por Agência Alagoas
Júlio César Correia tem 18 anos e é um jovem estudante da rede pública. Comunicativo e determinado, conseguiu um feito inédito entre os estudantes das escolas do Estado: fez mil pontos na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A pontuação é a máxima possível a ser obtida no exame, ou, como falam no jargão das escolas – “ele fechou a prova”.
Não é difícil perceber como Júlio conseguiu a pontuação máxima. Com facilidade de falar e se comunicar, deve a conquista também aos 7 anos que estudou na Escola Estadual Maria Salete de Gusmão, no bairro do Tabuleiro do Martins. “Sou grato ao corpo técnico e pedagógico da escola. Aqui fui bem preparado – eram, no mínimo, 4 redações por mês que tínhamos de escrever e as correções eram feitas conosco, pela professora, sempre buscando melhorar e aprimorar a nossa escrita”.
Julio César disse que prioriza a coerência e o contexto para construir suas redações. “Sempre uso a simplicidade. Aquelas palavras que tenho dúvidas acabo substituindo-as por outras semelhantes. Sou comunicativo e quero trabalhar com comunicação. Gosto da informação e procuro passar para as pessoas o que é correto”, frisou.
O estudante argumentou que sua família estava esperando que ele obtivesse um bom desenvolvimento no Enem, mas ficaram surpresos com a nota obtida. “Para mim foi muito gratificante. E pretendo cursar jornalismo na Ufal”, evidenciou.
Já para Maria Betânia Ferreira Alves, diretora geral da escola, o resultado obtido pelo aluno não foi surpresa. “Desde o início do último ano letivo estamos preparando nossos alunos do Ensino Médio para o novo perfil do Enem. O Júlio é assíduo, compromissado, responsável, muito interessado e cumpre com suas responsabilidade de discente”. Ela acrescentou ainda que além dele, há outros alunos da escola que obtiveram pontuação acima de 800 pontos.
A professora de Língua Portuguesa, Geralda Barbosa, disse estar muito feliz por contribuir com o crescimento dos estudantes. “O mais gratificante é vê-los bem sucedidos lá fora. Trabalho na escola pública com o mesmo afinco com que já trabalhei em instituições privadas”, assegurou.
De acordo com a superintendente de Gestão do Sistema Estadual de Educação da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Suges/SEE), Maria do Carmo Silveira, o exemplo do aluno Júlio César Correia reflete que a educação pública do Estado continua revelando bons frutos.
“Ele vai ter um futuro promissor e esta conquista dele deve servir de exemplo para que outros busquem obter sonhos e metas semelhantes. Parabéns ao corpo técnico e pedagógico da Salete de Gusmão”, destacou a superintendente.
Atualmente, o conteúdo do Enem é tratado como um objeto a ser aprendido, a ser apropriado pelo estudante como um conhecimento que se presta a uma finalidade, que prevê um uso social, contextualizado no quadro de uma situação/problema.
Além disso, as matrizes do Enem implicam em uma avaliação que não prioriza a mera identificação, decodificação, classificação e nomeação dos fenômenos e objetos estudados; privilegiam o raciocínio, a análise, a interpretação, as inferências, em que o estudante deve ter a informação e saber como operá-la conforme a situação em que ela se inscreve.
Metodologia
A teoria da resposta ao item (TRI), metodologia de avaliação usada pelo Ministério da Educação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não contabiliza apenas o número total de acertos no teste. De acordo com o método, o item é a unidade básica de análise. O desempenho em um teste pode ser explicado pela habilidade do avaliado e pelas características das questões (itens).
A TRI qualifica o item de acordo com três parâmetros: poder de discriminação, que é a capacidade de um item distinguir os estudantes que têm a proficiência requisitada daqueles quem não a têm, grau de dificuldade e a possibilidade de acerto ao acaso (chute).
Proficiência
O Enem 2011 teve uma escala de proficiências máximas e mínimas. Em Ciências Humanas, a mínima foi 252,6 pontos e a máxima de 793,1 pontos; em Ciências da Natureza, a exigência mínima foi de 265 pontos e mais alta de 867,2 pontos; em Linguagens e Códigos, o patamar mínimo exigido foi de 301,2 pontos e o máximo de 795,5 pontos; em Matemática, o nível mínimo foi de 321,6 pontos e o máximo de 953 pontos; na Redação, o mínimo exigido era zero e o máximo 1.000 pontos.