"Meninas pretas não  podem ser rainhas."
Essa é uma narrativa cristalizada e corrente do sistema  social que prega a hegemonia branca e  condiciona o pensamento de pret@s a se manter longe dos degraus de ascensão social .
Sempre houve em Áfricas uma  linhagem suprema e sagrada de reis, rainhas que subjugad@s pelos sistema capitalistas foram  deportados como mercadoria barata e submetid@s ao consentido escravismo brasileiro.
A simbologia da realeza  sempre foi uma questão hegemônica e branca. 
O Brasil é um país racista
Para meninas pretas paridas na parda terra de Cabral sempre foi probido sonhar com coroa ou faixas de princesa, rainha ( mesmo de mentirinha, como a rainha do milho na escola, por exemplo)
Mesmo o  suposto título  sendo de mentirinha,a exclusão social,enredada com o racismo mortal triturou muitas almas e auto-estimas infantis.
  A simbologia das periferias invisíveis que ainda nos ronda ,e ousa querer nos massificar.
E para quebrar o encanto desse ocaso e ainda, atropelando o viés racista da historiografia brasileira, na noite do dia 26 de julho de 2019, em Casa de Angola, no Pelourinho, em Salvador na Bahia de Todos os Santos,símbolo da resistência negra, eu,mulher preta, ativista alagoana, nordestina fui  tornada,oficialmente, uma rainha Nzinga, obstinada líder política e militar que, por quarenta anos, impediu que os portugueses penetrassem no continente africano. 
E na entrega da homenagem, cuja indicação foi da ativista mineira  Maria Catarina Laborê,durante a ação iniciativa do NEAFRO, Minas Gerais, coordenado por Hilário Bispo e executado por mulheres retas de Salvador, nosso ativismo preto foi reconhecido, reafirmando,assim, o 25 de julho, Dia Nacional da Mulher Negra e da Rainha do século Tereza de Benguela( Lei nº 12.987, de 2 junho de 2014).
Eu, uma preta que veste blazer fui,simbolicamente, entronizada  com a coragem e a coroa da rainha Nzinga pra continuar seguindo em uma tajetória carregada de somas coletivas. Identidade.Pertencimento. 
Afinal , ocupamos o  lugar que quisermos e não aqueles em que o racismo tenta nos aprisionar e quem decide escreve a história do povo preto é o povo preto.
 Lugar de fala, entende?
Sigamos coroadas.