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Há 15 anos, jornalismo alagoano perdia Freitas Neto


Por Redação

Freitas Neto e esposa

Arquivo - Sindjornal

Hoje, 11 de julho, completa 15 anos da morte do jornalista, radialista e advogado João Vicente Freitas Neto (47) e sua esposa, Maria das Graças de Carvalho Freitas (49). O casal morreu em um desastre aéreo, envolvendo um avião bi-motor Antonov 24, da empresa Cubana de Aviación, no mar do Caribe, numa noite de sexta-feira, minutos depois de decolar de Santiago de Cuba em direção à capital cubana, Havana.

Freitas Neto e Gracinha haviam chegado em Santiago de Cuba, onde assistiram ao Festival de La Cultura del Caribe, conhecido como Fiesta del Fuego, do qual participaram, desta vez, orquestras de frevo de Pernambuco, o grupo baiano Olodum, o pianista Artur Moreira Lima, entre outros. O casal já havia visitado Cuba outras vezes e pretendia permanecer no país até o final de agosto para assistir ao Festival Mundial da Juventude.

Grande amigo e defensor da Revolução Cubana, Freitas morreu na companhia de sua esposa, após voar de Santiago de Cuba à Havana, em sua última viagem a Ilha Socialista do Caribe.

Trajetória

Freitas Neto nasceu na capital alagoana, em 19 de dezembro de 1949, e morou por muitos anos no tradicional bairro de Bebedouro. Depois de uma ativa trajetória como estudante secundário e universitário, abraçou as carreiras de jornalista, e radialista muito cedo, passando pelas principais redações de esporte e política dos principais veículos de comunicação de Alagoas e correspondente, por 19 anos, do Jornal Estado de São Paulo, o "Estadão".

Como profissional destacado da comunicação, reconhecido por sua capacidade de liderança, Freitas Neto foi eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, no final da década de 1970, onde teve papel destacado na luta contra a ditadura militar em seu período final, concentrando-se sobretudo na batalha contra a censura e em defesa da anistia ampla e irrestrita para presos e perseguidos políticos. Como candidato a presidência da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em 1983, levantou a bandeira de luta pela Democratização da Comunicação, percorrendo diversos estados no país.

Além da militância profissional como jornalista e radialista, Freitas exerceu também, com assombrosa coragem, a profissão de advogado, onde igualmente foi reconhecido por sua dedicação e competência, chegando a fazer parte do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Alagoas.

Freitas Neto filiou-se ao antigo PMDB, por cuja legenda elegeu-se vereador de Maceió - 1982/1988 - para ter papel ativo na redemocratização do país. Do PMDB, passou para o PCB e depois ao PPS, de cuja fundação Freitas foi um dos líderes, bem como membro do seu Diretório Nacional.

Freitas Neto deixou grandes contribuições como combatente pelas liberdades públicas, como defensor dos movimentos sociais, como sindicalista, como militante socialista e como parlamentar que deu exemplo na luta contra a corrupção, as desigualdades sociais e a violência política em Alagoas.

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