O realismo fantástico se revigora em Rio Largo. Na tarde desta segunda-feira 31, o presidente da Câmara Municipal assumiu o cargo de prefeito após o titular apresentar uma carta de renúncia. Mas esse enredo é todo falsificado. Em texto anterior, escrevi sobre a situação caótica na gestão do município, desde que Carlos Gonçalves assumiu o cargo, mas não consegue governar. O antecessor insistia em continuar dando as ordens.
Carlos Gonçalves é o nome fantasia do prefeito Pedro Carlos da Silva Neto. Ele foi eleito com o apoio ostensivo de Gilberto Gonçalves, o homem que se recusa a tomar assento na cadeira de ex. Pelo que a Câmara aprontou, o presidente da Casa, vereador Rogério Silva, tomou posse como prefeito interino após a “vacância” dos cargos de prefeito e vice. Mas, no dia seguinte, a Justiça anulou o festival de marmotas da Câmara.
A vereança rio-larguense insiste na versão de que correu tudo certo na sessão que trocou o comando da prefeitura. A presidência alega ser verdadeira a assinatura que Pedro Carlos denuncia como falsificada. Tudo isso, se não chega à categoria do realismo fantástico latino-americano, combina com a Sucupira de Odorico Paraguaçu e Dias Gomes. Em resumo, ex-prefeito elege o sucessor e, logo após, tenta cassar o “aliado”.
Nesta quarta-feira, a Câmara de Rio Largo recorreu da decisão judicial que anulou a sessão da segunda-feira 31. A procuradoria-geral do Legislativo garante que as assinaturas do prefeito e do vice são verdadeiras. No meio da confusão, claro, a polícia teve de ser acionada. Dois delegados comandam uma investigação sobre o caso.
Os protagonistas desse novelão são filiados ao Progressistas, o partido cujo dono em Alagoas é o deputado Arthur Lira. Gilberto Gonçalves é parceirão do ex-presidente da Câmara Federal e, suponho, deve ter explicado ao líder essa estratégia alucinada. Nas redes sociais, o senador Renan Calheiros saiu em defesa do prefeito Pedro Carlos.
Os acontecimentos em Rio Largo não têm relação com arengas ideológicas, polarização, esquerda, direita ou extremismo. É boa oportunidade para nos lembrar da política como ela é – intimidação, força bruta, indigência de princípios. É o que se constata diante da sequência de episódios muito fora da normalidade. Segue o drama.