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Postado em 25/04/2010 às 14:25 por Roberto Vilanova em BlogBlog do Bob

General conta que comprou comunista para dedurar comunistas

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por Roberto Vilanova

A entrevista dos generais Leônidas Pires e Newton Cruz ao jornalista Geneton Moraes Neto coloca a esquerda brasileira no lixo.

Eu já sabia que era isso mesmo: comunistas entregando comunistas, traindo a causa, se locupletando com o dinheiro dos assaltos a bancos, o cofre da amante de Ademar de Barros e as ajudas externas para instalação da guerrilha no País – que não passou de bravata no Araguaia.

O general Leônidas Pires disse que o governo militar pagou para um comunista dedurar os dirigentes do Partido Comunista Brasileiro – que foram presos em São Paulo e mortos, e entre eles supõe-se esteja o alagoano Jaime Miranda.

Eu digo que já sabia por ter sido testemunha de algo semelhante em Alagoas. Em 1970 eu estava servindo ao Exército ( antigo 20º BC) sob o comando do coronel José de Barros Paes e com o capitão José Ribamar Zamith no S-2, o Serviço Secreto.

O coronel Paes e o capitão Zamith integram a lista de torturadores do livro Tortura Nunca Mais, mas o que posso dizer deles é que são dois brasileiros íntegros; no tempo em que passei no quartel só tive exemplos de dignidade de ambos.

O coronel Paes é alagoano e o capitão Zamith é carioca, e tem um histórico polêmico – ele foi punido com a transferência para Alagoas e impedido de chegar a major. Sabem por que o capitão Zamith foi punido?

Porque cumpriu a ordem do general e não poupou nem o próprio general da medida. O capitão Zamith era o oficial superior de serviço quando a esposa do general, comandante do então Primeiro Exército, tentou entrar na Vila Militar pelo portão lateral, cujo acesso o marido comandante mandou proibir.

O soldado de sentinela barrou e formou-se a maior confusão. Esbravejando contra o soldado e até o detratando, a esposa do general ultrapassava os limites quando o capitão Zamith chegou.

A mulher disse que era esposa do comandante e que iria passar; e Zamith respondeu que nem ela nem o marido dela, que deu a ordem, passariam. E não deixou mesmo. A esposa do general se sentiu ultrajada e não perdoou o capitão por tê-la trocado pelo simples soldado – que estava de sentinela e a barrou.

Chamado à presença do general, Zamith discutiu com o comandante e foi transferido para Alagoas quando estava tentando fazer o curso de Estado Maior. Esse relato eu ouvi do próprio capitão Zamith. Depois, o hoje major da reserva e dentista Ariston, irmão do publicitário Ailton Nunes e que era 2º sargento e andava com o Zamith, me confirmou.

Além de transferido, o capitão Zamith teria que morar no quartel – o que significava detenção.

Eu me aproximei dele durante as marchas; eu tinha me habilitado a operar o rádio e o capitão exigia um operador de rádio perto dele; o capitão gostava de dar ordens pelo rádio – ele andava com dificuldade; ele mancava da perna direita.

Pois bem; certo dia chegou uma figura no quartel querendo falar com o capitão Zamith. Vinha denunciar o radialista Castro Filho e o padre da Igreja do Bonfim, no Poço, como comunistas.

Não me lembro o nome do padre; sei que foi entre 1970 e 1971, quando servi. Mas, do Castro Filho não podia esquecer; era radialista polêmico que acompanhei na minha adolescência.

O tempo passou, o governo militar acabou e para a minha surpresa e estarrecimento descobri depois que essa figura de dedo-duro era comunista. Pelo menos assim se apresentava nas manifestações, nos sindicatos e, diga-se, era reconhecido pelos pares.

Portanto, eu prefiro aquele que não muda; aquele que se mantém coerente, eu prefiro o coronel Paes e o capitão Zamith; o general Leônidas e o general Newton Cruz a todo aquele que apenas seduz sem valer à pena.
 

8 comentários

  • Alexandro Arapiraca

    Há 2 anos

    Por acaso, seria o tal delator, ruivo e usava barba.

  • Profeta do Óbvio

    Há 2 anos

    Caro Bob, mais uma vez vc dá uma aula de jornalismo, pena que tem muitos jornalistas que não gostam de ler, só gostam de escrever, por isso narram tantas asneiras.

  • ze da silva

    Há 2 anos

    bem pelo menos se ainda estivessemos na ditadura acho que não teriamos tipinhos como renan calheiros ze sarney lulla e outros mais

  • Bob responde

    Há 2 anos

    Caro Karkará, eu sei sim quem é o dedo-duro (ele já faleceu, infelizmente). Não revelo o nome exatamente pq não pode se defender. Grato pela participação.

  • KARKARÁ

    Há 2 anos

    Caro Bob, que Deus possa te perdoar por tamanha asneira, dizer que esses dois torturadores são íntegros é um grande absurdo. Dizer que membros da esquerda traíram companheiros baseado em um caso que vc não sabe nem o nome do suposto traidor é absurdamente inaceitável. Viva Jaime Miranda e os demais.

  • POR QUE

    Há 2 anos

    EITA "OME" PARA SABER DE TUDO!! SÓ NÃO SE LEMBRA DO NOME DO PADRE....

  • Petrucio

    Há 2 anos

    Caro Jornalista Bob, a história do Brasil está cheia de fatos como esse, observe em nosso rincão quantos cidadãos permanecem sempre no poder por trás de legendas politicas que sediziam de esquerda, por simples comodidade pessoal, e os eternos donos de sindicatos, CUT e associações. VERMES.

  • Petrucio

    Há 2 anos

    Caro Jornalista Bob, a história do Brasil está cheia de fatos como esse, observe em nosso rincão quantos cidadãos permanecem sempre no poder por trás de legendas politicas que sediziam de esquerda, por simples comodidade pessoal, e os eternos donos de sindicatos, CUT e associações. VERMES.

Blog do Bob

Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.