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Postado em por Arísia Barros em BlogRaízes da África

Luzia, o fóssil do ser humano mais antigo das Américas é negra por essência e excelência.

Por Arísia Barros

Um texto de Jane Rosana Cassol  que vale uma reflexão.


Luzia era uma mulher solitária, tristonha e medrosa que viva numa região plana com algumas montanhas nas cercanias , muitos esconderijos e vegetação abundante.O clima era tropical o que facilitava sua vida. Luzia não era vaidosa, contentava-se em agasalhar seu corpo magro e baixo com alguma pele de animal. Tinha uns 20 e poucos anos, possuía traços que lembram os atuais aborígines da Austrália e negros da África, seu queixo era proeminente, as faces estreitas, o crânio longo, nariz largo e os olhos arredondados. Perambulava atrás de alimentos com seu grupo familiar. Eram caçador-coletores e não tinham paradeiro fixo. Geralmente alimentava-se de frutos que colhia apressada nas árvores baixas e retorcidas, alguns tubérculos e aprendera a comer e folhagens. Seus companheiros de existência às vezes dividiam com ela um pedaço de carne pequenos animais, que eles caçavam. Nunca recebera um gesto de carinho, no máximo nas noites frias era convidada a aconchegar-se aos seus parentes e eles tiravam parasitas de sua longa cabeleira. Sempre muito suja e arredia, era desconfiada, tinha receio dos homens e dos grandes animais que espreitavam sua gente. Eram tempos muito difíceis, ela não sabia como sua gente chegara ali e nem se preocupava com isso. Ela temia animais que como ela já não existem como a preguiça gigante e o tigre dente de sabre, pois eles só possuíam pedras de quartzo que usavam como pontas de flecha e raspadeiras.Naquele dia chuvoso ela não se sentia bem, procurou um abrigo numa caverna e lá repousou por aproximadamente 11 mil anos; encontrada na década de 70 por uma equipe franco-brasileira de cientistas,foi levada para o Rio de Janeiro numa viagem que jamais imaginara e lá no Museu da Quinta permaneceu esquecida. Walter, um moderno príncipe da Antropologia, e sua equipe retiraram-a de seu sono milenar e do anonimato; batizando-a, revolucionou toda a trajetória humana nas Américas com a teoria que diz que o povoamento aqui teria sido feito por duas correntes migratórias de caçadores e coletores, ambas vindas da Ásia, provavelmente pelo estreito de Bering, mas cada uma delas composta por grupos biológicos distintos. A primeira teria ocorrido 14 mil anos atrás e seus membros teriam aparência semelhante à de Luzia. O segundo grupo teria sido o dos povos mongolóides, há uns 11 mil anos, dos quais descendem atualmente todas as tribos nativas das Américas.Essa descoberta mostra que uma outra leva, bem mais antiga, chegou à América. Luzia seria descendente desse grupo. Aparentados dos atuais aborígines australianos, esses primeiros colonizadores teriam saído do sul da China atual e atingido o continente americano cerca de 15.000 anos atrás – três milênios antes da segunda leva migratória. Como nessa época a Idade do Gelo ainda não havia chegado ao fim, teriam usado canoas para fazer a navegação costeira e contornar os enormes maciços glaciais que bloqueavam a passagem entre a Ásia e a América do Norte. Viveram aqui muitas eras, alheios ao restante da humanidade, até desaparecer na disputa por caça e território com a leva migratória seguinte, provável ancestral dos nativos modernos.
Luzia, o fóssil do ser humano mais antigo das américas,negra por essência e excelência, é provavelmente o elo comum de toda a civilização americana. Não sabemos se seu DNA ainda sobrevive nas Américas.
Estudos nas áreas de genética, antropologia, biologia e arqueologia buscam comprovações se ainda resta algo dela entre nós.
Jane Cassol
 

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