Quando se pensa que tudo já se banalizou nas chamadas redes sociais, nosso imaginário mostra-se como de fato o é: infinito e indomável.
"I Just Made Love" é a prova.
Um Foursquare, a rede registra onde pessoas no mundo todo “fizeram amor”.
E mais: posições, sexo oposto, uso de preservativo. Estatísticas, comparativos, concorrência.
É mais uma tentativa, em vão, de tentar nos livrarmos (ou, no mínimo, nos iludirmos acerca...) da completa insignificância de nossa existência, idêntica ao clamor dos “revolucionários e libertários” do Twitter ou dos “adicionados narcisistas” do Facebook.
Certamente crescerá e certamente esta rede será suplantada por outra tão inútil quanto.
E não pensem que é modismo distante: até ontem, 52 habitantes de Maceió marcaram lá seus relatos de fornicação.
Não se trata do fim, porque nossa soberba e futilidade são infinitas. Acreditamo-nos superiores e mais importantes, mesmo que sejamos meros primatas (sugiro a leitura do fantástico Eu, Primata, de Frans de Waal. Isto para os mais persistentes. Os normais podem continuar “curtindo” e “tuitando”).
E agora, podem seguir publicizando seus locais de orgasmo.
Idiotas do mundo todo, uni-vos.
E gozai-vos!
Obs.: não se trata de crítica às redes sociais. E sim à predisposição humana ao inservível.
Serviço: http://ijustmadelove.com/
Jornalista e consultor em comunicação, é professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e doutorando em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.