%), e das regiões Sudeste (6,6%), Centro-Oeste (1,6%), Norte (5,1%) e Sul (5,6%).

Em Alagoas a situação segue complicada. O Estado registra a pior taxa de analfabetismo do país: 24,6%, embora a presente uma melhora em relação aos últimos números que são de 2004 quando o Estado registrava 30% de analfabetismo. Agora, mesmo com o aumento de quase 240 mil pessoas no Estado, há 43 mil analfabetos a menos

Uma semana antes Alagoas também foi apontada côo o Estado de pior desempenho no No Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), documento da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) que evidencia a falta de qualidade no ensino prestado aos alagoanos.

Mesmo com estes números o ministro da Educação Fernando Haddad fez um meã culpa por parte do governo Federal sobre a situação nos Estados do Nordeste.

- É muito injusto cobrar do Norte e do Nordeste um desempenho equiparável com os do Sul e do Sudeste [em termos de educação], sabendo que só muito recentemente nós estamos dando as condições para que Estados nessas regiões possam formular políticas educacionais consistentes. Não há milagre. Você tem que ter recurso [para melhorar a educação].

Ipea

Para o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão, a educação brasileira registrou muitos avanços nos últimos 20 anos, mas algumas desigualdades ainda estão firmes, especialmente as regionais.

“Teremos de ter um conjunto de intervenções nas esferas federal, estadual e municipal para tentar diminuir essas desigualdades regionais. Também é preciso combater as desigualdades de raça e cor com políticas afirmativas e promover crescimento de renda”, disse, destacando que desigualdades bastante expressivas são encontradas entre a população urbana e rural.

Analfabetismo

Segundo o diretor, no Brasil, o analfabetismo na população de 15 anos ou mais ainda é considerado muito alto: 9,7% da população nessa faixa não sabe ler nem escrever. “Estamos em situação muito pior que a de países desenvolvidos. Não é nem preciso ir tão longe, já que outros países da América do Sul, como Equador, Chile e Argentina apresentam índices melhores que os do Brasil”.

Grandes diferenças são encontradas entre a população urbana e rural (4,4% contra 22,8%), branca e negra (5,9% contra 13,4%), e das regiões Sul e Sudeste (5,5% contra 18,7%). Quando comparados os 20% mais ricos da população e os 20 % mais pobres, a diferença também é grande: 2% contra 18,1%. Quanto à idade, a faixa acima de 40 anos registra o maior percentual: 16,5% de pessoas que não sabem ler e escrever.

Anos de estudo
A média de anos de estudo na população com 15 anos ou mais de idade é de 7,5, abaixo do mínimo de oito anos previsto na Constituição Federal. “Estamos muito longe de atingir indicador aceitável. Como a taxa de crescimento anual tem sido de 0,14 ano, podemos concluir que ainda faltam quatro ou cinco anos para chegarmos ao mínimo (ensino fundamental). Se considerarmos os 11 anos, tempo necessário para conquistar o ensino médio, o período será ainda mais longo”.

Defasagem
Outro problema enfrentado pela educação brasileira é falta de adequação da idade ao grau de ensino. Na faixa entre 15 e 17 anos, mais de 85% das pessoas estão na escola, mas apenas 50,9% frequentam o ensino médio. “O índice de adequação diminui conforme aumenta a idade”, explicou o diretor.

Para ele, o baixo índice de conclusão, outro problema abordado no estudo, reflete dificuldades não só na rede escolar como também na vida dos alunos. Atualmente, apenas 66,6% dos alunos que entram no ensino médio conseguem concluí-lo. “Várias políticas públicas têm cooperado com queda da evasão, como é o caso do Bolsa Família, que ajuda a reter o aluno e evitar que ele saia da escola para trabalhar”, afirmou Jorge.

Hiato Educacional
A quantidade média de anos de estudo que os brasileiros abaixo da meta da educação (8 anos) precisariam para atingi-la, ou hiato educacional, tem caído, especialmente entre as faixas mais jovens da população. Entre as pessoas com 30 anos ou mais, o hiato é de 5,1 anos, o que fica abaixo da metade da meta. Já na população entre 15 e 17 anos, o hiato cai para 2,8 anos.