por Paulo Veras
A entrada da deputada federal Célia Rocha (PTB) na disputa pela prefeitura de Arapiraca foi o fato político da semana. Não apenas por ser decisivo para o processo eleitoral na segunda maior cidade do Estado, mas pela repercussão política que pode desencadear. Nova favorita da disputa de outubro próximo, Célia Rocha é considerada uma unanimidade na cidade. Foi prefeita de Arapiraca por dois mandatos entre 1997 e 2004. Sucedeu-lhe o prefeito Luciano Barbosa (PMDB), que comanda o município de 2005 até hoje.
Foi Luciano Barbosa quem anunciou a candidatura de Célia Rocha antes dela mesma, no dia 31 de janeiro. Até então, o candidato do prefeito era o secretário Ricardo Teófilo. A consolidação da candidatura de Teófilo, porém, tinha um inconveniente: seu irmão, o secretário estadual de Coordenação Política Rogério Teófilo, também ambiciona o mesmo cargo. No final do ano passado, o governador Teotonio Vilela Filho foi até Arapiraca oficializá-lo como seu candidato.
Sobre a candidatura de Célia Rocha, Rogério Teófilo disse que esperava que ela fosse procurá-lo para por o assunto em pratos limpos. Ressaltou que “há oito eleições” ambos comungam do mesmo projeto político e não entende porque a deputada o teria abandonado. Célia entende muito bem. Na coletiva em que anunciou oficialmente a candidatura, disse que conversou com Rogério durante um ano para tentar dissuadi-lo da ideia em favor do irmão. Chegou a citar a vaidade como um entrave a unidade do grupo, mas disse que após as eleições a amizade pessoal dela com Rogério continua.
No plano político, porém, ele ficou isolado. A própria popularidade do governador Teotonio Vilela em Arapiraca se deve, em grande parte, a aliança com Célia Rocha. Pior que isso, a deputada vai às ruas com o apoio dos dois maiores ícones de oposição ao governo tucano. Une em seu palanque, ao mesmo tempo, as adesões dos senadores Fernando Collor (PTB) e Renan Calheiros (PMDB).
O grupo que turbina a chapa já chamativa de Célia Rocha tem interesses que ultrapassam 2012 e se concretizam em 2014. Fernando Collor vai disputar a re-eleição para o Senado. Seu mais provável rival é o próprio governador Téo Vilela. Já Renan Calheiros é constantemente lembrado como candidato ao governo do Estado. Para os dois baluartes da oposição, enfraquecer a popularidade de Vilela nesse ano pode ser decisivo para os próximos passos do xadrez político que se desenha. Arapiraca é uma trincheira importante e, pelo que se visualiza hoje, a oposição parece ser mais eficiente na “articulação política” que o encarregado do governo.
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