Em determinado momento do ano passado, alguns meses antes da eleição, o grupo do então prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, bateu o martelo sobre o candidato à sucessão. Fechando o segundo mandato, GG não poderia concorrer para mais quatro anos. Contrariado, decidiu importar um nome do município de Porto Calvo. Para fortalecer a candidatura, GG deu o sobrenome Gonçalves ao forasteiro Pedro Carlos da Silva Neto. No topo dessa operação política, estava o deputado federal Arthur Lira.
Como você sabe, GG e seu parente fake romperam logo após a virada para 2025. O motivo da briga não é mistério para ninguém. O ex-prefeito jamais cogitou se afastar do comando, mesmo não sendo mais o chefe da prefeitura. Para ter passe livre, GG criou uma secretaria sob encomenda para ele mesmo. Depois de tudo o que veio a público, Pedro Carlos – o prefeito de direito, mas não de fato – exonerou o secretário-bomba.
Mas eu comecei falando do acordo que fez de Pedro Carlos o candidato de GG na eleição municipal de 2024. Nos corredores da prefeitura e demais repartições, corre solto que um dos itens da aliança vitoriosa é justamente uma carta-renúncia, assinada desde aqueles tempos, pelo ainda candidato. GG impôs o seguinte: o documento seria usado por ele, no caso de rompimento entre as partes. É o que tá rolando agora.
Pera um pouco! Parece insano, mas é isso mesmo o que teria acontecido, segundo personagens relevantes do município. O cara ganha o posto de candidato a prefeito, mas sob a esdrúxula condição de assinar uma carta-renúncia a ser eventualmente usada no futuro pelo padrinho de sua candidatura. Seria o jeito encontrado por GG para manter o sucessor no cabresto. O ex-prefeito, portanto, “cumpre” o acordado entre as partes.
É por isso que o presidente da Câmara, Rogério Silva, se mostra tão assertivo (desculpem) na investida contra o prefeito. O vereador diz ter certeza de que uma perícia técnica pode confirmar a autenticidade da assinatura do prefeito na tal carta de renúncia. A absurda história, que ouvi de mais de uma fonte, é comentada no meio político desde o fim do ano passado. Que as investigações esclareçam o que realmente ocorreu.
Na foto, GG e Pedro Carlos, o ex e o atual prefeito, antes do rompimento.