O ano de 2011 terminou e não se escreveu, ao menos a granel, nenhuma linha sobre ele.

O que só reforça nossa condição de incapazes, ou indispostos, a pensarmos nossa memória. O que só exemplifica nossa subserviência em aceitarmos acriticamente falácias como a da “terra da liberdade” ou a da “terra dos marechais”.

É Craveiro Costa que nos apresenta, ou melhor, quem nos intriga. Quem seria Manuel Antonio Duro?

“Todavia documento público, de 1611, refere à existência de uma casa de telha, em Pajuçara, propriedade de Manuel Antonio Duro, a quem Diogo Soares, alcaíde-mor de Santa Maria Madalena, doara uma sesmaria” diz o cronista de “Maceió”.

Não temos um patriarca.

E este é um indício de nossa incapacidade em construirmos (ou nos enquadrarmos, em menor medida) em relação a nosso passado. Derivaria daí toda nossa fauna de desrespeitos para com o ontem. Prédios são derrubados, fotografias jogadas fora, relatos ou deixados esquecidos, ou feitos esquecer. Malfeitos diluídos.

Por isso vive-se por aqui num eterno presente. Não revisamos, nem planejamos.

Planamos no absoluto agora.

Esta incapacidade é madrasta de nossa escassez de museus e, o pior, escassez da visitas a museus. Do abandono do que alguns chamam de “cultura popular”, folguedos, festividades remanescentes. De parte da passividade. Do remedo.

Voltemos a Craveiro Costa.

Ele já nos dizia: “nasceu espúria a cidade, no pátio de um engenho colonial, sem ascendência conhecida e assentamento autorizado nas crônicas do período histórico da luta pelo domínio do gentio da conquista da terra”.

De onde viemos em nossa hoje capital? Não sabemos.

Craveiro nos apresenta Manuel Antonio Duro como nosso primeiro “habitante”. Faz uma busca por conhecê-lo. Encontra registros esparsos, inclusive sobre seus familiares. Mas de concreto mesmo, além de outras peculiaridades, apresenta a data de 1611 como a indicada no documento que registra, na Pajuçara, já haver ele – Manuel – como primeiro "morador".

Em 2011 “comemoramos” 400 anos do primeiro da espécie.

A nosso gosto e a nosso jeito: nulos.