Não sabia quem é Clara,( ainda não sei), antes de esbarramos, ‘coincidentemente’, no passeio público do Corredor Vera Arruda, nem sabia de sua existência no mundo.
Mas, daí o Universo deu uma mexida e fui presenteada com um gesto de extrema delicadeza, da mocinha.
Ela talvez não tenha idade suficiente, pra ser adulta, uma adolescente beirando seus 17 anos, de longos cabelos presos em um simétrico rabo de cavalo.
E estava eu, numa noite de quinta-feira , indo à casa de minha mãe, depois de um dia exaustivo de atividades, o corpo já querendo repouso e gritando: preciso descansar!
Apesar da boca da noite o calor estava nas alturas. A combinação perfeita: calor, cansaço e a ausência do tendão de Aquiles, na perna direita , que já não tenho mais, tornando o passo miúdo e a distância maior.
O tendão de Aquiles foi-se em um acidente de percurso.
Bem, voltando a história, caminhava eu, me desviando de crianças que jogavam bola, andavam de skate , aulas de dança e etc e tal, carregando o corpo e a sacola em um passo sequencial.
De repente, a moça passa numa corrida de treino e, logo em seguida , a vi do meu lado, inquirindo:
-Desculpe perguntar, a senhora precisa de ajuda? Quer que eu leve suas sacolas?
-Eu, uma mulher que sempre teve força de mover mundo, respondi abruptamente:- Não!
- Tá bom! disse ela e retornou ao treino.
Em um átimo de segundos, reli o momento e gritei:- Como é o seu nome?
E ela:- Clara! E o seu? -reperguntou.
Disse-lhe e agradeci o gesto extremo de delicadeza:
E, a menina:- Isso é o mínimo que posso fazer.
-Obrigada, Clara!
-Não tem de quê. -Afirmou ela. Fique com Deus!
E se foi.
O gesto de extrema delicadeza de Clara afagou a alma desta ativista, porque, além de ter sido bem bonito, está cada vez mais difícil, nos dias de hoje.
Obrigada, Clara!.