Guardar dinheiro para comprar à vista não é uma opção para a professora Karla Katiúscia de Souza. Aos 29 anos, a moradora de Campo Grande conta que nunca conseguiu poupar o suficiente para poder adquirir os bens que tanto deseja. Mas nem por isso, ela abre mão do que quer. Acostumada com o crédito, a professora se prepara agora para comprar com o marido apartamento financiado pelo programa ‘Minha Casa, Minha Vida’. Nem por isso deixar de presentear amigos e parentes no Natal do crédito a juros baixos.

Karla, o marido Ederson e milhares de brasileiros terão à disposição R$ 65 bilhões, R$ 15 bilhões a mais para gastar nesse fim de ano em relação ao crédito disponível em dezembro do ano passado. De diferente, ainda há, no orçamento do brasileiro as prestações da casa própria, as parcelas do carro novo e do aparelho eletrodoméstico, que com incentivo fiscal deixaram de ser um sonho para virar uma preocupação a mais dos consumidores.

A farta oferta de crédito na praça, que fez a crise financeira virar marolinha no Brasil, pode virar um pesadelo se o cidadão não mantiver o hábito de pagar em dia para não se enrolar com as prestações. Organizar as finanças e o orçamento familiar, ação combinada ao corte de gastos supérfluos são o primeiro passo para evitar o atraso de compromissos financeiros assumidos com as compras fora de época.

O volume emprestado deve chegar aos R$ 65 bilhões com juros mais baixos e prazos mais longos do que em 2008. A estimativa é da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), que já aponta os juros médios atuais cobrados dos consumidores como os menores em 14 anos: 7,08% ao mês (127,25% ao ano).

Uma boa dica para lidar com o orçamento apertado, é o consumidor fazer uma análise da situação de suas contas. Um bom raio X no orçamento que mostre o tamanho das dívidas e o ritmo em que crescem pode apontar quais as candidatas à quitação antecipada ou a troca dos juros. Para as prestações atrasadas, a solução é voltar a negociar com o credor.

Gilberto Braga, economista da Ibmec, ensina que, se o consumidor percebe que não vai conseguir pagar a conta, o melhor é iniciar renegociação com o credor. Braga orienta, no entanto, que só vale dialogar se o devedor realmente estiver disposto a seguir novas regras.

A quitação antecipada de dívidas com juros altos, também é boa opção para quem se deu conta que está apertado. Sempre que possível, compare condições atuais com o crédito pessoal e o empréstimo consignado, que pode oferecer taxas menores (entre 0,85% a 2,30% ao mês).