De cada dez brasileiros, quatro andam a pé nas grandes cidades, e nem sempre encontram o caminho livre. Essa é uma forma de desrespeito comum aos cidadãos brasileiros, que pode ser percebida em praticamente todas as cidades.

Em Belo Horizonte, por exemplo, orelhões ficam no meio das calçadas. “Vim andando, pensando no meu trabalho, e quando vi bati minha cabeça no orelhão”, diz a psicóloga Beth Federmen.

Não é só o telefone público que atrapalha. Mesas e cadeiras em frente aos bares também. “Sem a calçada fica ruim. O pessoal vai ficar de pé por causa da minha clientela aqui da região”, afirma Antônio Gonzaga, dono de uma lanchonete.

Em São Paulo, o que incomoda são os escorregões. Eles se tornaram frequentes em algumas calçadas da cidade. “Tava molhado porque choveu, e eu estava andando e escorreguei, quase caí”, conta o artista plástico Jerome Richarg Flauront.

Já no Rio de Janeiro, é frequente o uso das pedrinhas portuguesas. Só que quando uma se solta, as outras acabam se deslocando rapidamente quando não há manutenção adequada. O mesmo equilíbrio também é necessário em Fortaleza. Um dos bairros da cidade praticamente não tem calçada.

Pelas regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas cada calçada deve ter, no mínimo, 1,20 metro de largura, livre para circulação. Esse limite, no entanto, nem sempre é respeitado. Na maioria das cidades, o dono do imóvel é quem deve construir e cuidar das calçadas. E a fiscalização cabe às prefeituras.