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Postado em 26/10/2011 às 22:20 por Redação em BlogBalaio do Teles

O exame da OAB e a Corte Celeste

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Olá, pensadores!

Há certo tempo, tenho defendido minha posição a favor do exame de suficiência realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil para admissão de novos quadros em suas fileiras (Leia aqui o texto anterior). Para mim, dada a singularidade da missão dos advogados e, também, dada a falta de fiscalização das autoridades executivas sobre a qualidade da formação dos bacharéis em Direito que, todos os dias, são entregues à sociedade, o exame supriria falha grava, protegendo a comunidade de eventuais profissionais não preparados.

A matéria foi apreciada pelo STF, no Recurso Extraordinário n° 6033583, onde o requerente, João Antônio Volante, combatendo juridicamente contra a União e contra a o Conselho Federal da OAB, pleiteou da Suprema Corte que decretasse a inconstitucionalidade do Exame da Ordem. Seus principais argumentos eram a ofensa à liberdade profissional e à isonomia e a impossibilidade de a OAB editar normas para seleção e admissão profissional.

O relator, Marco Aurélio Mello, enfatizou a condição sui generis do advogado e da Ordem dos Advogados do Brasil, com reconhecimento constitucional de sua posição fundamental à administração da Justiça, bem como, afirmou que todas as profissões que possam colocar em risco à sociedade, trazendo possibilidade de dano à coletividade, podem – e devem – ser restringidas por exames que garantam a qualidade de tais profissionais.

Agindo de forma absolutamente coerente e respondendo a certos críticos que afirmam que o STF têm passado por uma suposta crise de liberalidade exagerada, crise materializada em decisões como a que considerou desnecessário o diploma para jornalistas e músicos, a que reconheceu a paridade entre união estável hetero e homoafetiva e a que considerou constitucional a “marcha da maconha”, a Suprema Corte deu prova inequívoca, no presente caso, que não passa por crise de liberalidade alguma. Na verdade, o STF, através de seus ministros, fez prevalecer a vontade da Constituição, vontade revelada por meio da hermenêutica.

Assim, os decanos, unanimemente, asseveraram: o exame é constitucional! Não fere à isonomia e nem à liberdade de trabalho. E disseram mais: ele cumpre a missão constitucional de assegurar que a própria função jurisdicional seja bem desenvolvida, além de servir como um instrumento de análise prévia da qualidade técnica do advogado, evitando que a OAB haja, tão somente, quando o dano à sociedade já houver sido causado pela atuação do profissional desqualificado.

O ministro Luiz Fux foi muito feliz quando, em seu voto, concluiu que a norma que prevê o exame caminha para a inconstitucionalidade, exortando o legislador para a necessidade da participação de outras entidades interessadas na formação do bom advogado, reforçando a legitimidade do exame que deve pautar-se por parâmetros democráticos. Segundo ele, somente assim o tal curso (o de trânsito para inconstitucionalidade) será interrompido.

De fato, além das questões de legitimidade tratadas pelo ministro, a forma como exame é aplicado e, sobretudo, as taxas que são exigidas dos candidatos são tópicos que merecem ser revistos pela OAB Federal. O exame precisa estar mais próximo da atividade real do advogado, desviando-se de discussões doutrinárias inaplicáveis, frutos de meras e inócuas invencionices de doutrinadores da moda. O custos do exame, para o candidato, precisa ser minorado, levando-se em consideração o perfil médio dos que pleiteiam a sua inscrição como advogado: estudantes recém formados, ainda sem emprego e sem renda.

Feitas estas ressalvas, a verdade é que o exame da OAB continuará sendo requisito para aquele que desejar defender, em juízo, o direito alheio. A decisão unânime do STF tem efeitos inter partes, isto é, somente é aplicável para os litigantes naquele recurso extraordinário. Todavia, dada a relevância da matéria e similitude de demandas repetitivas sobre o assunto, estou certo, tal julgado há de se constituir em precedente praticamente obrigatório seguido por aquela Casa e, por conseguinte, por todo o Judiciário.

Àqueles que estavam esperando por resultado diferente e, agora, não sabem bem o que fazer, dou-lhes três conselhos: o primeiro é mudar de profissão; o segundo, estudar para conseguir a aprovação no exame; por fim, o terceiro, é interpor recurso para a Corte Celestial, dirigido ao presidente do Tribunal Divino, ou seja, o próprio Deus, pedindo a reforma da decisão do STF brasileiro com base no princípio supraconstitucional da misericórdia. Para ajuizar tal petição não é necessário estar inscrito na OAB.

 

Estou no twitter: @sjteles

21 comentários

  • 1/3
  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR. NÃO SOMOS TODOS CEGOS! OS CURSINHOS VENCERAM: ABAIXO AS FACULDADES E UNIVERSIDADES!

    Há 7 meses

    Triste da nação que tem suas CLÁUSULAS PÉTREAS atingidas, abaladas, corroídas e destruídas pelas FORÇAS ECONÔMICAS ou pelos lobbys dos "donos de concursos"!
    Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Mário Covas, Itamar Franco e tantos outros constituintes devem estar se revirando em seus túmulos.

  • JGouveia Bel&Cel RR SALVE AS SINECURAS ARISTODEMOCRÁTICAS IMPERIAIS D ENOSSA ETERNA COLÔNIA!

    Há 7 meses

    Se aos demais liberais serão EXIGIDOS tais EXAMES, idéia de 1 dos ?votantes?, o filão passará dos 80 milhões anuais com os ?OABéticos?, ou não?
    Só NÃO HÁ concursos prá MINISTROS, DESEMBARGADORES, CONSELHEIROS, TCU e TCE?s e outros cargos elitizados.
    Somos uma ARISTODEMOCRACIA ou ARISTODEMOCRATURA, n

  • JGouveia Bel&Cel RR DITO TRIBUNAL SERÁ MANTIDO POR OABéticos santos, evangelizados e IRMÃOS de umas das tantas "igrejas divinas", não?

    Há 7 meses

    Há quantos vestibulares anuais e quantos EXAMES ?OABéticos?(todos os neles aprovados são capacitados, qualificados, habilitados e ÉTICOS ? por isso não temos problemas com os advogados, né não?)?
    Notem: NÃO HÁ nenhum advogado (OABético) envolvido em nenhuma maracutaia, delito ou crime q seja, né não

  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR NEM TODOS SOMOS CEGOS, GRAÇAS AOS CÉUS SEM OS TRIBUNAIS SUGERIDOS!;)

    Há 7 meses

    Seria aceitável e admissível concurso DA, NA, PARA e PELA OAB se o aprovado nele nela trabalhasse e dela auferisse seus estipêndios de subsistência, para que ela exigisse QUALIFICAÇÃO, CAPACITAÇÃO, HABILITAÇÃO e excelência de DESEMPENHO. Onde, como e a quem PRESTA CONTAS do arrecadado neles, hein?

  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR

    Há 7 meses

    Seria aceitável e admissível concurso DA, NA, PARA e PELA OAB se o aprovado nele nela trabalhasse e dela auferisse seus estipêndios de subsistência, para que ela exigisse sua QUALIFICAÇÃO, CAPACITAÇÃO, HABILITAÇÃO e excelência de DESEMPENHO. Onde, como e a quem PRESTA CONTAS do arrecadado neles,hein

  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR ABAIXO A UNANIMIDADE! VIVA NELSON RODRIGUES!;)

    Há 7 meses

    Hiper mega super maxima data maxima venia!
    Sepultaram, de vez e prá sempre, nossa chamada CARTA CIDADÃ, que dizia ser LIVRE a liberdade profissional honesta, honrada, legal, ética e sã, deitou por terra a LEGALIDADE vergada pelo PODER ECONÔMICO gerado por tais concursos INEXIGIDOS pela LEI MAIOR.

  • Silvio Teles

    Há 7 meses

    ...uma escolha da classe, a conclusão será a mesma: esse exame não será tido por inconstitucional. Não podemos nivelar por baixo: só porque nao tem exame para tal categoria, nao deve ter pra nenhuma. Pelo contrário, temos que desejar profissionais cada vez mais preparados. Abraço!

  • Silvio Teles

    Há 7 meses

    Olá, Elis. Seu pensamento está correto, só sua conclusão, na minha opinião, está um pouco equivocada. O STF nao disse que o exame deve ser feito apenas para advogados. Disse que o que é feito, que é para advogados, nao é inconstitucional. Se os médicos ou engenheiros vierem a ter exame, e isso é...

  • cris elis

    Há 7 meses

    Enfim, quero dizer que a OAB é uma máfia, existe uma verdadeira caixinha de pandora, ninguém sabe onde o dinheiro é aplicado como ele é gerido, e quando ao exame, penso que seria excelente que todos os cursos se submetessem, só advogados é inconstitucional STF fez feio nesse julgado!

  • cris elis

    Há 7 meses

    Fico eu a imaginar quando um médico comete um erro e seu paciente morre as vezes por ser humano, ou seja passível de errar e como é comum hoje são despreparados pois visam só status e dinheiro é só ver como anda a situação da saúde no Brasil, me parece que é menos gravoso que um advogado.cont.

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Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.