Olá, pensadores!

Imagine-se comemorando o réveillon em um lugar paradisíaco... Você e seus melhores amigos, juntos, pulando ondas e estourando champanhe, cantando e sorrindo. Imagine seu celular recebendo os votos de bom começo de ano novo... Você, eufórico, ligando para as pessoas mais especiais, enquanto os fogos estouram no ar!

Imagine-se dormindo, feliz, num quarto de hotel. Seus melhores companheiros estão nas camas de cima ou de baixo, ou nos colchonetes... Você está feliz porque sabe que amanha ainda é festa e que, ao lado deles, tudo vai ser bom! Vocês esperaram muito por essa virada de ano, por essa viagem, por vocês mesmos... Dormem tranquilos, certos de estarem seguros, confortáveis e, acima de tudo, felizes!

Esta cena ocorreu com quase todos nós, há poucos dias! Ocorreu também para os moradores e turistas que visitavam a bela cidade carioca de Angra dos Reis. Balneário turístico, entre montanha e mar, margeada de Mata Atlântica, Angra foi palco para um começo de 2010 indesejável – e imprevisível – para dezenas de famílias...

Imagine-se sendo acordado por toneladas de barro, inundando seu quarto de hotel, sufocando seus amigos, sepultando seus sonhos e os votos de um bom ano novo, renovados há tão pouco tempo... Imagine-se sendo terrivelmente surpreendido por um mar de lama que, sem piedade, arrasta tudo que vê pela frente, derrubando paredes, dobrando pilares, retorcendo ferros e destruindo vidas...

Embora você consiga imaginar, nunca vai sentir de verdade o que é isso. Eu também não sei, ao certo e de verdade, o que é saltar de uma alegria tão imensa, como a da celebração do ano novo com meus melhores amigos, para uma dor incomensurável de saber que, logo no primeiro dia do ano, muitos desses melhores amigos – ou filhos, irmãos, pais, netos – já não estão comigo.

Esta é a dor dos sobreviventes, dos familiares que hoje choram suas perdas e dos incansáveis que buscam seus desaparecidos... De saber que começam um ano – e o resto de suas vidas – sem alguém que, sinceramente, não estava em hora de partir...

Mas quão intrigantes são os descaminhos dessa vida... Força e coragem, é o que desejamos aos que sofrem. Não sou famoso, nem conhecido, mas, ao ver tanta dor, fui tomado por compaixão por aquele povo. Não sei se o que faço dará algum resultado, mas faço de coração. E peço a sua ajuda, leitor, nesse clamor por Angra dos Reis:

Se não fez, ainda, reserve um pouco de tempo e faça uma oração a Deus para que conforte os corações esfacelados de familiares e amigos das vítimas. Com a sua fé e crença, ore ao seu Deus. Esta é a maior ajuda que você pode dar: clamar alívio para um fardo em verdade tão pesado.

Mas, se além disso, você quiser agir, faça uma doação. Para informações sobre como entregar doações para as vítimas em Angra, solicita-se ligar para os telefones (24) 3377-6046, 3377-7480, 3365-4588 e 3377-7869. Roupas, colchões e alimentos estão sendo recebidos no Colégio Estadual Dr. Artur Vargas, na Rua Coronel Carvalho 230, em Angra dos Reis. É um bom momento para tornar concretos os votos que fizemos uns aos outros de um ano novo feliz.