Cada Minuto [atalho H]
08/11/2011 - 23:43

A USP precisa da PM?

Olá, pensadores!

No último dia 27, três estudantes foram flagrados pela PM de São Paulo usando maconha no campus da USP. Detidos pelos policiais, os universitários receberam o apoio de outros estudantes e de alguns professores, que conseguiram negociar com a polícia para que os detidos não fossem presos e apenas assinassem um TCO, comprometendo-se a comparecer à justiça posteriormente.

Efetivada a negociação, uma das viaturas policiais, que conduzia o delegado do distrito regional, deixava o campus quando um grupo também de universitários, que acompanhava a ação, desavisado e acreditando que os jovens flagrados usando drogas ainda estavam presos, jogou objetos no veículo, subiu nele, abriu a porta da mala à força e quebrou um dos vidros da viautra. A PM, diante da agressão, não contou história: gás lacrimogêneo e balas de borracha. Esse relato é da jornalista Maria Eugênia Flores, da Rádio CBN, que estava no local, e pode ser ouvido aqui.

Na sequência dos acontecimentos, alguns estudantes invadiram prédios da instituição, incluindo a Reitoria, em protesto contra a PM que, desde setembro, vem atuando no campus da instituição por força de um convênio celebrado entre a corporação e a universidade. O convênio, inclusive, nasceu do clamor anterior dos próprios estudantes, que protestaram para chamar atenção para o fato de o campus estar abandonado, sem segurança, sendo palco de inúmeros crimes. Confira-se, aqui, por exemplo, a opinião de um estudante do doutorado da USP sobre a onda de criminalidade na IES.

Pois bem. Diante desses fatos, passei a me questionar: que espécie de aluno faz protestos, como os que estavam sendo feitos na USP, para que a Polícia Militar deixe de executar, no campus da universidade, seus serviços de policiamento ostensivo e de segurança pública?

Qual é o perfil do aluno que, inflamado ao ponto de quebrar viaturas, portas, móveis e tantos outros bens públicos (como os da reitoria), pinta a cara, ensaia gritos de ordem e vocifera, com as veias inchadas, que a polícia militar deve deixar a universidade, sob o argumento de que “PM mata, maconha não”? Qual é o perfil do aluno que, verdadeiramente, teme as rondas policiais? 

Certamente, não é aquele que vê na universidade o local de oportunidade e transformação social. Nem daquele que, ciente de seu papel político estudantil, integra os centros acadêmicos ou os diretórios discentes e encampa reivindicações que visam melhorar a universidade, a vida acadêmica dos estudantes. Aliás, os CA e DCE com esta missão parece estarem cada vez mais raros.

A verdade é que para alguns estudantes – que, não raro, são os mais barulhentos e supostamente os mais corajosos, libertários, revolucionários, etc. – a universidade parece se tornar um pretexto para o “tudo posso”. Uma espécie de terra sagrada e imune, onde o Estado não deve intervir, se não autorizado pelo DCE. É na universidade que, geralmente, os ex-secundaristas tomam seus primeiros grandes porres: de conhecimento, de política, de álcool e, também, de outras drogas ilegais. Alguns separam esses porres e vivem ressacas que lhes amadurecem. Outros, misturando as substancias, entram numa espécie de devaneio revolucionário e se acham super homens, dotados de super poderes universitários. Digo isso de cátedra, porque, quando aluno da UFAL, tive alguns amigos assim.

Não, não. A universidade não é, nem deve ser, a “casa da mãe Joana”. As bombas incendiárias encontradas hoje com os invasores da reitoria da USP, acaso tivessem sido usadas, não deveriam ser vistas como ações menos criminosas só porque cometidas por universitários e seus ideais não convencionais de vida e sociedade. O crime cometido dentro do campus, por universitários que ocultam a face em capuzes, não é menos crime que o praticado na rua, na favela, na zona norte ou em qualquer lugar, por quem quer que seja.

Do mesmo modo, a universidade não deve servir de campo de força para acobertar o que os revoltosos hoje chamam de “democracia”: usar livremente as drogas que julgam contribuir para a sua formação profissional. Se é justa ou não a proibição do uso de drogas é outra questão que deve ser combatida através de meios próprios. O que enfatizo aqui é que, independentemente do lugar, comercializar ou usar drogas ilícitas não é mais ou menos permitido. E, nesses casos, a PM, a Polícia Civil, a Polícia Federal ou a Guarda Universitária, nas universidades que possuem este órgão, têm o dever de agir. E boa parte dos estudantes da USP, veja aqui, concorda com isso!

A ida da PM para a USP não foi uma caçada aos “maconheiros” do campus, que com seu “vício democrático” ajudam a financiar o narcotráfico. Estes estão sendo flagrados reflexamente e, sobretudo, porque errados. A força de segurança está na Universidade justamente para evitar que os habitantes da cidade universitária, entre os quais os citados usuários de drogas, sejam vítimas da rotina alarmante de crimes violentos que passou a assolar aquele ambiente acadêmico. A USP tinha se tornado um local mais violento que muitas favelas de São Paulo. Mas, como nem todos estão satisfeitos, a pergunta tem de ser respondida: a USP precisa de PM?

A solução para o impasse, a meu sentir, deve ser obtida de forma democrática, palavra tão usada, e tão pouco compreendida, pelos manifestantes. Convoque-se uma espécie de plebiscito universitário, onde todos os universitários, professores e técnicos decidam se a PM (ou qualquer outra força de segurança) deve, ou não, permanecer no campus. Não haveria forma mais legítima para dirimir a controvérsia e, também, não haveria forma mais justa para que todos arcassem juntos pela escolha que a maioria viesse a decidir.

 

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Redação

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