Com uma produção regular de discos, shows lotados e reconhecimento de crítica - dentro e fora do estado -, Oswaldo Shlickmann, ou como é mais popularmente conhecido, Wado, vem firmando seu espaço não só em Alagoas, mas, em outros palcos do país. Após lançar o seu quinto trabalho solo, Atlântico Negro, o artista catarinense de coração alagoano mantém a essência de seu trabalho, com a sonoridade e assinatura, conhecida e aclamada desde o Santo Samba.

Esta foi a última banda que Wado integrou, pois, em 2000, ele partiu em carreira solo. No ano seguinte, ele surpreendeu a crítica com o trabalho Manifesto da Arte Periférica. Chegou a ter destaque em matéria da Folha de S. Paulo e foi indicado pela então recém-lançada Revista MTV. Aliás, na MTV, Wado chegou a apresentar suas músicas nos extintos programas Banda Antes e Lado B, e teve alguns de seus clipes veiculados.

Manifesto da arte periférica tem uma faceta que poderia ser considerada de cunho social ou político, mas sem ser panfletário ou de denúncia gratuita. Antes de tudo é um disco que valoriza qualidades estéticas, que investe em múltiplas sonoridades e que instiga a vontade de dançar. Já em 2002, Wado lançou um trabalho mais melódico, intitulado Cinema auditivo. Naquele ano, teve ainda a oportunidade de cantar no mesmo palco dos Los Hermanos, durante o Tim Festival, no Rio de Janeiro.

Em 2004, Wado lançou A farsa do samba nublado e transferiu-se para o sudeste do país, onde ampliou seu raio de atuação musical e conquistou outros palcos e outros públicos, em companhia de sua banda: agora ele assinava Wado e O Realismo Fantástico. No Rio de Janeiro, ajudou a fundar o grupo Fino Coletivo, que atualmente conta com uma música da autoria de Wado, Alvinho Cabral e George Bourdoukan na trilha sonora da novela Caminho das Índias (“Uma raiz, uma flor”).

Em 2007, foi selecionado pelo programa Rumos Música do Itaú Cultural, com show transmitido pela TV Cultura. No mesmo ano, Wado volta para Alagoas e lança Terceiro Mundo festivo (2008), considerado por muitos fãs um de seus melhores trabalhos. Nesse disco há a investigação das sonoridades que as periferias do mundo produzem mesmo sem quase nada de matéria prima. A obra está cheia de ritmos como o funk carioca, o reggaeton e os afoxés baianos, mas sem deixar de lado o rock e o samba. Pela proposta, assemelha-se ao bem conceituado primeiro disco.
O novo Atlântico negro integra o Projeto Pixinguinha, da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Já está disponível para download no site oficial do cantor, assim como os anteriores. O disco está repleto de nomes e referências da cultura afro. Destaque para a música “Frágil” e para os arranjos de “Jejum/Cavaleiro de Aruanda”, “Boa tarde, povo” e “Rap Guerra no Iraque”. Wado apresenta o seu disco mais bem produzido, que evidencia o processo de profissionalização pelo qual o artista está passando. Processo que infelizmente poucas mentes brilhantes de Alagoas conseguem desfrutar.

Atlântico negro torna mais próximo os dois grandes pedaços de terra que apenas estão separados pelo oceano Atlântico. A música de Wado faz esse Atlântico parecer mais estreito, mais íntimo.