Olá, pensadores!
Independentemente de inclinação político-partidária, temos de ter em mente que com certas coisas não se brinca. Não se pode fazer da doença, seja qual for ela, nem instrumento de populismo, nem de desdém decorrente da adversidade política.
Em janeiro de 2010, Lula, ainda presidente da República, durante um discurso na inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Recife, usando de sua ferramenta mais poderosa – o populismo – declarou que o Sistema Único de Saúde no Brasil, após os 8 (oito) anos de seu governo, estava tão bem aparelhado e funcionando de forma tal que “dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido”.
Por curiosidade (eu não quero dizer que foi castigo, não acredito nisso), nesse mesmo dia, nesse mesmo evento, Lula sentiu-se mal e foi levado para... Para a UPA? Não, não. Lula foi levado para o Hospital Português de Recife, da rede particular, um dos melhores hospitais do Brasil.
Longe de mim a hipocrisia de acreditar que o presidente da república seria mesmo atendido pelo SUS. Não seria, nem deveria ser. Como mandatário da nação, elemento que, por força da representação e legitimação popular, dirige os destinos do País, o presidente deve gozar, mesmo, de atendimento especial e ter, à sua disposição, a melhor das equipes médicas. É meio difícil de entender, mas da saúde do presidente da república, muitas vezes, é que decorre a saúde do País.
Contudo, o discurso populista de Lula é que incomodava e faz nascer essa natural repugnância por parte de seus não simpatizantes. Ter vontade de ficar doente pra ser atendido no SUS? O populismo (e não a popularidade) desmedido do então presidente é que é merecedor do nosso mais profundo escárnio.
Recentemente, Lula foi diagnosticado como portador de um tumor maligno na laringe e será submetido a um tratamento quimioterápico para combater a enfermidade. Imediatamente, nas redes sociais, milhares de pessoas, lembrando do episódio de 2010, passaram a criticar ferrenhamente o ex-presidente e lançaram uma suposta campanha, pedindo a Lula que trate seu câncer no SUS. Questionam: “Ele não disse que dava vontade de ficar doente para se tratar no SUS?”. E concluem: “Está aí a oportunidade!”.
Do mesmo modo que Lula errou ao usar seu populismo e dizer o que disse em Recife, seus adversários erram, hoje, quando não levam em conta que, antes de ser um petista ou um populista, Lula é um homem de carne e osso que, hoje, encontra-se portando uma doença que, não obstante ter grande possibilidade de cura, é das mais temidas. Como dito no começo desse texto, doença não deve ser mote para alfinetadas partidárias e isso vale tanto para Lula quanto para seus opositores.
Ao ex-presidente, desejo sucesso na recuperação, seja ela numa unidade do SUS, seja ela no Sírio Libanês. Quando estiver curado, que volte para o cenário da política para, aí sim, receber as críticas ou os elogios que suas ações merecerem.
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