Por Josivaldo Ramos
Em um país de dimensões continentais, onde a via terrestre ainda é a primeira opção de deslocamento, quer pelo custo, sobretudo no transporte de mercadorias, quer pelo limitado leque de opões, já que nosso país não investe em ferrovias e hidrovias, que seriam boas opções de logística e de economia; é também pela via terrestre por onde se transportam diariamente os insumos do submundo do crime: Produtos contrabandeados, armas, munições e drogas.
Ainda assim, muito pouco ou quase nada se investe no efetivo combate ao transporte dos insumos do crime; alega-se, quase sempre, o baixo efetivo policial, além do sucateamento da Polícia Federal, a quem cabe o combate ao tráfico de drogas e ao contrabando internacional.
No entanto, me deparei nos últimos dias, em dois estado diferentes, Alagoas e Minas Gerais, com uma “operação” do Exército Brasileiro, quando para minha surpresa, os referidos militares estavam na verdade a realizar uma pesquisa sobre as estradas brasileiras e os veículos que por elas cortam este país.
O carro no qual me encontrava, em trânsito entre os municípios de Maceió-AL e União dos Palmares-AL, foi interceptado entre os municípios de Rio Largo-AL e Messias-AL, o militar se aproximou do veículo, quando pude perceber que em vez de arma o militar portava um tablet, onde após informar que estava realizando uma pesquisa, disparou: “Estão a passeio ou a trabalho? Quantas vezes em média você faz este percurso? O veículo é flex ou qual o combustível utilizado no veículo? Qual o ano do veículo? O que você considera mais importante em uma rodovia: Sinalização, duplicação ou bom estado da via?”
Bom, certamente que os questionamentos feitos pelo militar são relevantes quando se pretende implementar alguma ação voltada a melhoria das estradas brasileiras, contudo, também faço um questionamento: Seria o Exército Brasileiro o mais indicado para realizar esta pesquisa? Se o Exército pode ocupar as estradas para realizar uma pesquisa ele também pode ocupar as estradas para combater o tráfico de drogas armas e outros insumos do crime? Pensem nisso!