Olá, pensadores!
Nos últimos tempos, fomos bombardeados com casos monstruosos de pais e irmãos que mantinham com filhas e irmãs relações sexuais forçadas, chegando ao extremo de constituir famílias sub-reptícias, marcadas pela dor e pela exacerbada crueldade a que as vítima foram submetidas.
Quem não se lembra do austríaco Josef Fritzl que manteve, por 24 anos, sua própria filha presa no porão de casa, tendo sete filhos com ela, caso que ganhou destaque mundial em 2008? Aqui no Brasil, em Pernambuco, em maio desse ano, um homem de 29 anos foi preso por ter engravidado a irmã, de 11. E tantas outras notícias emergem, constantemente, de casos como estes.
Um dos mais recentes, eclodido semana passada, ocorrido em Brasília, além da torpeza e repugnância dos acima citados, trouxe à baila uma discussão extremamente polêmica: a prática do aborto, quando a gestação é fruto de violência.
Por questões de preservação da menor e da família, os nomes dos envolvidos no recente caso na capital federal estão sob sigilo. Mas, o fato é que uma adolescente de 15 anos se encontra grávida de cinco meses e o pai da criança é seu próprio irmão, de 22 anos. Os pais dos jovens, cientes da situação, tomaram duas medidas: denunciaram o rapaz à polícia e requereram uma autorização judicial para interromper a gravidez..
Desnecessário comentar que esta família, de uma forma ou de outra – ou de ambas – teve suas bases severamente abaladas. Seja para os pais, que vêem um filho seu caçado pela polícia, seja pelo fato de eles mesmo o terem denunciado, seja por verem a filha carregando no ventre o fruto da uma violência fraterna, seja pela própria menina que, talvez, jamais se recupere psicologicamente desse trauma.
Mas a polêmica maior é a interrupção da gravidez da menor. Contrapostos entre si, o direito à vida do bebê e o direito à integridade psíquica e moral da menina e de seus familiares. Entre as opções, abortar, criar a criança ou entregá-la para adoção.
Se, por um lado, há que se considerar o direito à existência e à vida como supremos, nesse caso em especial – e naqueles cuja vida é fruto da violência – a verdade é que é praticamente insuportável para a vítima arcar com o fruto do crime. Se não é razoável, pela adolescente, por seus pais e pela própria criança, impor que a menina crie o filho que teve com seu próprio irmão, é igualmente dolorosa a possibilidade, para a família, de saber que há um ente seu, indesejado, vivendo em algum orfanato, abandonado, a espera de uma oportunidade para realmente viver.
Na verdade, a solução menos drástica, nesse caso, somente seria obtida com ajuda da psicologia. Ouvir a adolescente e perquirir, minuciosamente, como se dava a relação com o irmão, o ato sexual (ou os atos), e qual a sensação dela em relação à criança. Traçar seu perfil e detectar, para ela, depois de tudo, o que lhe seria menos ofensivo. Porque do mesmo jeito que gerar a criança pode causar um trauma incurável na adolescente, um aborto também tem conseqüências traumáticas consideráveis. E, como adolescente é dependente dos pais, estes deveriam ter papel fundamental, mas não decisivo, na escolha do que fazer.
Mas, no presente caso, os pais já decidiram, inclusive, pela menina, sem muita psicologia. A lei permite, eles requereram e a justiça concedeu que se fizesse a interrupção da gravidez. Sinceramente, não estou certo de que essa tenha sido a melhor maneira de fazer sarar essa chaga purulenta que, sem sombra de dúvida, deixará nas vidas envolvidas uma horrenda cicatriz.
E você, o que acha?
RedaçãoCadaminuto.com.br © 2012 - Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Cadaminuto.com.br.