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Alagoas, 21 de março de 2010

Blog do Bob / Últimos Posts

19/03/2010 08:21

 

Safado é a cara do anjo! Ou:quem extorquiu os padres em Arapiraca?

por Roberto Vilanova

Safado é a cara do anjo! Ou:quem extorquiu os padres em Arapiraca?

Por volta de 1650, o gênio Gregório de Matos escreveu um soneto em resposta aos que criticavam sua depravação. Para mim é mais que soneto, porquanto encerra profecia. Diz assim:

Nesse mundo é mais rico quem mais rapa
Quem mais limpo se faz tem mais carepa
Ao nobre, a língua o vil decepa
E o velhaco maior sempre tem capa

Ouso traduzir o gênio para a linguagem atual, 360 anos depois:

Nesse mundo é mais rico quem não tem compostura
Quem mais limpo se faz tem mais sujeira
O vil decepa a língua do nobre – que fala besteira
E o delinqüente maior sempre tem cobertura

Sobre o escândalo em Arapiraca envolvendo padres, e que foi abordado com exclusividade pelo SBT em nível nacional, com o jornalista Roberto Cabrine, e, em Alagoas, pelo Cada Minuto,  com o jornalista Wadson Correia, está faltando um personagem – que é o pedófilo.

Mas, deve aparecer um adulto dizendo ter sido molestado pelos padres quando tinha doze anos. E por que deve aparecer?

Porque foi tudo orquestrado. Não estou defendendo os padres e também não me importa a opinião de quem ache que sim; graças a Deus sou anti-religioso, porque a religião é mesmo ópio da humanidade e, nessa condição, me sinto à vontade para escrever sobre o assunto.

1) Houve um flagrante forjado

2) Houve uma relação homossexual entre dois homens, e não entre um adulto e um menor.

3) Houve extorsão

Quem assistiu ao vídeo viu que os personagens se completavam na cama, que não houve coadjuvantes e que todos eram atores principais.

E a quem interessa o flagrante forjado contra o monsenhor? A quem interessa as denúncias contra os padres? Quanto custou a armação?

As duas primeiras perguntas estão sem respostas e não acredito que alguém procure responder - ainda que devesse. Já a segunda pergunta já foi respondida: alguém ganhou 30 mil reais – e não foi o ator principal.

Em ano eleitoral, é interessante também saber que os padres denunciados são mais que cabos eleitorais – são tenentes eleitorais e arranjam muitos votos.

Acompanho os comentários que descambam para críticas à Igreja Católica; muitos se aproveitam para mostrar que a religião que professam é melhor.

Gente! Religião é um negócio e negócio envolve dinheiro, e onde envolve dinheiro já se sabe como é que é. Então, não há religião, nem padre, nem monsenhor, nem bispo, nem papa, nem pastor, nem rabino, nem missionário que não seja pecador – e isto se dá por um princípio indestrutível da humanidade: de perto ninguém é normal.

A opção sexual não desmoraliza ninguém, nem reduz a fé. Para mim, o patife de toda essa história é quem armou o flagrante para extorquir.
 

Tags: Gregorio de Matos, pedofilia, igreja, padres, Arapiraca

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18/03/2010 09:14

 

FHC defende liberação de todas as drogas

por Roberto Vilanova

FHC defende liberação de todas as drogas

Antes de comentar sobre a campanha contra o consumo de crack, cabe lembrar a campanha contra o divórcio. O esforço que o senador Nelson Carneiro (RJ) fez para aprovar o projeto foi hercúleo.

A reação mais empedernida era da Igreja Católica. Na época eu estava no Jornal do Brasil e recebi uma pauta da jornalista Dora Kramer, editora de Política, para ouvir o senador Teotônio Vilela, o pai, sobre o que ele achava do projeto de Nelson Carneiro.

Por que ouvir o senador Teotônio?

Porque ele era irmão de dom Avelar Brandão Vilela, Primaz do Brasil, endeusado na Bahia e no Piauí. Dom Avelar, obviamente, era contrário ao projeto.

Lembro-me da resposta de Teotônio:

- O divórcio é um remédio que está lá na farmácia. Quem estiver doente, quem precisar, vai lá e pega. Quem não precisar...

A resposta do senador leva-me à posição defendida pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, acerca das drogas; FHC defende a liberação total para acabar com o traficante.

O ator Wagner Moura, que interpretou o Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite, produziu a frase mais inteligente nos últimos anos, ao se referir às drogas:

- A liberação não vai acabar com as drogas, mas acaba com o traficante. E o problema é o traficante.

É verdade.

Vamos deixar a hipocrisia de lado e vamos à realidade, e a realidade é que os métodos utilizados até agora falharam e nenhum método aplicado terá resultado positivo se a metodologia permanecer a mesma; se o enfoque for à repressão.

Nunca se falou tanto contra as drogas, nunca se falou tanto contra a pedofilia e nunca se falou tanto sobre a violência contra a mulher e, debalde, nunca se viu tantas drogas, nunca se viu tantos pedófilos e nunca se viu tanta mulher espancada.

Antes era a maconha, que se vendia livremente no mercado público de Maceió com o sugestivo nome de remédio para dor de mulher. Comprava-se para fazer chá contra a TPM; os espertos comerciantes na Feira do Passarinho compravam as sementes para misturar ao painço ou o alpiste e dar fogo nos curiós e canários.

Depois veio o haxixe, a cocaína, o crack e vem por aí a merla – que é outra borra da cocaína produzida com solução de bateria.

Tem também as drogas legais vendidas em farmácias – na verdade, drogarias. Na década de 60 eram injetáveis e se resumiam a duas variedades no máximo; hoje, o receituário é extenso; tem comprimidos variados e até colírio – que se inala provocando efeito devastador; o usuário perde a noção de tempo e espaço, para quem gosta de dançar solto é o canal nas baladas noturnas.

Além da metodologia errada, também contribui para o aumento do consumo de drogas a propaganda indireta – que vem pela repressão e pelos discursos confusos ou desinformados.

Na década de 1980, no Rio de Janeiro, as praias cariocas amanheceram com a grande novidade: latas de leite Ninho, daquelas grandes, cheias de maconha deram costa. A polícia explicou que um navio se livrou do flagrante despejando a carga no mar e a imprensa acreditou.

Quem não acreditou na versão foi o Gilberto Gil, que compôs a música Novidade – que diz assim: A novidade veio dar à praia, na qualidade rara de sereia, metade o busto de uma deusa maia, metade o grande rabo de baleia. A novidade era o máximo, do paradoxo estendido na areia.

Gente! A latas de leite Ninho cheia de maconha foi a tentativa que os traficantes cariocas fizeram para impedir a entrada do crack no Rio de Janeiro. O crack é tão devastador, que o traficante tentou evitá-lo.

O traficante carioca raciocinou assim:

O crack é uma droga compulsiva; o viciado precisa das pedras e para obtê-las precisa de dinheiro, e se não tem dinheiro vai roubar e assaltar. E se roubar e assaltar vai atrair a polícia, e a presença da polícia derruba as bocas.

Mas, de nada adiantou e o crack se espalhou pelo País inteiro; não há mais cidade, do Oiapoque ao Chuí, fora desse mercado mórbido de consumo.

Claro que, entre as propostas para o combate estão educação e a prevenção, mas não adianta educar se for mantida a curiosidade - que, na raça humana, vem no rastro de tudo aquilo que é proibido.

 

 

Tags: FHC, crack, proibido proibir

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17/03/2010 15:40

 

Collor diz a Lessa que não é candidato e Benedito de Lira sumiu

por Roberto Vilanova

Collor diz a Lessa que não é candidato e Benedito de Lira sumiu

Ainda que insista não ter dúvida, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) aproveitou o encontro com o senador Fernando Collor de Mello (PTB) para perguntar sobre os boatos que circulam em Maceió sobre a candidatura dele ao governo do Estado.

Collor disse a Lessa que não é candidato e Lessa acreditou. O encontro foi em Brasília e contou com a presença do empresário João Lyra (PTB), mas não contou com a participação do deputado federal Benedito de Lira (PP) – que sumiu.

Benedito vai se encontrar mesmo é com o governador Téo Vilela (PSDB) para definir se aceita o convite lhe feito para formar com o governo. O fato de o PP ser da base aliada do presidente Lula não tem implicação, assim como não tem implicação alguma o fato de o vice-governador José Wanderley pertencer ao PMDB lulista.

Haveria apenas a troca de nome e de partido da base aliada de Lula, na composição com Téo. Ou seja: sai o PMDB e entra o PP lulista, e tudo seguirá na mais perfeita hamonia porque o importante é que o mandato sobreviva.

No chapão, Benedito de Lira já fez os cálculos e concluiu que é sem futuro para ele e o filho Artur – que é candidato a deputado federal e precisa desesperadamente da imunidade parlamentar.

 

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17/03/2010 10:10

 

Na eleição em 2006 o cupim comeu 1 terço das urnas. Este ano, quanto comerá?

por Roberto Vilanova

Na eleição em 2006 o cupim comeu 1 terço das urnas. Este ano, quanto comerá?

Em 2006, na eleição majoritária em Alagoas, 1 terço das urnas eletrônicas apresentaram erros gravíssimos.

O número assusta porque é tolerável que uma ou duas dúzias de urnas eletrônicas apresentem problemas, mas é estranho – muito estranho – que quase 500 das pouco mais de 1 mil e 500 urnas tenham apresentado problemas.

E problemas sérios, tipo:

121 urnas não estavam com o programa de totalização dos votos instalados.

157 urnas tiveram o número de identificação alterado quando a votação já tinha sido iniciada.

162 urnas registraram na memória códigos totalmente desconhecidos.

29 urnas tiveram os votos computados, mas não estavam no registro do TRE

Em Branquinha e Taquarana os votos foram registrados com códigos de cidade inexistente, ou seja, oficialmente não existiu eleição no município e, se existiu, não se sabe até hoje para onde foram os votos.

Em 36 cidades não foi comprovado que os candidatos estavam com a votação zerada, antes de começar a eleição.

Também foi comprovada a existência de urnas perdidas no tempo, ou seja, a eleição foi realizada em outubro de 2006, mas essas urnas registraram a data de 17 de junho de 2002.

Finalmente, na eleição de 2006 votaram 1 milhão 514 mil e 113 alagoanos, mas no sistema do TRE descobriu que 22 mil 502 eleitores sumiram do mapa. Literalmente.

A perícia realizada pelo insuspeito Instituto Tecnológico da Aeronáutica concluiu que:
- Um ou dois tipos de erro seriam aceitáveis, mas a quantidade e o padrão das irregularidades verificadas são inadmissíveis. Isso não é uma questão menor. Pela gravidade e extensão dos problemas, os indícios de fraude são fortes (sic).

Isto quer dizer: se não mataram o cupim; se o cupinzeiro foi mantido hibernando é bom tomar cuidado porque esse tipo de cupim se alimenta de votos eletrônico. Trata-se de cupim cibernético.


 

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16/03/2010 00:32

 

Pernambuco anuncia seu 3º estaleiro e Zé Costa acusa Renan de trabalhar contra estaleiro de Alagoas

por Roberto Vilanova

Pernambuco anuncia seu 3º estaleiro e Zé Costa acusa Renan de trabalhar contra estaleiro de Alagoas

Depois de ganhar o Estaleiro Atlântico Sul e anunciar a construção de um segundo estaleiro, o governo de Pernambuco está em negociação para implantação do terceiro estaleiro no Estado.

A notícia está na revista Isto É desta semana, mais precisamente na coluna do Ricardo Boechat.

Esse terceiro estaleiro seria construído pelo consórcio do qual faz parte a empreiteira Queiroz Galvão. Os entendimentos estão adiantados e tudo indica que o vizinho vai instalar três estaleiros, enquanto o estaleiro prometido para Coruripe emperrou.

O advogado José Costa culpa o senador Renan Calheiros (PMDB); ele diz para quem quiser saber que Renan conseguiu impedir a liberação do dinheiro pelo BNDES.

- A propaganda é enganosa. O senador Renan diz na televisão que trouxe dinheiro e isto não é verdade. O senador Renan conseguiu sustar no BNDES a liberação dos recursos financeiros, não só para a construção do estaleiro em Coruripe, mas para a duplicação da rodovia para a Barra de São Miguel – dispara Zé Costa.

Segundo ele, o empresário está revoltado e ameaça levar o projeto para Pernambuco. Tomara que seja coincidência o anuncio do governo pernambucano sobre a implantação do terceiro estaleiro no Estado.

Na nota do Ricardo Boechat tem outra informação que recomenda colocar as barbas de molho: a Daihatsu, fabricante de motores para navios, tem tudo para se instalar em Pernambuco.

É preocupante.

O advogado José Costa é um profissional respeitado e não iria fazer uma acusação dessa natureza se não possuísse provas. E, como não se explica o atraso do BNDES; como o dinheiro não é liberado, então alguém se sentou mesmo em cima do processo.

Deve ser a sina de Alagoa, que vem da década de 1960 quando levaram o escritório da Petrobras para Aracaju. Recentemente levaram a termelétrica para Pernambuco – que funciona com o gás do Pilar; levaram a cervejaria para Sergipe e assim de perdas em perdas caminha o alagoano.

Para construir Suape o governo pernambucano desmatou o mangue e não se viu nem ouviu queixas dos ecologistas. Mas, contra o estaleiro de Coruripe já se ouviu as vozes tenebrosas dos gigolôs da Natureza.

Se Alagoas perder o estaleiro e o alagoano não se rebelar é porque merecemos mesmo os políticos que temos.
 

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15/03/2010 19:01

 

Benedito de Lira falta à reunião do chapão, mas vai à reunião com Téo Vilela

por Roberto Vilanova

Benedito de Lira falta à reunião do chapão, mas vai à reunião com Téo Vilela

O deputado federal Benedito de Lira não foi à reunião do chapão, nem mandou representante. Mas, já confirmou que vai ao encontro do governador Téo Vilela – que mandou emissário convidá-lo para uma conversa reservada.

Será a segunda vez que Benedito se encontra com o governador para tratar do mesmo assunto – que é a coligação do PP com o PSDB.

Benedito está muito balançado a aceitar o convite do governador; ele pode figurar como vice-governador de Téo. Sua ausência na reunião do chapão na manhã desta segunda-feira, 15, foi recebida como sinal de debandada.

Benedito de Lira diz que não tem saída se quiser eleger o filho Artur à Câmara Federal. No chapão a chance de o filho dele se eleger é remotíssima. Já ao lado do governo, o filho de Benedito se elegeria sem problemas – é o que o pai acredita.

Eu acho que o deputado Benedito de Lira já arrumou as malas e vai só com passagem de ida para o ninho tucano.


 

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