Cada Minuto [atalho H]
12/10/2011 - 22:57

Basta, Rafinha Bastos!

Olá, pensadores!

Eu devo fazer parte de uma minoria absoluta: eu não gosto do programa CQC. Não obstante reconhecer que algumas das matérias são muito interessantes, tanto pelo formato quanto pelo conteúdo e time de alguns dos repórteres, aquela bancada, liderada pelo artificial Marcelo Tas e ladeada pelos forçadores de barra, Marco Luque e Rafinha Bastos, faz-me mudar de canal sempre que tento ver o programa.

Autointitulado de humor inteligente, o CQC e sua bancada estão longe de qualquer coisa que se possa dizer, de verdade, que possui inteligência. Caras e bocas, gritinhos e piadas rápidas, é verdade, mas quase sempre de péssimo gosto, sinceramente, não conseguem me fazer dar as risadas que, acho, seria a intenção do programa.

Devo confessar que sou adepto e fã da forma de se fazer comédia atualmente. O humor de cara limpa, antenado com a realidade, feito no improviso e com uma inteligência sutil capaz de nos fazer rir das coisas mais simples. Um humor que utiliza a lógica do cotidiano, caricaturado, sem agredir e sem ofender. E, quando há uma ponta de ofensa, o conteúdo cômico é tão imensamente maior que você é capaz de distinguir, a léguas: foi apenas uma piada.

Mas, a bancada do CQC e, em especial, o insuportável Rafinha Bastos, macula essa nova onda de se fazer comédia, quando, muitas vezes, perdendo o time do texto ou, o que é pior, deliberadamente, iam além da piada, ofendendo duramente a personagem ou o assunto comediado. Ou, como no caso da cantora Wanessa Camargo, deixavam a piada de lado e partiam para a ofensa pura e crua, sem receios, nem remorsos.

Somente na cabeça de um "ser de suprema inteligência", seguido no Twitter por três milhões de pessoas, expressar que “comeria ela [Wanessa Camargo] e o bebê [a cantora está grávida]” pode soar como uma piada. Desculpem-me mas não se trata de puritanismo, nem de conservadorismo. Na verdade, trata-se de bom senso e, paradoxalmente, de inteligência. Se fazer humor com inteligência é dizer, ainda que sem intenção real, apenas para parecer o “polêmico”, que faria sexo com um recém-nascido, prefiro continuar burro.

Rafinha Bastos, no auge da fama que certamente possui, fama construída por seu modo irreverente de tratar todos os assuntos, talvez esteja certo que pode verbalizar qualquer asneira, pode fazer piada com qualquer assunto, pode fazer apologia a qualquer prática animalesca, que será, justamente pelo grau de “coragem”, idolatrado. E, por incrível que pareça, muita gente pensa exatamente assim. Nossa sociedade dá um valor exagerado àquele que subverta qualquer tipo de convenção moral, como se toda construção moral fosse noviça, inútil e antiquada. "Ah, estuprar um bebê é um piada inteligente! Vamos curtir!". Onde vamos parar?

Pois eu, meus amigos, penso exatamente o contrário. A piada verdadeiramente boa é aquela capaz de deixar, na lembrança, apenas os risos. Se alguma coisa mais ficou, a piada nem foi boa, nem foi inteligente. Por isso, com muito orgulho, repito que não faço parte do grupo de seguidores de Rafinha Bastos!

Acredito que a Band tomou a decisão correta quando afastou o “humorista” do programa, embora, hoje, com seu pedido de demissão, pareça estar meio arrependida, pois pode perder a franquia do CQC, que é propriedade da produtora argentina Quatro Cabezas, sob o argumento de que os jornalistas do programa “têm liberdade para falar o que quiserem”! O que precisa estar claro é que liberdade de expressão não se confunde com ofensa gratuita, maquilada em suposta piada “refinada”. Para mim, já estava na hora de alguém dizer: “Basta, Rafinha Bastos!”.

 

Estou no twitter: @sjteles

Redação

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