Cada Minuto [atalho H]
07/07/2010 - 10:07

Caso Manning: traição ou heroísmo?

Olá, pensadores!

O governo dos Estados Unidos, o exército e a justiça americanos, o FBI e, quem sabe, até o Jack Bauer, vão ferrar o soldado americano Bradley Manning, de 22 anos, acusado de ter fornecido, ao site WikiLeaks, um vídeo que exibe a tripulação americana a bordo de um helicóptero de guerra, um Apache, executando, fria e calculadamente, um grupo de civis iraquianos.

O vídeo que vazou mostra um episódio ocorrido em 12 de julho de 2007, em Bagdá, quando doze civis foram mortos, entre eles dois jornalistas da agência Reuters. Duas crianças ficaram gravemente feridas. A crueldade foi tamanha que até o carro que se aproximou para tentar socorrer os civis feridos foi metralhado.

As imagens deixam claro o massacre; mostram execuções praticamente à queima roupa, como a do fotógrafo Namir Hussein; registram o cínico diálogo dos soldados que se autoelogiam pelo bom “trabalho”; o sarcasmo dos militares, que alegam que o fato de haver crianças ali era por irresponsabilidades dos pais, que as deixaram em linha de combate; mostram tanques de guerra passando por cima dos corpos...

Como é de praxe, os porta-vozes americanos usaram seu poder para tornar oficial a sua versão do ocorrido. Segundo eles, os civis eram insurgentes armados; os jornalistas, pela proximidade, eram cúmplices; e eles, os americanos, haviam feito de tudo para tentar salvar as crianças. Na versão imperialista, foi um ataque a inimigos.

Mas aí, aparece o tal soldado americano, de 22 anos, analista de inteligência numa base em Bagdá e, em verdade, se insurge contra os seus compatriotas, derrubando irrefutavelmente a mentirosa versão americana. Segundo confessou ao ex-hacker Adrian Lamo (e este foi quem lhe denunciou ao FBI), o soldado gostaria que houvesse uma repercussão mundial sobre o assunto, esperando por reformas. Traidor, ele?

Bradley Manning, que está confinado desde 26 de maio numa prisão militar no Kuwait, mostrou ao mundo a verdadeira face da Guerra do Iraque, essa sim, merecedora de um Oscar. Enquanto alguns ativistas americanos pedem sua absolvição (e até condecoração), a poderosa cúpula americana enxerga que o ato de “heroísmo” incomodou demais e, agora, o “traidor” deve ser exemplarmente punido.

Em outros casos semelhantes, as penas variaram entre 10 a 20 meses de prisão, embora nenhum tenha tido tanta repercussão mundial. A acusação formal contra Bradley somente foi feita ontem, 6 de julho, pelo exército americano. O soldado foi indicado por dois crimes, previstos no código penal militar americano, e pode perder o resto da juventude na prisão.

Na verdade, se para os EUA Bradley Manning é um traidor, no resto do mundo ele há quem prefira chamá-lo de herói! Ele arranhou a imagem arrogante do poderio americano, dando mais uma prova do que já sabemos: as interferências bélicas estadunidenses são grandes farsas... Mentiras grosseiramente pintadas de paz!

Mas, seu ato dificilmente será reconhecido. O que veremos agora é a luta de um garoto de 22 anos, que pensou que podia mudar o mundo, contra a força institucional da maior potência do mundo. Nem precisa dizer quem vai se dar mal... Ou precisa?
 

Redação

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