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Postado em 01/05/2010 às 13:40 por Roberto Vilanova em BlogBlog do Bob

Quando o comunista vestiu a batina do padre Brandão Lima

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por Roberto Vilanova

Na década de 60 a sede da Rede Ferroviária do Nordeste era em Recife, mas estava em Maceió o movimento sindical mais atuante.

Tão atuante que o Sindicato dos Ferroviários de Alagoas, do qual meu pai, o Tenório, era secretário, lançou o jornal A Voz do Ferroviário do Nordeste, de circulação regional.

Meu pai editava o jornal juntamente com o hoje procurador de Justiça Luciano Chagas – que a época era estudante e adolescente, filho do seu Claudino, um dos diretores da Refesa no Estado.

O jornal teve repercussão e os laços com os demais colegas ferroviários se estreitaram; meu pai ficou amigo de um mecânico da oficina da Refesa em Jaboatão-PE, que era conhecido como Jota Jota.

Soube depois que aquele sujeito moreno, magro e tabagista era filiado ao Partidão (Partido Comunista Brasileiro). O Jota Jota era uma figura bem humorada.

Meu pai também era ator e participava da peça que o falecido professor Coelho Neto promoveu, em prol da Federação Espírita de Alagoas. Entre os personagens da peça tinha um padre.

Na eleição majoritária em 1960, o Jota Jota apareceu lá em casa pedindo que meu pai emprestasse a batina, porque o Miguel Arraes, que era candidato a governador de Pernambuco, ia fazer um comício em São José do Egito e lá o padre fazia oposição a Arraes. Meu pai arranjou a batina.

O comunista Jota Jota vestiu a batina e subiu no palanque de Miguel Arraes, com direito a homilia política. Fez um discurso inflamado contra os reacionários para alfinetar o pároco local. Foi o maior sucesso.

O que o Jota Jota nunca soube é que a batina que meu pai arranjou era de verdade; não era a batina do personagem da peça do professor Coelho Neto.

Deu-se o seguinte: como meu pai não podia desfalcar o figurino da peça, então apelou para o sobrinho, o jornalista Ailton Villanova, meu primo-irmão, que na época também era adolescente e integrava a JOC – Juventude Operária Católica – lá no bairro do Bom Parto, onde morávamos.

Além de pertencer à JOC, o Ailton era afilhado do padre Brandão Lima e o convenceu a emprestar a batina. O padre Brandão Lima tinha várias batinas, e aquela  que emprestou poderia ir ao distante São José do Egito, no alto Sertão pernambucano, sem lhe fazer falta.

E assim, o comunista Jota Jota vestiu a batina que era do padre Brandão Lima pensando que era a batina do personagem da peça teatral que meu pai encenou em benefício da Federação Espírita.

Tempo bom aquele; sem dúvida, porque os comunistas daquele tempo eram de verdade.
 

3 comentários

  • Eduardo Costa

    Há 2 anos

    OS COMUNISTAS DE ALAGOAS HOJE DENOMINAM-SE SOCIALISTAS . GOSTAM DE DINHEIRO FREQUENTAM RESTAURANTES CAROS,USAM CARROS DE LUXO E MORAM EM APARTAMENTOS A BEIRA MAR COM MAIS DE 200 METROS QUADRADOS ,ALEM DE SEREM DENTENTORES DE VARIOS EMPRESAS. ISSO SIM E QUE É SER COMUNISTA.

  • Jose Ramalho

    Há 2 anos

    Os comunistas de hoje é como este oportunista deste Eduardo Bomfim.

  • Profeta do Óbvio

    Há 2 anos

    Caro Bob, antigamente no mundo os politicos se dividiam entre comunistas e capitalistas. No Brasil de ontem e de hoje, á divisão é assim: Os que estão roubando ( estão no poder), e, os que estão na fila prá roubar. Fui claro?

Blog do Bob

Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.