Alagoas se encontra entre os Estados do Nordeste, onde existem maiores queixas dos médicos com o SUS e o PSFs. As informações são do livro "O médico e o seu trabalho - região Nordeste." A obra aponta as principais falhas do SUS e PSF,modelos que precisam urgentemente de transformações, sob pena de sofrimento para a população mais carentes e para os profissionais.

Em toda a região nordestina, 46,6 e 41,6 dos 2.757 médicos pesquisados dizem que as condições de trabalho e a qualidade dos serviços oferecidos pioraram no SUS,respectivamente. Quanto ao PSFs, 44% acreditam que não houve mudanças na qualidade dos serviços, enquanto 54% observam que nada se modificou nas condições de trabalho.Números que representam quase a metade da opinião dos profissionais da medicina.

Os salários atraentes oferecidos pela prefeituras aos médicos dos Programas de Saúde da Família(PSF)muitas vezes funcionam como o "canto da sereia".O profissional que se desloca para a cidade do interior, principalmente, não têm plano de cargos e carreiras, nem estabilidade e ainda ficam sujeitos a interesses dos políticos prefeitos, calotes e demissões.

Tudo isso também acontece nas capitais, porém é mais forte nos municípios distantes. Esses são problemas comuns em estados como: Alagoas, Rio Grande do Norte,Paraíba e Ceará,onde mais de 70% dos médicos apontam que,para melhorar o trabalho no PSF, é necessário vínculo empregatício,melhoria dos serviços, estabilidade e hierarquia na equipe,sendo esta última diretamente relacionada à violação dos direitos humanos.

Já em Alagoas, de acordo com dados do Conselho Regional de Medicina, a melhoria das condições de trabalho é considerada prioritária para mudaro pSF, na opiniãode 84,9 dos médicos. É a maior taxa do país. A médica alagoana, hoje residente em infectologia,Maria Cristiane Ferreira de Souza,35 anos explicou os motivos.

Ela disse que chegou a ter depressão, porque tinha vontade de aplicar o que aprendeu no PSF, mas sem ter as mínimas condições de trabalho.Issolevou ao desestímulo pelo programa e à vontade de deixar a atenção básica. " No inicio, eu era feliz, mas depois passei a não gostar mais. A gente não é reconhecida pelos pacientes, nem pelos próprios colegas. Médico PSF tem que ser um cabo eleitoral,fica à mercê de vereador, de político e isso me frustou demais", disse a médica alagoana, acrescentando que "foi por isso que mudei de vida."

Ela contou que decidiu fazer especialização. "Nosso Estado tem um dos piores salários do país, não nos valoriza. Amo meu Estado,mas penso diariamente em sair de Alagoas", completou.