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Postado em por Adrualdo Catão em BlogAdrualdo Catão

Para que serve o movimento estudantil?

Por Adrualdo Catão

Recentemente, vimos nos jornais os dois caminhos que pode seguir o movimento estudantil. De um lado, a radicalização violenta dos extremistas da USP. De outro, a vitória de uma chapa declaradamente conservadora (não-esquerdista) surpreendeu o meio acadêmico na UNB. O que isso significa?

Significa que o movimento estudantil vive, hoje, uma situação bastante inusitada. Se vocês, amigos, não sabem, boa parte do movimento estudantil atualmente vive para dar espaço a partidos políticos. Aqueles alinhados com o governo federal vivaram meros esbirros do governo. A UNE hoje serve somente de burocracia partidária e propaganda do PT e PC do B. Enche os bolsos de dinheiro oriundo das carteirinhas de estudante e de convênios com o governo. Protesto? Só se for a favor.

A oposição, todavia, não vem da direita. Vem da extrema-esquerda. Aí há de tudo. PSTU, PSOL e tudo aquilo que representa o progresso no Século XIX. Eles, com razão, denunciam o peleguismo da UNE, mas propõem algo ainda muito distante das reais necessidades e problemas da Universidade.

Vocês estão acompanhando a baderna na USP. Um grupo de estudantes invadiu a Faculdade de Filosofia e, depois, a Reitoria. Querem que a PM de São Paulo seja proibida de entrar no campus. É isso mesmo que vocês leram. Um grupo de estudantes está revoltado por causa da presença da polícia!

Na UFAL, já vivemos dias assim. Alunos decidem em assembleia ser contra a greve, mas uma minoria invade a Reitoria. Os órgãos universitários deliberam pelo Reuni, mas um grupo discorda e invade uma reunião oficial. Odeiam o capitalismo, mas sobretudo, odeiam a democracia.

É o caso de repensar a atitude tolerante das autoridades universitárias com esses movimentos. Está na hora de o povo saber quanto a Universidade gasta e como esses alunos estão dispostos a usar esses recursos.

Já está na hora de rever alguns conceitos. Esse papo de que movimento estudantil é inimputável já não serve mais. Baderneiro que se esconde atrás do número de matrícula tem que ser punido, sim! Quem disse que estudante pode sair por aí fazendo baderna? Seja para defender o socialismo ou para pedir diminuição dos preços de passagem, estudantes não podem afrontar a lei.

Não estou falando de colocar a polícia para bater na meninada. Estou falando em recorrer à Justiça toda vez que ocorrer uma invasão. Estou falando em punir aqueles que causem dano ao patrimônio público. Estou falando na lei. Para mim, é apenas isso que baderneiros merecem. A lei.

E o que aconteceu na UNB? A chapa que prometeu lutar pelas reais e concretas necessidades dos estudantes ganhou. Se isso é ser de direita, ótimo! Defender parcerias público-privadas na universidade pública é ser direitista? Ótimo! Defender menos burocracia e mais cobrança de produtividade dos professores é ser de direita? Ótimo!

O fato é que, envolvidos em disputas partidárias e em teorias utópicas, o movimento estudantil parou no tempo e esqueceu os estudantes. Os poucos estudantes que lutam pelos pleitos reais dos alunos são chamados de alienados ou “de direita”. Eu entendo a dificuldade daqueles que legitimamente querem participar de um centro acadêmico. Eu mesmo já fiz parte disso. Na primeira reunião desses encontros, a discussão, que era sobre assistência judiciária, virou apenas um monte de críticas ao governo FHC. Desisti.

Isso acontece com muita gente boa. Vejo muita gente boa e inteligente que, apesar de suas crenças políticas, tentam, antes de tudo, encontrar soluções importantes para o dia a dia dos estudantes das universidades públicas. Tentam furar a burocracia para fazer a universidade andar. Desde obras paralisadas até falta de professores. Quando os estudantes vão atrás, a coisa tende a melhorar.

Se o movimento estudantil que fazer política, faça. Mas não abandone os estudantes em nome da paz mundial ou do comunismo. É o caso de o movimento estudantil, de esquerda ou de direita, pensar mais nos alunos. Foi esse pensamento que venceu na UNB.

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  • Lillian Rosendo

    Lillian Rosendo

    + Nasce de nosso orgulho exacerbado em puxar a sardinha para o nosso lado precisamos de educação bom senso Empatia. Assim teremos Boas instituições de Ensino, Policia "Limpa" e Liberdade sem interferir na liberdade alheia.

  • Lillian Rosendo

    Lillian Rosendo

    Estamos aqui discutindo sobre direitos e deveres! Quais as nossas tendências, paradigmas cultura e educação? A UNE a Policia a USP, UNB E UFAL são transitadas por pessoas, convivemos e trabalhamos com Gente e até onde eu sei o erro está... na Gente. Toda a corrupção, a baderna, a revolta nasce

  • Laerte

    Laerte

    Última dica de leitura para quem não entendeu: http://bloglog.globo.com/ticosantacruz/ Ele juntou os links que explicam. Parei. Os textos tão aí. Não vão ser lidos, mas tão aí. Lucidez para a voluntária cegueira.

  • Francisco Fernandes

    Francisco Fernandes

    O BRASIL NAO TEM MOVIMENTO ESTUDANTIL MAIS, TEM UMA UNE DESMORALIZADA QUE LULA E SUA TRUPE COMPROU. A MESMA COISA ACONTECE COM AS CENTRAIS SINDICAIS, CUT,CGT, FORÇA SINDICAL ....., SAO TODOS DEMORALIZADOS QUE VIVEM DE MAMAR NAS TETAS DO ERÁRIO, TETAS ESSAS ALIMENTADAS POR UMA CRUEU CARGA TRIBUTÁRIA

  • Laerte

    Laerte

    Texto correto tá esse aqui: http://www.cartacapital.com.br/blog/sociedade/ocupacao-patetica-reacao-tenebrosa/#.TrtMC3qGzH0.facebook Sigamos!

  • Laerte

    Laerte

    Pela vivência, acho que o senhor sabe muito mais que eu quais os benefícios de uma autonomia universitária. / Perseguição aos alunos, corrupção, intimidação etc. Isso que não defendo. -- O debate sobre a maconha tem nada a ver.

  • Laerte

    Laerte

    Isso está nas entrelinhas de todo o texto. Acho que o certo é justamento o contrário. Por isso, acho que os estudantes, no caso, são vítimas. Devíamos agradecer os movimentos sociais, ME, não criminalizá-los.

  • Rodrigo Leite

    Rodrigo Leite

    Afrontar a lei nem sempre é mau. Os iluministas fizeram isso no Sec XVIII, os abolicionistas no Sec XIX, Mandela no Sec XX. Direitos Fundamentais independem de positivação estatal, existem mesmo quando o Estado os nega. Mas não se enganem, o caso USP não é à altura de nenhum daqueles exemplos.

  • Rodrigo Leite

    Rodrigo Leite

    Quando a direita usa Reinaldo Azevedo como fundamento, a esquerda se sente do mesmo modo que a direita quando lê um discurso de esquerda baseado no que Jean Wyllys falou. Comentar o texto na base do Ctrl+C, Ctrl+V no blog do Azevedo é baixaria. Existem direitosos bem mais sofisticados.

  • Adrualdo Catão

    Adrualdo Catão

    Amigos, Tive que rejeitar um monte de comentários ofensivos. Vão com calma, por favor. Agradeço a participação, mas não há necessidade de tanto ódio. Abraços.