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Vaticano decide expulsar padres condenados pelo crime de pedofilia


Por Redação

Mosenhor Luiz, Padre Edilson e Monsenhor Raimundo

CadaMinuto - Arquivo

Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes e Edilson Duarte, padres condenados em primeira instância pelo crime de pedofilia, foram expulsos da Igreja Católica. A decisão do Vaticano saiu na noite desta terça-feira (03), apesar da possibilidade dos párocos poderem recorrer da condenação pela justiça comum em Arapiraca.

O padre Daniel Nascimento, pároco da Igreja Santa Luzia, em Penedo, foi designado pelo Vaticano para acompanhar o processo. Segundo ele, para divulgar a decisão, a Santa Sé esperava apenas que o veredicto fosse anunciado pela justiça. Com isso, os sacerdotes foram excluídos dos quadros da igreja católica.

Com o fim do processo na Justiça, Padre Daniel Nascimento preparou um relatório que foi encaminhado ao Vaticano, que determinou as punições adequadas para os, agora, ex-membros da igreja. Com a expulsão, os sacerdotes não mais integram os quadros da Igreja, tanto no Brasil como no mundo.

Os três padres foram avisados da decisão através de um documento, encaminhado para as respectivas residências. A partir de agora, eles estão proibidos de celebrar missas e exercer qualquer atividade utilizando o nome da igreja. O comunicado oficial com a decisão também foi encaminhado aos ex-coroinhas Fabiano da Silva, Cícero Flávio e Anderson Farias.

Sentença

A sentença dos padres de Arapiraca acusados de pedofilia foi proferida pelo juiz João Luiz de Azevedo Lessa, titular da 1ª Vara Judiciária da Infância e Juventude, no dia 19 de dezembro de 2011. O monsenhor Luiz Marques, que aparece num vídeo mantendo relações sexuais com um ex-coroinha, foi condenado a 21 anos de reclusão. Já o padre, Edilson Duarte e o monsenhor Raimundo Gomes foram sentenciados a 16 anos e 4 meses.

Apesar da condenação, não foram determinas prisões, á que segundo o magistrado, os réus cumpriram todas as determinações solicitadas pela justiça e são réus primários. De acordo com o Juiz João Luiz de Azevedo, os sacerdotes continuam em liberdade até o julgamento em segunda instancia.

“Responderam pelo crime. Seria uma arbitrariedade determinar as prisões. Caso os advogados recorram , eles continuam em liberdade até o julgamento da segunda instancia. Caso contrario, o próprio juiz poderá mandar prender individualmente os acusados”, explicou o magistrado.

A sentença foi dividida em sete pastas que totalizou 76 páginas. Agora, após o recesso judiciário, os advogados serão informados oficialmente da decisão e terão cinco dias para defesa.

Julgamento

Durante vários dias, o juiz João Luiz de Azevedo Lessa ouviu testemunhas de acusação e defesa, ouviu os sacerdotes, os ex-coroinhas e os advogados. Após as diligências, a acusação e defesa preparam suas alegações para serem entregues. O processo começou a ser julgado em julho.

Entenda

O Programa do SBT ‘Conexão Repórter’, comandado pelo jornalista Roberto Cabrini, chocou a população arapiraquense com os casos envolvendo dois monsenhores e dois padres da cidade. A matéria devastadora trouxe inclusive um vídeo onde um dos monsenhores, Luiz Marques, faz sexo com um jovem.

Conexão Repórter trouxe o resultado de uma extensa investigação que comprovou denúncias de abusos sexuais de padres contra coroinhas ocorridos no município. Para comprovar as denúncias, Cabrini entrevistou padres, sacristãos, coroinhas e suas famílias, obtendo imagens chocantes e confirmando que dentro daquela paróquia ocorriam abusos.

Posteriormente, em entrevista ao repórter, um dos sacerdotes acusados revelou ter ele próprio abusado sexualmente de menores. Foi a primeira vez na história da Igreja Católica brasileira em que o Vaticano reconheceu um caso de abuso sexual contra menores.

Na matéria, o jornalista fala que o vídeo foi o ponto inicial e ao chegar na cidade encontrou Fabiano, o rapaz que aparece ao lado do padre mantendo relações sexuais. Fabiano, hoje com 20 anos, relatou que se tornou coroinha na igreja com 12 anos de idade e desde então foi assediado sexualmente pelo padre. Contou ainda que manteve um relacionamento com o religioso durante anos, e por isso desistiu do antigo sonho de se tornar padre.

Durante a apuração, outros jovens foram localizados dizendo que passaram pelo mesmo assédio, chegando a prática do sexo com os padres. Entre eles está um menino, de 11 anos. Ele afirmou que foi assediado por um outro padre da região, Edilson Duarte, responsável pela Igreja Catedral de Bom Conselho.

Na reportagem seguiram-se várias denúncias de jovens e pais de crianças que foram coroinhas e acabaram assediados pelo Monsenhor Luiz Marques, pelo padre Edilson Duarte e pelo Monsenhor Raimundo além de um outro padre não identificado.

Os padres foram ouvidos e negaram toda a história, mas a reportagem flagrou um advogado identificado como Daniel Fernandes intimidando e até ameaçando os jovens responsáveis pela gravação, identificados como Flávio e Fabiano. Os garotos confirmaram ainda que receberam R$ 30 mil reais do advogado em uma negociação intermediada pelo Monsenhor Raimundo para que não divulgassem os vídeos.


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