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Postado em 16/05/2012 às 11:09

A anuidade da OAB

Você sabe como é gasto o dinheiro da OAB?

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De há muito que era provocado para puxar o assunto. Debater o valor que se paga para a OAB à título de contribuição anual. Desde já façamos um esforço matemático em dizer que a anuidade em média no Brasil é de R$600,00 (Seiscentos reais), com a exceção de Pernambuco que tem a anuidade nacional mais barata, ou seja R$400,00 (Quatrocentos reais). A seccional alagoana aplica a média brasileira, ou seja cobra o valor mencionado, aportando descontos para o advogado recém-formado a fim de possibilitar que este inicie a sua carreira.

A discussão aqui não cabe sobre ser cara ou barata, isso deixo a cargo do leitor, mas sim em saber o que é que a OAB faz com a referida arrecadação. Quantos pagam a OAB? Quantos não pagam? Quais os benefícios que referida contribuição traz para a categoria? Como é aplicado referido dinheiro? A anuidade de R$600,00 (Seiscentos reais) é (in)suficiente para fazer frente aos desafios da OAB com a advocacia? O portal da transparência da OAB/AL (http://www.oab-al.org.br/index.php/transparencia/balancos-financeiros) que acabei de acessar agora há pouco, traz os balanços até o ano de 2010.

Pequeno detalhe deve ser esclarecido. Todo o trabalho dos advogados e advogadas(Presidente, diretores, conselheiros seccionais e federais, tribunal de ética, ESA, CAA) na OAB é de cunho voluntário, isto é, sem qualquer ganho remuneratório.

De há muito, também, ouço que a nossa seccional não tem condições financeiras para grandes aportes em benefício da advocacia, nossas salas do advogado são acanhadas, limitadas em muitos serviços, há localidades que sequer sala de advogado temos. Temos o Clube do Advogado, pouco frequentado que serve uma vez por ano para a grande festa em comemoração de nossa data, o dia 11 de agosto e que deve consumir grandes somas para a manutenção e conservação. Temos a ESA que além de cursos de pós-graduação à distância ou presenciais precisa se fazer presente no enfoque diário da categoria, trazendo aperfeiçoamentos profissionais, criando revistas de publicação científica etc.

Enfim, temos questões profundas a enfrentar e muito a pedir que se esclareça em razão do valor que se cobra e o que se faz com ele. A OAB Nacional também deve explicações à classe, afinal a anuidade é rateada entre a OAB nacional, seccional, subseccionais, ESA, e Caixa de Assistência.

E antes que venham acusações de que este blogueiro, por ser conselheiro federal suplente, tem a obrigação de saber o que se faz com o referido dinheiro, é de bom alvitre salientar que o destino, a forma, as prioridades dos gastos da OAB cabe à diretoria, e o debate aqui lançado é justamente no sentido de que tudo isso seja democraticamente dividido com os advogados, a fim de que todos possamos ser cientificados do porque, como, de que forma, a nossa anuidade retorna em benefício do advogado e da advogada.

Só à título de exemplo, recentemente estive em Aracaju e lá visitei a sala do advogado que fica no Forum Gumercindo Bessa. Posso relatar ser uma sala dotada de 08 (oito) computadores, máquina de xerox com serviço gratuito ao advogado até 05 cópias, internet gratuita, televisão de plasma em sala de espera, café, água, bolacha. Como visto há certo conforto que possa efetivamente contemplar os anseios dos advogados locais, bem como daqueles que ali estão de passagem e precisam de um lugar remoto para trabalhar. Daí a pergunta inevitável : " como uma seccional muito menor do que a alagoana, com arrecadação substancialmente menor, consegue ter sala equipada, atendimento, serviço etc. com superioridade absoluta?"

Talvez seja uma questão de prioridade onde gastar melhor e em benefício da advocacia, talvez seja questão de gestão, mas o fato é inegável, a seccional sergipana consegue ter um espaço para o seu advogado e os demais advogados visitantes realmente digno da advocacia forte e pujante que tanto se sonha. E como se diz no adágio popular, sonhar não custa nada, não é?

Postado em 13/05/2012 às 13:30

Causo minuto: caos aéreo

Qualquer coincidência é coincidência mesmo...

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Mais de três horas de espera já haviam passado e a companhia aérea continuava a se desculpar com os passageiros e pedindo mais calma e mais paciência, pois o embarque se iniciaria em alguns minutos. A deixar a ira dos viajantes mais tormentosa lá estava ele, um metro e sessenta e dois de altura, cento e quarenta e dois quilos, cabelos ralos, meia-idade, olhos grandes e amendoados, barba por fazer, camisa um pouco surrada e com migalhas de pão adornando a barriga que faria inveja a qualquer grávida de quadrigêmeos perto da hora do parto falando pelos cotovelos. Pelos dois.


Seu nome ninguém sabia, mas de sua vida de taxista em Nova Iorque com aventuras fantasiosas e mirabolantes todos já haviam sido cientificados, tal era o tom grave de sua voz ao contar vantagem para outro paciente passageiro que tinha dom para monge budista por aguentar há mais de duas horas o sujeito que “monologava” ao seu lado. A conversa do parlapatão já descambava para o dia em que ele conheceu pessoalmente Kobe Bryant quando finalmente para o alívio de todos, e principalmente do monge budista, a companhia anuncia o embarque.


O taxista fanfarrão era brasileiro, carioca da gema, segundo ele, e estava indo ver sua mãe que morava no Leblon e aguardava ansiosamente sua chegada. Era filho único, tinha feito fortuna como taxista em Nova Iorque e exaltava o estilo americano de ser. Uma mochila nas costas escrito “I Love NY” aumentava ainda mais o já avantajado corpanzil que ia esbarrando em um e outro passageiro até a sala de embarque e posteriormente no apertado corredor que levava ao interior do avião. Suava feito tampa de marmita de pedreiro. O odor depois de tanto tempo já não era o dos mais agradáveis.


Seu percurso até o avião não fora o dos mais nobres, afinal derrubara duas crianças e uma velhinha de noventa e oito anos que viajava pela primeira vez . Era educado ao pedir licença, mas desastrado ao se movimentar, ao bater com a mochila em um virava-se para se desculpar e “paft” acertava outro passageiro. Ao todo, vinte e três vítimas do taxista americano e uma certeza: aquela viagem entraria nos anais das mais alucinantes na vida de Sinéia, a aeromoça que já estava contando os dias para se aposentar. Jurou que contaria em um livro as aventuras já presenciadas nas 948690348696876354693597583338497893467834 milhas de voo que tinha feito durante seus quase trinta anos de dedicação exclusiva à empresa. E aquela tinha tudo para ser inesquecível.Era o seu último dia.


Poltrona 16 A, indicava que o taxista sentaria na janela para o desespero dos seus vizinhos 16B e 16C. Mas assim que se sentou na poltrona gritou:
“- Sofro de claustrofobia, sofro de claustrofobia, não posso sentar aqui”. Apertou o alarme chamando a aeromoça, deu com o cotovelo na cabeça do senhor ao lado e uma leve mãozada na senhora que tentava se acomodar na fileira de poltronas. Depois daquele movimento feroz contou com a ajuda gentil e célere dos vizinhos da 16B e 16C que rapidamente tentaram tirar o taxista que àquela altura estava entalado na poltrona.


Sinéia, a aeromoça, (mais para “aerovelha” segundo ela mesma se autodenominava) aproximou-se pacientemente e falando em tom educado e em voz suave disse que arrumaria uma solução. Alguém que quisesse trocar de lugar com o referido senhor seria encontrado. Foi difícil. Quase uma hora e meia de tentativas frustradas e o piloto estava já pensando em chamar o pessoal do setor de negociações antisequestro da Polícia Federal até que uma alma caridosa cedeu seu lugar. Finalmente ele se mudara para a poltrona 24C, para o desespero dos vizinhos da 24B e 24A , a velhinha de noventa e oito que anos que jurou que seria a primeira e última vez que viajaria no invento veloz de Santos Dumont e a enfermeira que lhe acompanhava endossando as juras e promessas da senhora da melhor idade, depois da maldita e inapropriada troca.


Decolagem autorizada. Explicações do voo em português, inglês, francês, italiano, alemão e aramaico. Mas antes de partirem Sinéia leva o extensor do cinto para o taxista ficar devidamente seguro na diminuta poltrona 24C. Aquele era um voo especial. E seria.Era o último da aerolvelha que faria de tudo para ser perfeito.


Apenas o avião atingiu a velocidade de cruzeiro e um som alto e contínuo se fez ecoar da poltrona 24C. Logo em seguida o cheiro de enxofre, misturado à fossa, bafo de banguelo e com essência de fezes de dinossauro foi percebido até na cabine do piloto que pensou tratar de um atentado com bombas de gás, mas ele, o taxista, acusou logo a responsabilidade pelo acontecimento e também disse a todos que sofria de diverticulite e de logo se explicava; “_ Lembram-se do Tancredo? Pois é, não posso segurar senão...” E assim que acabou de falar, outro mais agudo e contínuo foi sentido.

A senhora de noventa e oito anos desmaiou. A enfermeira tentou acudi-la mas sofreu mais uma rajada flatulenta do taxista americano que colocou toda a culpa naquela latinha de feijoada que ele jurava ter comido só a metade. Pedidos de desculpas se seguiram mais 45 vezes e o piloto já pensava em abortar a viagem e voltar para o aeroporto de origem, o que lhe foi negado pela torre de comunicação determinando que ele continuasse viagem e se virasse que o avião tinha que estar no Rio de Janeiro de qualquer jeito. Afinal já estavam com mais de 5 horas de atraso.


Os passageiros entraram em pânico e pensaram em trancar o senhor no banheiro, uns queriam atirá-lo para fora do avião. Um senhor pensou em matá-lo, mas foi contido pela senhora ao lado dizendo: “Padre, ele também é filho de Deus!”.


De repente uma solução. Sinéia a "aerovelha" acionou para que as máscaras de oxigênio caíssem em cada assento para o alívio dos passageiros e a diminuição da tensão que se espalhava descontroladamente. Os tripulantes já haviam perdido o senso de civilidade e procuravam cada um por si tentar resolver a “diverticulite” maldita na porrada.


Pouso autorizado. Avião no chão seguido de aplausos para o piloto e para Sinéia. Alegria geral e efusiva maior do que ganhar da Argentina em final de Copa do Mundo e uma única certeza: aquele voo teria entrado para a história da aviação aérea brasileira.
 

Postado em 07/05/2012 às 11:44

A "democracia" na OAB

Conhecem o ditado do façam o que eu digo mas não façam o que eu faço? Pois é...

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Como já havíamos anunciado anteriormente dedicaremos as segundas-feiras para debater os problemas da Ordem dos Advogados do Brasil. Hoje traremos como argumento a sua contraditória e a nosso ver antidemocrática forma de escolher o Presidente do Conselho Federal.
A entidade que tanto fala, luta (e lutou) pela democracia no país não faz a lição de casa. Isso mesmo! A escolha pelos conselheiros federais (e somente estes) do presidente do conselho federal e respectiva diretoria em verdadeira eleição indireta, fechada, sem projetos debatidos por toda a classe em nível nacional, parece um contrassenso da entidade que prega a democracia como melhor forma de eleger os dirigentes do país.


Pior. O conselho federal, à guisa de justificar que se trata de uma eleição congressual, o que não é verdade, impediu que os advogados e advogadas do Brasil pudessem escolher, em plebiscito, a melhor forma de se eleger o presidente nacional, ou seja, se ainda através dos conselheiros federais ou em eleições diretamente realizadas pela classe dos advogados. Respeitamos quem pensa o contrário e quem assim votou, mas não concordamos que tal forma de eleição se adeque aos anseios democráticos pregados pela entidade para o país.


A proposta do plebiscito defendida pelos amigos da Bahia, capitaneada pelo conselheiro federal Luiz Viana Queiroz, recebeu pouca adesão no conselho, e podemos dizer que a bancada de Alagoas, à época representada por esse que vos escreve e o também conselheiro federal Pedro Acioli, concordou com a realização do plebiscito e com certeza, ao menos o pensamento posto era trabalhar para que os advogados e advogadas pudessem dizer sim às eleições diretas para Presidente Nacional da OAB.


Alguns argumentos lançados contra a ideia são tão estapafúrdios que ao meu senso merecem reproche da classe nas próximas eleições, que deve se comprometer com os ideais democráticos de uma entidade que tão bem representou este país e lutou contra a ditadura militar e pelo restabelecimento das eleições gerais, livres, diretas e irrestritas naquele momento obscuro que vivemos.


Uma pena que não trouxeram os seus dirigentes a democracia para dentro da entidade. E ainda teimam em não fazê-lo.


Elenco agora alguns dos argumentos que foram lançados contra as eleições diretas para o CFOAB e deixo ao leitor o juízo de valor a comentá-los, pois a mim me parecem insustentáveis sobre qualquer ponto de vista:
1. O advogado não estaria preparado para votar em eleições nacionais, podendo ser enganado pelo poder econômico de alguns candidatos.
2. Haveria o risco de o Presidente da OAB Nacional ser patrocinado por narcotraficantes e assim a entidade cairia nas mãos de pessoas inescrupulosas.
3. A eleição é congressual dentre os conselheiros federais eleitos (Aqui há um equívoco jurídico grotesco, vide artigo 67, § único do EOAB)
4. Se aprovassem o plebiscito era claro que os advogados aprovariam as eleições diretas e isso não poderia ser aceito dentro de um patamar de segurança para a entidade (até agora não entendi o referido argumento nem sob o ponto de vista lógico)

Historicamente se sabe que a emenda Dante de Oliveira que tinha a aprovação de mais de 85% da população prevendo a eleição para Presidente da República foi rechaçada em 25 de abril de 1984 pelo congresso nacional também sob o falso argumento do despreparo dos eleitores.

Parece-me que os argumentos aqui também são de pouca ou nenhuma força democrática, com exceção da manutenção de um status quo que precisa ser revisto se a entidade quiser se manter na vanguarda da modernidade ditando, ou ao menos, fazendo-se respeitar por posicionamentos em defesa da democracia. Manter a fórmula da escolha pela simples manutenção do poder ou pelo medo da mudança, à espreita de se esconder sob argumentos inaceitáveis sob o ponto de vista da democracia que a entidade tanto prega para “os outros” me parece equivocado.


Finalizo pedindo vênia para transcrever o pensamento do colega conselheiro federal Luiz Viana, ao qual me irmano e estou à disposição como soldado na trincheira de uma OAB REALMENTE democrática, a saber: “ o CFOAB perdeu o timing e essa discussão agora está no Congresso Nacional. Espero que este ano de nossas eleições estaduais possamos discutir o assunto e consultar nossos colegas ao longo das campanhas e levar a opinião da maioria dos advogados para nossos parlamentares”.


Por isso lutaremos por eleições diretas já para Presidente da OAB nacional, pois como já dizia Vandré “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.
 

Postado em 06/05/2012 às 09:03

Causo minuto: A mulher do coração de aço

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Era linda. Cabelos de fio de ouro encaracolados de forma a moldar seu rosto arredondado, nariz arrebitado, lábios grossos, sobrancelhas bem feitas que faziam dos seus olhos azuis seu cartão de visita. O corpinho de pouco mais de um metro e sessenta era todo esculpido na academia e nas várias horas de atividade esportiva que fazia durante a semana. Inteligente, esperta, ativista do Greenpeace, articulada e fanática por futebol. Palmeirense de carteirinha, herança do bom gosto de seu “Nono” Giuseppe que quando ainda pequena ele a levava aos jogos de futebol nos áureos tempos da Academia Palestrina do grande Ademir da Guia.


Era o sonho de consumo de todos os garotos do bairro da Mooca, onde cresceu e se criou, embora fosse italiana de nascença. Falava italiano, francês, espanhol e inglês, tinha voz suave e gestos delicados, cantava para alegrar as noites de final de semana da turma. Era linda e engraçada, contava piadas imitando as vozes dos personagens de forma tão plástica que parecia tê-los conhecido pessoalmente. Sabia cozinhar como ninguém, maestria do aprendizado da “Nona” Corina, que lhe ensinara os mistérios da “cucina siciliana”.


Era a mulher perfeita, segundo os comentários nas rodas masculinas que estranhavam a solteirice insistente da garota italiana. Seu nome Pietra Antonelli. “Gioia” para os mais próximos. Cobiçada e desejada por todos os galanteadores do bairro, já havia sido disputada ferrenhamente por dois grandes amigos, Tião e Doroteu, que até juras de morte fizeram caso um a “roubasse” do outro.


Involuntariamente foi o motivo de muitos namoros desfeitos, fruto de paixões arrebatadoras daqueles que a conheciam, para a ira das invejosas mocreias solteironas do bairro. Garanhões de toda a espécie já haviam tentado ganhar seu coração. Todos sem sucesso.


Matrimônio? Já tinha sido alvo de inúmeros e irreverentes pedidos. Uma vez Raphaello di Montalccino, um italiano “legítimo” da Toscana, foi ao programa do Gugu declarar seu amor e pedi-la em casamento para o deleite e encantamento da plateia abestalhada que torcia por um sim contundente da “principesa di brillante” ao final do programa. Toinho da Taboca, nordestino arretado das bandas do agreste de Coité do Jericó, sanfoneiro da linhagem primeira de Dominguinhos, declarou-se com uma serenata nunca antes vista na história desse país. Thor Alcântara Almeida Andrade Safra Itaú Santander Gutierrez Segundo, filho de um mega ultra bilionário empresário banqueiro (quase dono do mundo) encheu um avião de flores holandesas e despejou no quintal da casa de Pietra ao som de Roberto Carlos que foi pessoalmente cantar “Como é grande o meu amor por você” para o delírio do bairro inteiro. A mãe de Pietra desmaiou de emoção ao ver o “Rei” cantando na porta da sua casa. O pedido inusitado saiu em todos os jornais do Brasil e foi anunciado em tom de notícia importante sob a batuta de William Bonner. O resultado de tamanho investimento do “filho de Osíris” foi uma McLaren destruída, pois dizem as más línguas que com a negativa da moça o “ragazzo” se embriagou de tal forma que... Mas isto já é uma outra estória...


E tal como havia feito com Thor Alcântara etc. etc. (por que gente importante tem nome tão grande?) todos pedidos eram negados com a delicadeza de um anjo que se desculpava evasivamente com ares de superioridade feminina, mas com jeito candente e meigo explicando-se de que ela não era à altura do “candidato”.
A fama da italianinha “inconquistável” já havia sido difundida no país inteiro e Brasil afora. Afinal o que levaria alguém a dar um verdadeiro “fora” em cobiçados partidaços? A história ganhou ares de conto de fadas e pedidos de todo tipo e gênero começaram a chegar como o grande desafio do século XXI para o desespero de Pietra. As más línguas a reputavam como homossexual. Outros diziam que ela queria fama ao fazer aquilo e que um dia, depois dos 40, casaria com o “primeiro” que chegasse.


Os jornais sensacionalistas a batizaram de “a garota do coração de aço”. O Gugu fez um programa dividido em 75867845768748 domingos para contar a história da família Antonelli desde o nascimento da Escancha-avó de Pietra até o dia em que o rei Roberto Carlos foi cantar pessoalmente em sua casa. O enigma estava lançado. Pior do que o segredo da fórmula da Coca-Cola ou desvendar o mistério da bolacha Tostines, a saga da Garota do Coração de Aço virou mania nacional.


E ela realmente escondia um segredo. E só uma pessoa o conhecia. Uma única pessoa e mais ninguém. Seu nome Antonino Quaglarioli. Idade 35 anos. Nascido em Montelupo na região da Toscana tinha se tornado padre depois de uma desilusão amorosa na Itália. Mudou-se para o Brasil em missão religiosa por determinação do Vaticano. Sua Santidade, o Papa, havia incumbido pessoalmente padre Antonino de algo especial.


Esportista como Pietra, participava das corridas de final de semana com ela. Era forte, alto, de olhos verdes e cabelos bem aparados. Seu nariz não escondia sua nacionalidade de ninguém e o sotaque italiano, já meio “abrasileirado” fazia das missas do padre um sucesso entre todos os moradores do bairro. As moças suspiravam por ele e respeitosamente lamentavam encontrá-lo sob a batina e a missão dada pelo Senhor.


Padre Antonino era divertido, alegre, professava a palavra do Senhor com jeito simples e encantador. Era realmente alguém especial. Cantava nas suas missas e assim como Pietra tinha uma voz fantasticamente harmônica.  Havia substituído o padre Abreu que de tão chato e antipático não conseguiu arrebanhar nem as carolas mais tementes ao Senhor para as suas chatas e sonolentas missas.


Padre Antonino recebia Pietra em seu confessionário todo domingo antes da missa. Lá por mais de uma hora ela lhe confessava e abria seu coração, fazendo-o corar de emoção, chorar e por muitas vezes suspirar em um silêncio inquietante (Estão querendo saber o mistério, não é?, conto ainda não). A fama da garota do coração de aço havia deixado o padre Antonino em uma situação que se equiparou ao “segredo de Fátima” e lógico que o Gugu também explorou isso em seu programa.


Padre Antonino sabia da vida da garota do coração de aço, porém tudo revelado criteriosamente por ela em confessionário. Já havia quem o tentasse corromper oferecendo muitos milhões de dólares para revelar com “exclusividade” os segredos de Pietra, mas ele fiel aos mandamentos da igreja os recusara todos. Haveria um motivo especial para fazê-lo.


O tempo foi passando e cada vez mais enigmáticas as constantes negativas de namoro, noivado, casamento de Pietra. Ela continuava sua vida normalmente, brincava com todos, contava piadas, cantava, cozinhava como ninguém, sofria e alegrava-se com seu Palmeiras, participava de atividades para salvar o meio ambiente, corria, pedalava, nadava e aos domingos, antes da missa, confessava-se com o padre Antonino.


Finalmente Pietra completa 40 anos. A sua beleza permanecia intocável. Deixava muitas mulheres de 20 anos “no chinelo”. Cuidava-se. Equilibrada, mais madura, inteligente como sempre, encantadora como nunca, seu mistério permanecia irresolúvel porque ao contrário do que diziam as fofoqueiras do bairro não aceitou o convite do “primeiro” que chegou com a proposta de casamento aos quarenta anos.


E olhem que do filho de Osíris para cá vários outros tentaram. O príncipe Williams que a esta altura já era o rei da Inglaterra divorciou-se e pediu Pietra em casamento. Tudo logicamente com a cobertura do já gagá Gugu em um programa que também foi dividido em mais 7875957686784758 domingos para garantir audiência. Ela negou com o encantamento de sempre. Padre Antonino sabia bem o motivo. E só ele.


Religiosamente aos domingos Pietra comparecia ao confessionário do padre Antonino e lá por mais de uma hora, antes da missa, ela o fazia rir, chorar, emocionar-se e por vezes até envergonhar-se. A moça do coração de aço já se tornara mulher e continuava como sempre bela, sagaz, inteligente, astuta, exuberante, (queria colocar “gostosa”, mas acho que o leitor entendeu aonde quero chegar) e misteriosa.


Até que em certo domingo ao se dirigir ao confessionário não encontrou padre Antonino que por um mal súbito havia sido levado às pressas ao hospital. Princípio de infarto, AVC, leucemia, tuberculose, dengue hemorrágica, tudo se falava a respeito da possível doença letal de padre Antonino. Pietra corre ao hospital e ali, em um último encontro, suspira algo no ouvido do padre e lhe beija a face em despedida melancólica, triste e ao mesmo tempo calorosa. Segura-lhe a mão com muita delicadeza e passa sobre seus olhos a outra cerrando-os com carinho nunca antes visto entre o padre e a moça do coração de aço. (esta cena o gagá Gugu perdeu, mas iria reproduzi-la em mais um programa dividido em 7486747687 domingos)

Postado em 03/05/2012 às 07:43

Saudade Italiana

O presente texto encontra-se sem a devida acentuaçao porque o computador de Pavia ainda nao aprendeu "Brasilianes". Quem sabe um dia...

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Estou em Pavia. Minha segunda casa. Depois de 30 horas de uma viagem conturbada, com atrasos comuns e o caos na malha aérea brasileira cheguei. A viagem de Maceiò até SP consumiu 18 horas. Um verdadeiro passeio por Salvador, Rio e finalmente a capital paulistana de onde parte diariamente um voo para Milao. Contei 687765698759 vezes as lamentaçoes dos brasileiros que repetiam a frase surrada "E ainda querem fazer uma Copa do Mundo!"


Chegando em Milao, uma das cidades mais caras do mundo, uma visao pouco comum. Pedintes nos sinais dividiam o cenàrio com transeuntes em ternos bem cortados por Giorgio Armani e Ferraris que zanzavam com certa frequencia. Com os carros e os ternos acabei me acostumando em razao das vàrias vezes que por aqui passei, mas com os pedintes... uma triste surpresa. Realmente a Europa atravessa ua crise profunda em sua economia. A violencia ainda nao chegou com a intensidade que nòs alagoanos nos acostumamos, mas acredito que a continuar assim, é sò uma questao de tempo.


Chego a Pavia depois de alguma confusao na estaçao central em Milao. Os funcionarios faziam uma certa greve branca, ou seja, trabalhavam em ritmo tartaruga com torcicolo e arritmia cardiaca, combinada com artrite e atrose congenita. Resultado: caos total e uma fila com 78568457638576835768375687 de pessoas (metade de japoneses) que reclamavam em todas as linguas! (Acho que até alguns diziam "E ainda querem fazer uma Copa do Mundo!"). Acabei subindo no trem sem pagar o bilhete pois acaso esperasse acho que estaria là até hoje e o amigo leitor nao estaria lendo este post. Mas como todo bom brasileiro procurei a autoridade ferroviaria explicando o caso e fiz o pagamento no trem, o que foi aceito de bom grado depois de uma boa conversa sobre o futebol de Neymar.


Subo as escadas da milenar Unversidade de Pavia com normalidade. Hoje faz parte de um cotidiano particular realmente interessante. Sou parte daqui, por incrivel que me possa parecer.A primeira vez que adentrei os umbrais da universidade pavese em 2010 fiz com tanto encantamento e deslumbramento que parecia entrar no céu. Passar pelas estàtuas de Alexandro Voltae e entrar na "Facoltà di Giurisprudenza" com làpides em homenagens a tantos vultos da literatura juridica, principalmente a Cesare Beccaria, nao era sò um sonho, era algo que pensava ser inalcançavel. Nao foi.


Hoje mato a saudade dos amigos que aqui fiz. Palavra saudade que eles tambèm aprenderam a incorporar no gostoso idioma italiano que soa como boa musica aos ouvidos toda vez que "parlo" com alguém daqui que nao via hà tempo. Aprendo muito, ensino pouco, em uma troca interessante de culturas que se miscigenam e acabam por fazer um novo quadro de relacionamentos assaz peculiar.


Professor Vittorio Grevi se faz presente nao mais fisicamente, mas tudo que aqui se faz tem um toque dele. Ontem o seminario sobre Revisao criminal carregava seu nome. Descubro que o Signore Papi, bibliotecàrio sorridente que tinha um bom papo, também nao pode mais trazer os livros que eu pedia com alegria e felicidade. Nos deixou depois de um AVC. Signore Papi gostava de falar de carnaval. Perguntava-me sempre se as mulatas que ele via pela televisao eram de verdade, se podiamos "tocà-las". Eu sorria e dizia, falando "italiano" o senhor poderà fazer muito mais do que sò tocar. Ele sorria de volta e me entregava o volume de livros que eu consumia com voracidade de um lunàtico por conhecimento, afinal nao é todo dia que popdemos ler livros do século XV nos originais.


O "café das 11" ,quase um anàlogo trem de Adoniran,é um verdadeiro ritual, e é o ponto de encontro de tantos outros amigos.


Realmente a saudade italiana vai abrandando e dando lugar a uma outra saudade que acaba se imbricando e ora se divide entre dois paises que moram em mim como um sò. A partir de entào declaro-me solenemente. Sou italo-brasileiro, pavese-alagoano, sou um entre tantos que viverà de saudade. Saudade italiana que se incorpora e se dilui para a alegria e felicidade de uma conquista nunca sonhada, mas realizada depois de muito "lavoro" e dedicaçao.


Saudade italiana que ganha corpo no pensamento dos amigos brasileiros, dos filhos e mulher que no Brasil deixei para viver mais uma etapa da vida que todo dia nos presenteia com alguma surpresa.

Postado em 30/04/2012 às 14:07

Cada advogado é uma ORDEM!

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E o blogue vai se preparando para ouvir os colegas advogados e advogadas do Brasil. A Ordem dos Advogados que foi tão importante para a conquista da liberdade e a consolidação do estado democrático de Direito precisa com urgência ser rediscutida, debatida e analisada. Qual o papel que se espera da entidade que hoje parece mais um caleidoscópio universal? Qual a função da advocacia nesta simbiose entre entidade e advogado? O que se esperar da advocacia no século XXI com a proletarização da profissão?

Para tanto, todas as segundas-feiras o blogue trará debates sobre problemas da advocacia, dos advogados e da justiça, angariando ideias, críticas, alimentando a franca e livre discussão sobre o que se esperar da advocacia brasileira.

Temas como anuidade da OAB, piso nacional dos advogados empregados, honorários de sucumbência em todas as esferas de atuação do advogado, eleições diretas para Presidente da OAB Nacional, assistência médico-hospitalar do advogado, férias da categoria, previdência privada, programa de bem estar do advogado, livraria do advogado, inserção do advogado jovem, cursos de atualização e aperfeiçoamento profissional, qualidade dos cursos jurídicos, lazer, enfim tudo aquilo que interessar diretamente à profissão cidadã aqui será amplamente abordado sem amarras, medos ou idiossincrasias. E lógico, sem ofensas!

Hoje, faço um desafio para repensarmos a entidade em prol da advocacia e a advocacia trabalhar em prol da cidadania através da aplicação do bom direito, da ética e dos anseios de justiça de todos. Não é a entidade por si que se portrai para levar cidadania ao Estado e à sociedade como bem pensam alguns que tomaram para si a exclusividade de reverenciar a entidade e esquecer de seu associado.

É do advogado a missão de prestar o serviço em prol da cidadania e dos direitos fundamentais, dos quais a ampla defesa é imanente. Ouso dizer que a ordem sem o advogado não é nada, e o advogado sem a ordem continua sendo advogado, pois é dele que vem o labor em prol da justiça e do cidadão.

Não aceito a ideia de que a entidade continua sendo uma das mais respeitadas enquanto o advogado continua desacreditado e desrespeitado em seu mister. Afinal quem compõe a Ordem dos Advogados do Brasil, senão nós advogados e advogadas que lutamos em prol de justiça, cidadania e dignidade?

Por isso que hoje conclamo nesta primeira segunda-feira do debate que sigamos acreditando que CADA ADVOGADO É UMA ORDEM!

Welton Roberto

Welton Roberto é advogado criminalista, Conselheiro Federal da OAB, professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Doutor em Direito Penal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Tuiteiro", gosta de dialogar no @weltonroberto e é adepto de maratona, defensor da justiça e incentivador do debate franco.