Fonte: MIT Sloan Management Review Brasil

A história do Brasil é marcada por ciclos de formação de lideranças políticas que foram moldando o destino desta nação. Desde a época colonial até o presente, a emergência de líderes carismáticos e comprometidos com a transformação social foi crucial para enfrentar os desafios do país. A análise da formação dessas figuras, em comparação com experiências de países como Argentina, Estados Unidos e Itália, revela lições valiosas sobre a construção de novas lideranças.

No Brasil, líderes como José Bonifácio, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek desempenharam papéis fundamentais na configuração da política e da sociedade. José Bonifácio, conhecido como o "Patriarca da Independência", foi essencial para o processo de emancipação do Brasil, defendendo a união nacional e a modernização do país. Getúlio Vargas, por sua vez, instituiu reformas sociais e trabalhistas que moldaram a identidade brasileira e promoveram a inclusão social. Já Juscelino Kubitschek, com seu lema "cinquenta anos em cinco", impulsionou o desenvolvimento econômico e a construção de Brasília, simbolizando a esperança de um futuro próspero.

Na Argentina, figuras como Juan Domingo Perón e Evita Perón foram fundamentais na construção de um movimento populista que buscava a justiça social e a participação popular. O legado de Perón ressoa até hoje, mostrando como a conexão emocional com as massas pode cimentar uma liderança forte. Entretanto, é necessário um processo contínuo de formação de lideranças que possam se sacrificar na busca de diversas pautas importantes para o desenvolvimento da sociedade. 

Nos Estados Unidos, líderes como Abraham Lincoln e Martin Luther King Jr. exemplificam a importância da liderança moral e da luta por direitos civis. Lincoln, ao preservar a união durante a Guerra Civil, e King, ao liderar o movimento pelos direitos civis, demonstram que a ética e a visão são essenciais para a formação de lideranças duradouras. Na Itália, o papel de líderes como Giuseppe Garibaldi na unificação do país destaca a importância da coragem e da paixão na luta por ideais. A história italiana ensina que a mobilização popular e o engajamento cívico são fundamentais para a construção de novas lideranças.

Os exemplos internacionais ressaltam que a formação de lideranças vai além de características individuais; envolve contextos sociais, políticos e econômicos. No Brasil Chico Mendes lutou pela preservação da Amazonia e pelos direitos dos trabalhadores rurais.  A educação e a capacitação em ambientes acadêmicos e empresariais são vitais para o surgimento de novas lideranças. Investir em programas de liderança que promovam habilidades como pensamento crítico, empatia e comunicação pode preparar indivíduos para enfrentar os desafios contemporâneos e se tornarem agentes de transformação. 

Entretanto é necessário muito mais que isso! É preciso transformar nossa cultura na busca de maior engajamento da sociedade.  O renomado cientista político Alexis de Tocqueville, em sua obra "A Democracia na América", enfatiza a importância da participação cívica e do engajamento da sociedade nas decisões políticas. Tocqueville afirma que a democracia se fortalece quando os cidadãos estão ativamente envolvidos na vida pública, contribuindo para a formação de um espírito cívico.

 Nesse sentido, a omissão da população nas discussões políticas resulta em um vácuo que pode ser preenchido por lideranças irresponsáveis ou autoritárias, que não refletem os interesses e necessidades do povo. Portanto, a promoção de espaços de diálogo e participação social são fundamentais. O envolvimento da sociedade civil na política, por meio de plataformas de participação e mobilização, pode fomentar um ambiente propício para o surgimento de líderes comprometidos com mudanças e melhorias na sociedade.

Assim, a formação de novas lideranças políticas e sociais no Brasil deveria ser um processo contínuo e não de soluços voluntariosos. A história nos ensina que a combinação de carisma, ética e compromisso com a comunidade em que se vive é essencial para a construção de lideranças efetivas. A sociedade não pode se omitir da discussão política, pois, no fim, será ela a sofrer as consequências dessa omissão. De acordo com o teórico da ciência política Robert Dahl, a democracia não é apenas uma questão de instituições, mas também de participação ativa da sociedade. 

George Santoro