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Postado em 19/10/2011 às 23:21 por Redação em BlogBalaio do Teles

A Fundação Sarney, a república e a oligarquia nordestina

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Olá, pensadores!

Criada no ano de 1990, a Fundação José Sarney, sediada em São Luís, tinha a missão de manter viva a memória do ex-presidente da República e atual presidente do Senado, José Sarney. Na verdade, muito mais que um monumento de autoexaltação ao coronel maranhense, a entidade era uma espécie de mecanismo de cooptação de recursos, em prol, claro de seus administradores.

Mantida, basicamente, por doações de empresas particulares, a Fundação José Sarney sempre contou com uma “ajudinha” do governo maranhense e, também, do governo federal. A sede da entidade, o suntuoso Convento das Mercês, tombado como patrimônio histórico e artístico nacional, passou, em 1990, por uma pequena reforma onde foram gastos R$ 9 milhões e, logo em seguida, foi “cedido” à família Sarney.

Naquele ano, a Fundação Sarney, que já havia se envolvido em esquemas fraudulentos, protagonizou um escândalo onde foram desviados mais de R$ 500 mil da Petrobrás. A estatal federal decidiu patrocinar um projeto que pretendia digitalizar os mais de 200 mil documentos do acervo da fundação. O resultado do investimento foi a distribuição do dinheiro entre empresas fantasmas e outras pertencentes ao clã de Sarney (como o grupo Mirante de comunicação) e, absolutamente, nenhum documento foi digitalizado.

Nesse mesmo ano, José Sarney anunciou o fechamento da fundação, alegando crises financeiras criadas pelas “denúncias caluniosas da imprensa”, que havia afastado os doadores. Que fechar que nada! A fundação continuou aberta e, pasmem, passou a “alugar” sua sede, patrimônio histórico e artístico nacional, para festas de jovens e raves. E não é só: parte da sede da Fundação foi alugada pela Secretaria Estadual de Educação do Maranhão que pagava cerca de R$ 10 mil por mês aos dirigentes da fundação. É isso mesmo: o prédio do governo alugado pelo governo! E ainda tem mais: a governadora Roseana Sarney publicou, no DOE do Maranhão, agora em 2011, que o governo daquele Estado iria pagar, à fundação, R$ 350 mil a título de aluguéis atrasados. Todas estas informações foram devidamente publicadas pela mídia, com destaque para a cobertura feita pela Folha de São Paulo.

Pois bem. Achando pouco, como é praxe de quem se instala no poder e faz da coisa pública o que bem entender, a governadora Roseana Sarney, hoje, conseguiu aprovar uma lei que estatizou a Fundação José Sarney. Em outras palavras, agora é responsabilidade do Estado do Maranhão – que só pode ter recurso sobrando, a despeito de seus péssimos índices sociais – manter financeiramente a “ilibada” instituição. Financeiramente, apenas. Porque, administrativamente, é de competência de Sarney, patrono da fundação, indicar parte de seus dirigentes. E, na morte dele, a prerrogativa da indicação será de seus herdeiros.

De acordo com o balancete dos anos anteriores, estima-se que o governo do Maranhão gaste, por ano, cerca de R$ 1,2 milhão para manter a “memória” de Sarney, dinheiro que será gerido pela própria família Sarney, do modo que melhor lhe aprouver. Afinal, alguém tem dúvida sobre quem deve compor a administração da fundação?

A base aliada de Roseana, na assembléia do Maranhão, aprovou o projeto sob o principal argumento que a “homenagem a Sarney era justa". Justa? Façam-me o favor! Nem justa, nem legal, ferindo de morte a Constituição Federal que elegeu, como um dos princípios da administração pública, a moralidade. Ora, se a bendita fundação tivesse uma história imaculada e fosse dirigida pelo mais honesto dos homens, ainda assim, não poderia gozar das prerrogativas que hoje entregaram ao Mausoléu Sarney. Que se dirá de uma entidade que, desde seu nascimento, regurgita na lama e serve como fachada para os interesses escusos da oligarquia maranhense?

Para tentar escamotear o “presente” que ganharam, os Sarney decidiram mudar o nome da fundação. Paradoxalmente, ela passa a se chamar, a partir de hoje, de “Fundação da Memória Republicana Brasileira”. Parece que fizeram de propósito! Não poderiam ter escolhido nome pior... O Estado do Maranhão, hoje, deu uma prova clara que a res publica é só uma ficção posta na Constituição. Lá, no Maranhão, o patrimônio público tem dono para sempre, amém!

 

Estou no twitter: @sjteles

3 comentários

  • Diego Barros

    Há 7 meses

    Muito bem, Teles. Boas observações sobre os "esquemas" do Sarney lá no Maranhão. Realmente o poder dele e da família é muito grande, não somente lá, mas também nacionalmente. Um grande jornal de SP foi "legalmente censurado" pela Justiça e, assim, proibido de falar de um dos filhos do Sarney.

  • O AQUIA

    Há 7 meses

    a FUNDAção dos corruptos e ladrões chamada sarnei e renan seria o nome ideal porque o renan dos bois esta querendo ser o sarnei de alagoas e só prestar bem atenção

  • Alex

    Há 7 meses

    Assim como um câncer, certos indivíduos recebem a tal herança, que nesse caso não é maldita... Passam a vida à custa do dinheiro público e como não bastasse se alastram como se fossem um erva daninha e fome voraz como a de um animal que não tem predador...
    VIVA A TAL DEMONIOCRACIA.

Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.