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Postado em 17/11/2011 às 12:18 por Roberto Vilanova em BlogBlog do Bob

Foi Beira-Mar quem chamou. Ê Beira-Mar...

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por Roberto Vilanova

Brasília – Diz-se que o ser humano nunca esquece onde deixou o umbigo e por mais que me envolva aqui em outro cenário, e me sinta muitíssimo bem como cidadão e profissional, não deixo de pensar nas origens – em Alagoas está meu cordão umbilical, parte da minha história, minha família e os meus mortos e vivos queridos.

Acompanho, pois, muito preocupado, a discussão sobre a violência que atinge o Estado. Embora a violência tenha caráter nacional – aqui em Brasília não é diferente – em Alagoas há de se entender que em parte se trata de uma violência anunciada.

Por exemplo: a “hospedagem” concedida a Fernandinho Beira-Mar, que muitos se posicionaram contrários, e com razão, porquanto Alagoas não dispunha – nem dispõe até hoje – de estrutura carcerária adequada.

Mas, mesmo assim, “hospedamos” o Fernandinho Beira-Mar por duas vezes e ainda lhe tratamos os dentes no consultório odontológico localizado em frente à sede da Polícia Federal, para onde o “paciente” ia e vinha como cidadão comum.

Quem pagou a conta do dentista? Não sei; só sei que foi assim.

Depois da passagem de Fernandinho Beira-Mar como “hóspede vip” do Estado de Alagoas tudo desandou; o que era ruim ficou pior e a tendência é piorar ainda mais porque as consequências negativas da presença dele no Estado são incomensuráveis.

Depois dele veio o Severo – que foi assassinado como queima de arquivo dentro de uma cela de uma delegacia em São Paulo; e sabe-se agora que vieram o Nem e o Coelho, líderes do tráfico de drogas, de armas e outros ilícitos na Rocinha.

Lembro-me de um amigo delegado da Polícia Civil, ao me sugerir uma pauta. Disse-me o delegado, mandando-me que apurasse a informação, de que uma carreta marca Volvo que tombou na BR 101 em Novo Lino estava registrada no nome de uma transportadora que pertence a irmã de Fernandinho Beira-Mar.

O delegado soube da informação, mas obviamente nada poderia fazer porque se tratava de um acidente automobilístico numa rodovia federal onde a polícia estadual não pode atuar.

E era verdade, mas abafaram o caso.

Ao saber dos “discursos” feitos hoje por quem, na época, se omitiu; ao ver se questionar o governo atual eu concluo que a violência em Alagoas é também culpa do cinismo. É como se quisessem que nós esquecêssemos a irresponsabilidade anterior, pois todos sabiam que a única coisa que Alagoas poderia ganhar “hospedando” Fernandinho Beira-Mar é isto o que estamos assistindo atônitos agora.

Que tal alguém na Assembléia Legislativa propor o título de "Cidadão Honorário de Alagoas" para Fernandinho Beira-Mar, pelo “benefício” de ter presenteado o Estado com o Nem, o Coelho e mais drogas?
 

5 comentários

  • HÓSPEDE VIP

    Há 6 meses

    Redimo-me da gafe cometida ao postar o comentário sob mesma epígrafe. Onde se lê insatisfação, leia-se SATISFAÇÃO, pois na época que Fernandinho Beira-Mar foi hospedado em Alagoas o então Governador Ronaldo Lessa defendeu sua vinda e garantiu que Alagoas sairia ganhando ao recebê-lo. Ganhou o quê?

  • Arlindo José de Lira

    Há 6 meses

    Quer dizer então que a corrupção em Brasília ficou pior depois que o Collor foi para lá? Que a Assembléia Legislativa de Alagoas se encheu de taturanas depois que o Antonio Albuquerque foi para lá? e porque em Mossoró/RN não tem tanto crime como em AL? é cada uma!

  • GIGOLÔ

    Há 6 meses

    Só sei que foi assim: O ?paciente? Beira-Mar veio para Maceió, ficou no hotel 5 estrelas da Polícia Federal e fez tratamento dentário. Quanto ao pagamento da conta, bem essa informação deveria ser obtida aí em Brasília, na sede central da PF.

  • PACIENTE

    Há 6 meses

    Só sei que foi assim: O ?paciente? Beira-Mar não ia ao dentista como cidadão comum, mas sob escolta, algemado, pelos competentes agentes federais. Mesmo sem pena de morte no Brasil, o odontólogo deveria ter-lhe aplicado cavalar dose de estricnina que hoje ele não mais estaria passeando nos presídios

  • HÓSPEDE VIP

    Há 6 meses

    Só sei que foi assim: Quem acolheu o dito cujo ?hóspede vip? foi a Polícia Federal, a despeito das várias manifestações de insatisfação das autoridades estaduais.

Blog do Bob

Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.