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Postado em 29/01/2010 às 23:19 por Redação em BlogBalaio do Teles

Novo Enem: A mesa de apostas

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Esse texto foi publicado, também, no portal O Globo:

oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/01/29/novo-enem-mesa-das-apostas-915737494.asp

Olá, pensadores!

Começaram sexta-feria, dia 29, as etapas de seleção dos estudantes para cerca de 50 universidades públicas que aderiram ao sistema de preenchimento de vagas via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O negócio é como um jogo de pôquer. Diante da nota obtida no exame, o aluno, como um jogador astuto, escolherá em quais cursos e instituições poderá participar do páreo. São quase 50 mil vagas que serão disputadas pela "sorte" e autoestima.

Digo autoestima porque, vejamos, um aluno que tenha obtido uma nota mediana precisará acreditar que essa nota é boa o suficiente para disputar uma vaga num curso de medicina, por exemplo. Se ele não confiar, não entrará na disputa. Digo sorte porque alunos com notas não tão boas, ante a ausência de autoestima de alguns com notas melhores, poderão simplesmente herdar vagas que, num sistema normal de seleção, jamais seriam suas.

Outro complicador, nesse novo processo seletivo unificado, é que, sem que haja um domicílio estudantil, muitos estudantes - das regiões norte e nordeste, por exemplo, onde o ensino é comprovadamente mais deficiente - verão as vagas mais cobiçadas sendo ocupadas por alunos de outros estados que, certamente, correrão para as "mesas" onde têm mais chance. Quem tiver a melhor mão, que leve o pote.

Apesar de, em teoria, esse processo de seleção unificado ser um avanço, temo que sua prática acentue as diferenças regionais no tocante à qualidade de ensino e oportunidades. Ao "unificar" o processo de seleção, sem "padronizar" o nível de ensino, queremos que "Davis" compitam com "Golias"...

Um dos grandes problemas das políticas, em geral, no Brasil é que elas são formuladas em cima de erros. É o caso das cotas raciais, sociais ou desse processo unificado. Se antes delas viessem verdadeiras unificação e moralização do ensino fundamental e médio, com escolas públicas oferecendo condições reais de educação e ensino, não tenho dúvida de que o processo de seleção unificado seria um facilitador.

Aliás, se houvesse uma base realmente forte e estruturada de ensino, não teria que haver processo unificado, porque, em cada lugar, poder-se-iam achar bons apostadores com notas dignas de ingresso em qualquer curso ou instituição.

Eu já falei, há algum tempo, disso antes. Relembrem:

www.cadaminuto.com.br/noticia/2009/05/14/novo-enem-um-poquer-universitario

5 comentários

  • lamartine jose

    Há 2 anos

    concordo meu caro Tales,é muita Diferênça, pessoas com mais de 40 anos concorrendo com adolecentes, alunos de escolas publicas disputando com de escolas particulares,cotas raciais numa mesma familia mesmos páis com com filhos de caracteristicas raciais diferntes,é preciso rever esse modelo.

  • Adriana Pimentel Azevedo

    Há 2 anos

    Olá meu caro Teles! Sou psicóloga, também tenho um blog que trata de assuntos correlatos a psicologia, mais gosto muito de ler artigos como os seus.
    Parabéns pelo seu livro e pelos seus brilhantes artigos escritos de forma inteligente e com um olhar crítico e sábio.
    Um enorme abraço

  • Ascanio

    Há 2 anos

    oriundo de escola pública não pode competir em pé de igualdade com os escolas particulares. O MEC deve levar em conta essas diferenças, assim como deve se preocupar com as as diferenças regionais.

  • ASCANIO

    Há 2 anos

    Exatamente meu caro Teles, Davi não pode competir com Golias.E nas universidades públicas que são de longe melhores que as particulares caça-níquel, deve-se reservar a maioria das vagas para os estudantes de oriundos das ESCOLAS PÚBLICAS.Devemos lutar por essa mudança fundamental,pois o estudante...

  • Lima Filho

    Há 2 anos

    A meu ver, o sistema de cotas só reforça a disciminação.

Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.