Vivemos no tempo das urgências. Tudo é pra ontem. Tudo é pra agora.

Responder a mensagem, entregar a planilha, resolver o problema, marcar a reunião, revisar o documento, mandar o e-mail, abastecer a geladeira, cuidar dos filhos, cuidar da casa, cuidar de tudo — menos de nós.

Estamos sempre correndo, como se o mundo fosse explodir se a resposta demorar cinco minutos. Como se a nossa paz interior pudesse esperar.

Vivemos de alarmes, de notificações, de lembretes e prazos.

E nos tornamos bons nisso: bons em ser produtivos, bons em atender expectativas, bons em apagar incêndios. Mas ruins em respirar.

Nossas urgências nos consomem. 
Transformaram o cotidiano num campo de batalha: a guerra contra o tempo.

E, no fim do dia, é ele quem vence — sempre.

É urgente entregar o relatório, sim.

Mas também é urgente almoçar com calma.

É urgente bater as metas, claro.

Mas também é urgente não perder os aniversários, os sorrisos, os silêncios.

O que a vida anda nos dizendo — mesmo que a gente não queira ouvir — é que precisamos desacelerar. Nem tudo pode ser prioridade.

Nem tudo merece urgência.

Porque senão, vamos continuar vivendo só para responder demandas. E esquecendo de viver.