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Postado em 21/02/2012 às 17:28

Os grandes precisam partir e eu guardo só os pequenos, disse minha avó.

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A história de Rachel Mwanza, menina originária do Congo, expõe as vísceras da memória de tantas e outras histórias das muitas meninas e meninos, na sua grande maioria de pele preta ou parda, como nos afirma o IBGE, que vivem entre o massacre da pobreza econômica e o apartheid do racismo.
Rachel viu sua história ser transformada de um beco congestionado por tantas limitações para um universo de possibilidades.
 É a primeira atriz negra africana a ganhar o Urso de Berlim como melhor interpretação
Que nos venham outras possibilidades e muitas e outras Rachel...

 

Melhor atriz em Berlim é negra e foi menina de rua
O júri do Festival de Cinema de Berlim premiou como melhor atriz uma menina rejeitada pela mãe, mais tarde pela avó, que viveu na rua antes de ser recuperada por uma organização humanitária, quando foi alfabetizada.
A atriz negra Rachel Mwanza é originária do Congo, RDC, e faz o papel de uma menina soldado, sequestrada por rebeldes e obrigada a lutar com eles depois de um aprendizado no manejo de metralhadora. Seus dois primeiros assassinatos, no filme, foram seus próprios pais.
Em pouco tempo, ela é considerada feiticeira e assim sobrevive no grupo até fugir com outro soldado, também seqüestrado, que é morto ao ser reencontrado pelos rebeldes. Há um toque esperança, pois a « feiticeira » tem um filho, uma família de acolha e a vida poderá recomeçar em outras bases.
Rachel, conta o realizador Kim Nguyen, do filme Rebelde, teve uma vida tão difícil quase como a contada no filme. Ela cresceu na rua e hoje ela freqüenta a escola e diversas pessoas a ajudam. O paralelo entre a história contada no filme e a vida de Rachel é também interessante. Com o dinheiro do filme procuramos também ajudar Rachel, mas não fácil visto seu contexto familiar e ainda hoje ela precisa reunir o máximo de força e tenacidade para adquiir independência.
É a própria Rachel quem conta – « quando ainda pequena, minha mãe mudou-se para outra cidade, meu pai foi para outro lugar e eu me vi sozinha. Foi minha avó quem me cuidou e éramos seis, duas meninas e quatro meninos. Mas minha avó ficou depois desempregada e para sobreviver ela vendia pequenas coisas na rua e fazia assim um pequeno comércio para poder viver, uma época muito difícil para nós, até que chegou o momento em que não podia mais nos sustentar e um dia ela disse a um de meus irmãos que devíamos partir de casa. Os grandes precisam partir e eu guardo só os pequenos, disse minha avó. Vivíamos num lugar precário, minha avó não suportava mais a situação e eu parti.
Tive, então de arranjar o que comer na rua e sobreviver sozinha. Comecei a vender nozes, avelã e frutas secas e com isso tinha um pouquinho dinheiro. Meus pais também faziam pequenos empregos, mas vivíamos na rua. Enfim, consegui um alojamento, mas as condições eram também difíceis e hostis.
Em seguida, fui viver na casa de uma amiga, ela tinha mais idade que eu e eu a ajudava nas coisas de casa. Um de meus irmãos se chama Che Guevara. Ele conhecia um branco chamado Macaré, que fazia castings para filmes e foi assim que fui selecionada para um documentário.
Depois de participar de um documentário, ganhei 600 dólares e dei para minha avó para poder ir à escola, mas o dinheiro previsto para as despesas com a escola não foi assim utilizado e minha avó guardou para ela. Então decidi retornar ao centro de acolha onde estivera e foi assim que reapareceu o europeu Macaré, que me falou haver cenas a refazer no documentário.
Um dia ao retornar à minha família, meus irmãos me disseram, soubemos que você trabalhou num filme e seria bom que você prossiga nesse caminho. Foi uma espécie de milagre, se assim posso dizer, ter trabalhado no primeiro filme e hoje sei ler, o trabalho neste filme Rebelde foi uma grande para mim e quero agradecer a todos aqueles que me ajudaram a participar desse projeto, são eles hoje minha família ».

Rui Maartins, de Berlim, convidado pelo Festival de Cinema de Berlim
Via Correio do Brasil
Imagem internet

Fonte: Correio Brasil

Tags: apartheid,racismo,possibilidades
Postado em 18/02/2012 às 14:05

É fome sim, senhora. A fome de ser feliz!

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O menino tem o rosto emagrecido pela fome que rasga sua alma e invade a trilha de sonhos infantis com sensações agudas e indescritíveis. O menino com as unhas encardidas com a sujeira do mundo tem um sorriso escancarado nos lábios descoloridos.
O menino tem nome é João de Deus, um nome escolhido pela mãe para dar sorte. João de Deus tem 10 anos e uma eternidade de samba no pé. É um carnavalesco de primeira linha, desses que nasce feito.
Entre os gritos de desespero da mãe e os acordes do tamborim, João de Deus fez sua estréia no mundo, com um choro miúdo de quem pede licença. João de Deus nasceu em um sábado de carnaval.
Segundo o site http://www.osignificado.com.br/carnaval/: “Carnaval vem do latim "carna vale" que significa dizer adeus à carne, e é uma festa que originou-se na Grécia, há mais de 500 anos a.C. Nesta festa o povo agradecia aos deuses pela colheita, pela sua produção naquele período. Os festejos eram bastante difundidos pelo povo de cada cidade, onde todos comemoravam brincando, comendo fartamente e consumindo muito vinho.
O carnaval como se conhece hoje com desfiles de fantasias foi exportado pela França, na Paris no século XIX”.

João de Deus, o menino de pele preta, de 10 anos nascido em uma sábado de carnaval é catador. Cata no lixo, material reciclável para revertê-lo em arroz-feijão-se-pão para ajudar no alimento da numerosa família que a mãe e o pai pobres-de-marré-marré-deci puseram no mundo. Carne não, pois a mistura é a parte mais cara da refeição. João de Deus cata, sobretudo a esperança de sair em uma escola de samba como porta-estandarte.
João de Deus, o menino de 10 anos, encarou o desafio de ir além do primeiro passo. Faz tempo planeja realizar o sonho de ser  um grande carnavalesco.
João de Deus sabe tudo sobre outro homônimo, o Joãozinho Trinta, morto o ano passado. João, o de Deus, quer seguir os trinta passos do grande Joãozinho do Maranhão.
Um dia João de Deus no seu ofício de trabalho depara-se com uma senhora da alta sociedade, calçada em oito centímetros da legitima arrogância burguesa ,e entusiasmado por ver gente rica, de muito perto, estende-lhe a mão, com unhas encardidas pela sujeira do mundo: Moça me dá um trocados para comprar minha fantasia.
E a moça, dos sapatos salto Luis XV  de oito centimetros, fantasiando um mundo invadido pelo apartheid da hierarquia elitista exclama jocosa: Que fantasia que nada garoto! O teu mal é fome.
João de Deus responde sem titubear:
É fome sim, senhora. A fome de ser feliz!
E desce a cortina. É carnaval!
 

Tags: carnaval, felicidade, planos
Postado em 18/02/2012 às 11:11

Estamos perdendo nossa humanidade? O espírito de grupo?

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Estamos vivendo um tempo estranho, abduzidos pela materialidade de cada-um-por-si-o-dinheiro-é-todo- meu, esquecemos da espiritualidade que nos rege.
Nesses tempos do trato de gentes como descarte social, ainda é triste constatar que situações como as relatadas abaixo sejam uma constante.
Estamos perdendo nossa humanidade? O espírito de grupo?

Acometido de uma rara e degenerativa doença, a ataxia inflamatória (cerebelite), descoberta em 2000 após um mal-estar antes de uma apresentação, João Fernandes da Silva Filho, o Cacik Jonne, ex-guitarrista da banda Chiclete com Banana, Jonne, hoje com 44 anos – 20 dos quais dedicados à banda –, vive recluso, no apartamento da família, no bairro da Pituba. Metade da aposentadoria por invalidez é destinada à compra de medicamentos e ao tratamento fisioterápico, além de fonoaudiólogo. “A doença nunca me tirou a vontade de viver. Eu sei e acredito que Deus vai reverter esse quadro, pois Ele é meu maior médico”, afirmou Jonne numa mensagem veiculada em seu site cacikjonne.com.br e ilustrada por um atestado médico que detalha a doença e o tratamento.


'Quem não tem sorte tem que ter atitude'
Chamo-me João Fernandes da Silva Filho, sou guitarrista e compositor e mais conhecido como Cacik Jonne. Fui, durante quase 21 anos (1980 a 2001), guitarrista da banda Chiclete com Banana e construtor de significativa parcela da história da música baiana. Portador de doença- Ataxia Cerebelar- venho sofrendo limitações progressivas de movimentos no decorrer dos últimos 8 a 10 anos, um problema de equilíbrio no cerebelo. Não pude mais exercer minha profissão. As condições para movimentar-me e trabalhar foram ficando cada dia mais difíceis. Em conversa que mantive com os dirigentes da banda, ficou acertado, verbalmente, que sairia da banda, mas ela assumiria o pagamento de meus honorários como se estivesse tocando e depois faríamos um acordo.
Como se tratava de um acordo justo aceitei-o. Porém, o compromisso verbal não foi cumprido integralmente, porque os honorários prometidos foram sendo reduzidos gradativamente. De forma integral o acordo foi cumprido apenas no período de junho a dezembro de 2001 a janeiro/2002. A partir do carnaval de 2002 os honorários começaram a sofrer cortes inexplicáveis. Vale ressaltar que nesse período tentei inúmeros contatos com a Banda, mas todos foram em vão.
Movido pela necessidade e pelo propósito de ter meus direitos restabelecidos e respeitados, busquei a Justiça. Em dezembro de 2002 foram instaurados até 2005.Ressalto que a minha saúde, com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais comprometida. O quadro agravou-se e as seqüelas da doença atingiram minha visão, comprometeram minhas articulações e afetaram meu andar. passei a necessitar de tratamentos mais especializados e onerosos. Mas, como poderia fazê-los se não dispunha de recursos financeiros para esse fim?. Meus antigos parceiros permaneceram indiferentes e irredutíveis à esta situação, estranhamente, o processo foi julgado àrevelia, e o mais grave é que eu, vítima, autor da ação e principal interessado na agilidade do julgamento e do resultado, não soube dessa audiência. Meu advogado recorreu da sentença ao Tribunal Superior do Trabalho, TST, onde o processo foi arquivado. Atualmente estou sobrevivendo graças à pensão do INSS e da ajuda de amigos. Tudo o que almejo é ter o valor de meu trabalho artístico de mais de 20 (vinte) anos, interrompidos por motivos alheios à minha vontade, reconhecido financeiramente, a fim de que possa custear, sem favores, meu oneroso tratamento médico-hospitalar. É justo que alguém que colaborou de forma íntegra a uma banda e a uma história musical baiana sofra este processo de constrangimento? 'pois pra os ricos nada pega' não deixarei de falar até que a morte me leve já que sei que a justiça dos homens pode estar perdida, mas a de Deus não questiono, pois acredito, cedo ou tarde, Ela vencerá'.

Cacik Jonne
• Com informações http://www.caririfoco.com

 

Tags: Chiclete com banana, abandono,carnaval
Postado em 15/02/2012 às 21:15

Gilberto Carvalho pede “perdão” à bancada evangélica.

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O Brasil é um país laico.
O Brasil é um país laico!
O Brasil e´um país laico?
Escolha sua versão, pois a presidenta já escolheu a dela.

Para acalmar evangélicos, Dilma diz que ministro não tem posição individual

SIMONE IGLESIAS
DE BRASÍLIA
A presidente Dilma Rousseff mandou recado à bancada evangélica no Congresso pelo ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral): é contra o aborto e ministro não tem posição individual, mas de governo.
Dilma tenta acalmar os ânimos da Frente Parlamentar Evangélica, que questiona a escolha de Eleonora Menicucci para a Secretaria de Política para as Mulheres. A nova ministra é defensora de mudança na legislação relativa ao aborto. Ela própria afirma já ter passado por dois.
"A presidente pediu que eu reafirmasse para a bancada que a posição do governo sobre aborto é a posição que ela assumiu na campanha eleitoral e que nós ministros, as posições que sustentamos publicamente não são posições individuais, são posições do governo e a posição do governo sobre essa questão [aborto] está absolutamente clara e assim vai continuar", disse Carvalho ao participar de reunião com a frente, nesta quarta-feira, no Congresso.
O ministro se reuniu com o segmento evangélico para explicar declarações durante o Fórum Social, em Porto Alegre, mês passado.
Na ocasião, Carvalho afirmou que o Estado deve fazer uma disputa ideológica pela "nova classe média", que estaria sob hegemonia de setores conservadores.
"Lembro aqui, sem nenhum preconceito, o papel da hegemonia das igrejas evangélicas, das seitas pentecostais, que são a grande presença para esse público que está emergindo", disse durante o fórum.
Na reunião com a Frente Parlamentar Evangélica, Carvalho disse que foi "mal interpretado" e pediu "perdão" pelo "sentimento" que suas declarações provocaram em alguns deputados e senadores.
"Minha fala foi traduzida de maneira equivocada, houve interpretação de que o governo se armava para fazer uma guerra com as igrejas evangélicas. Vim aqui para dizer que isso não é verdade, não temos de maneira nenhuma essa intenção, pelo contrário, o governo considera as igrejas evangélicas parceiras e muito importantes. Seria uma loucura fazer uma rede para combater as igrejas evangélicas."
O deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da frente, disse que o episódio está superado.
 

Tags: perdão, evangélicos, laicaidade
Postado em 14/02/2012 às 10:48

Governo vai testar no mês que vem a internet 0800.

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Um notícia que merece aplausos e vai facilitar a nossa vida na rede. O fornecimento da internet do Brasil é o mais caro do mundo e o pior em comparação aos paises desenvolvidos, portanto esse tímido  começo já abre portas  para  mudanças...


Governo vai testar no mês que vem a internet 0800
Qui, 09 de Fevereiro de 2012 11:58
O governo pretende testar em março uma tecnologia que viabiliza a "internet 0800", que permite ao usuário conectar-se de graça à rede para usar certos serviços.
Segundo o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nesse modelo as empresas poderão bancar a conexão à internet de seus clientes para determinadas finalidades, como compras em seus sites ou serviços de atendimento.
"Um banco que quiser estimular seu serviço de internet banking, por exemplo, poderá arcar com a conexão de seu cliente. O mesmo vale para empresas que hoje gastam milhões de reais com serviços de call center e atendimento. Isso pode ser feito virtualmente, com a empresa bancando a conexão", disse.
A intenção é criar um domínio "0800.br". Segundo o ministro, o projeto mira usuários de celulares que não têm planos de dados ou com pacotes limitados.
Ao tentar se conectar com um site que tem o serviço 0800, o internauta tem o serviço de navegação habilitado e a conta da conexão é paga pela empresa que o oferece.
No caso dos pré-pagos, os créditos do celular, por exemplo, não seriam descontados na navegação para esse site. Nos celulares pós-pagos, o tráfego dessa navegação não seria contabilizado.
O teste será feito na primeira quinzena de março com cerca de 8.000 pessoas nas imediações de Brasília. Terá a participação de uma empresa que servirá como a ponta da oferta da linha gratuita e de uma operadora. Participam do desenvolvimento do sistema o Ministério das Comunicações, o Comitê Gestor da Internet e a Anatel.
A declaração foi dada pelo ministro durante a Campus Party, feira de inovação e internet que acontece nesta semana em São Paulo. A Folha é um dos patrocinadores do evento e mantém um aplicativo com agenda, cobertura e galeria de fotos.
 

Tags: internet, 0800, avanços
Postado em 14/02/2012 às 06:35

O Brasil é um país racista, e agora, o que é que você tem com isso?

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O racismo aqui ou acolá é um câncer social. Camaleão muda de formas e espaço para ter sobrevida. Tem um cordão de milhões de adept@s que aumenta na mesma medida da intolerância humana.
O estudante de medicina veterinária Marcos Davi Silva e Silva, de 26 anos, sente na pele a eficiência do racismo nosso de todo dia, na cidade mais negra do Brasil que é o segundo país mais negro do mundo .
Mesmo sendo o segundo país mais negro do mundo, o Brasil, inventa e reinventa modos e falas do ser branco.
O Brasil é um país racista, e agora, o que é que você tem com isso?

Estudante sofre racismo dentro do próprio prédio em Salvador
Publicada em 11/02/2012 às 16h57. Atualizada em 12/02/2012 às 08h49
Lucas Esteves

O estudante de medicina veterinária Marcos Davi Silva e Silva, de 26 anos, alega ter sofrido racismo dentro do próprio prédio onde mora, no bairro da Pituba, em Salvador. O fato aconteceu na manhã deste sábado (11) e teria sido praticado por uma idosa e sua filha no hall do edifício, localizado na rua Emílio Odebrecht, a mesma onde está a Praça Igaratinga.
Após voltar de uma academia, Silva esperava o elevador e, no momento que o veiculo apareceu, a mulher e sua filha saíram do local. Ao se depararem com o estudante de pele negra, a senhora não permitiu que o morador entrasse no elevador. Quando perguntou o porquê da atitude da vizinha, ouviu uma série de injúrias racistas em alto volume, reforçadas pela filha da idosa, que teria contribuido para a continuação dos xingamentos. O fato foi presenciado pelo porteiro e um zelador do prédio.
Imediatamente, o homem contatou um advogado e compareceu à 16ª Delegacia para registrar ocorrência de racismo. De acordo com o advogado do estudante, Edimário Maia, as duas moradoras cometeram dois crimes graves e inafiançáveis: injúria racista – quando há a ofensa relacionada à cor da pele - e segregação racial, relativo ao impedimento de acesso a locais devido ao critério do preconceito de cor.
“Segregação É muito mais grave ainda do que ser xingado. Segregação racial é o caso de impedimento de acesso a um local por racismo. Isto é muito sério. Ele foi impedido de usar o próprio elevador. E ainda mais em uma época em que estamos com um filme em cartaz no cinema, 'Histórias Cruzadas', que fala da questão racista no Mississipi dos anos 60”, opina o defensor de Marcos Davi.
Imediatamente após a ocorrência ter sido lavrada pelo delegado Alberto Schramm, os policiais civis compareceram ao prédio. No local, solicitaram ao síndico do condomínio o registro das imagens do circuito interno de câmeras que registraram o fato e também o comparecimento das duas acusadas e das testemunhas para prestar depoimento no caso. Todos deverão depor ainda no sábado e o plantonista promete enviar o inquérito à Justiça na próxima segunda-feira (13).
Consternação – Com voz em tom baixo devido à situação constrangedora, Marcos Davi Silva revelou ao Portal 10 Segundos, triste e ofendido, não conseguir entender por que recebeu os xingamentos racistas e como tal atitude ainda pode ser feita a um negro na cidade mais negra fora da África. Ele conta também que nunca teve problemas na vizinhança.
“Me senti muito ruim. E logo eu, que sou uma pessoa tão boa, não faço distinção de ninguém, trato todo mundo bem. Acredito que todos nós somos iguais. Estou muito ofendido, chateado, não consigo entender como alguém pode tomar uma atitude dessa hoje em dia. Ainda mais comigo, que não faço nada para ninguém”, resumiu decepcionado e enfraquecido.
O advogado explica que o cliente é conhecido não só em seu prédio mas também nos vizinhos, pois costuma receber pedidos de conselhos de outros moradores referentes a animais domésticos. Como estudante de veterinária, Marcos Davi voluntariamente se oferecia para tratar de alguns animais de vizinhos e por isto conhece vários deles, com quem interage na praça em frente ao condomínio.
Silva não pretende se mudar do prédio e diz que não fez nada de errado para se envergonhar e se esconder do restante dos moradores. Ele conta que teve a iniciativa de procurar um advogado e dar a queixa porque quer que seu caso seja um exemplo de como se deve agir diante de uma injúria racista e pretende dar a maior visibilidade possível ao caso.
“Pretendemos usar as redes sociais para dar maior visibilidade a este fato, ir para a televisão, fazer um flash mob em frente ao prédio amanhã (domingo, 12) para que as imagens cheguem à internet. E também vamos procurar as instituições históricas do movimento negro que defendem a comunidade, além da Promotoria de Combate ao Racismo do Ministério Público”, listou o advogado.
Já em seu nome, o estudante afirma que quer apenas que a justiça seja feita. “Faremos o que for possível para que isto não aconteça de novo, para que estas pessoas nunca mais façam isso com ninguém. Estamos aqui para que sejam tomadas as devidas precauções”, argumentou. Perguntado se as “devidas precauções” incluiam a prisão das duas acusadas, Marcos Davi deu de ombros. “Não desejo mal a ninguém. Quero que a justiça seja feita. E o que vier a acontecer com ela, sinceramente, não me importa nem um pouco”, disse, magoado.


Fonte: http://cotidiano.portal10segundos.com.br
 

Tags: racismo, segregação, Salvador