Hoje não escrevo, dou um presente, li esse belo texto da escritora paulista, Luciane Trevejo, senti a obrigação de repassá-lo aos queridos leitores.
“Desejei que meus olhos tirassem fotografias, pois só eu, e ninguém mais, nenhuma lente conseguiu registrar todas as imagens e momentos e expressões que ficarão guardadas na memória. Desejei que meus ouvidos fossem gravadores, para poder voltar quantas vezes quisesse e ouvir cada palavra que consegui sorver daquele lugar.
Nenhum final de semana de compras, nenhuma viagem à Europa, nem mesmo um mega show internacional me impressionou e me acrescentou tanto. Eu tive uma semana de cultura, de carinho alagoano, baiano, carioca, pernambucano.
Eu vi o mar do Francês com olhos de saudades, mais amadurecidos pela vida. Eu vi Marechal Deodoro e seu povo acolhedor e multicolorido. Eu vi Alceu Valença, Luiz Berto, Jessier Quirino, Chico de Assis, Miriam Sales e não vou citar mais ninguém, pois esse texto ficaria gigante, já que ali, eu só vi pessoas grandiosas, como nunca tinha visto.
Eu vi um homem miudinho, de quase não sei quantos anos de idade, subindo ao palco com sua rabeca, esculpida em próprio punho, tocar seu instrumento tão magnificamente, que virei sua fã instantaneamente, e quando pedi apaixonadamente para tirar uma foto comigo, ele, todo feliz com a fila que se formava, disse baixinho: “Eu âââââmo vocês!” que se traduzindo na linguagem do sentimento, dizia: “Obrigado por gostarem de mim!”
Eu vi um homem de chapéu panamá, subir ao palco e com sua voz forte, sua postura de gigante e sua presença de palco, fazer com que eu vertesse rios de lágrimas ali, no meio de todo mundo, ao recitar alguns dos mais belos poemas que conheço. Sentei-me todas as noites com gente que falava sobre ideais, sobre literatura, livros e cultura e não sobre pessoas e vida alheia.
Eu conheci Simone e Sandra, e descobri que são minhas fãs tanto quanto sou fã delas. Vi casinhas com eira, vi casinhas com beira e entendi por que a minha, não tem eira nem beira. Vi mulheres tecendo renda, trançando fios por dias e dias e dias, para no final de uma semana, vendê-los quase de graça. É a trama da vida de cada uma delas, que seguem felizes com a simplicidade grandiosa de sua arte.
Eu entendi, finalmente, como se mede o tamanho de um homem e onde é que mora sua grandeza. Eu conheci pessoas verdadeiras e indiscutivelmente talentosas e anônimas. Conheci também talentos que a mim, eram anônimos. Eu presenciei um black out que me fez lembrar o quanto adoro as estrelas, mas o céu de Marechal Deodoro é mais bonito do que o céu do resto do mundo.
Eu conheci duas mulheres lindas, que se amam e tem uma parceria linda vida afora, cheias de tranquilidade, amor e carinho uma pela outra. Eu vi que meu mundo se ampliou, por que o modo como vejo a vida, é diferente da semana passada. Me sinto como uma pequena bexiga que inflou, e jamais conseguirá voltar ao tamanho original. Eu dei risada por me sentir alegre, eu gargalhei por achar graça, eu chorei por me emocionar.
Eu percebi que no mundo existem pessoas exacerbadamente grandiosas. Só não sabia seus endereços e nem elas, o meu. Enfim, nada que eu seja capaz de escrever por aqui, fará justiça aos momentos que me foram proporcionados e eu, princesa esperta que sou, soube aproveitar cada um deles. Eu conheci gente de todos os cantos, com culturas diferentes e conheci gente de um só lugar, e compreendi o Orgulho de Ser Nordestino.
Quando Deus foi jogar sobre a Terra as sementinhas das almas talentosas, triplicou a quantidade no nordeste, por receio das sementes não vingarem, por causa da terra seca, e deu nisso. Esse grãozinho de areia que vos escreve, através desta, quer agradecer a cada um, e especialmente a Carlito Lima, que entre todos, foi o maior responsável pelo sucesso da II Flimar.
Muito obrigada.”