Goretti Brandão
D. Pedro voltava a São Paulo, regressando de Santos, quando o correio o alcançou. Três cartas lhe foram entregues: Uma de Portugal, outra da sua esposa, a princesa Dona Maria Leopoldina e um ofício de José Bonifácio: lia-se que a Coroa o havia rebaixado à condição de simples delegado das Cortes. A sua autoridade ficava limitada às províncias onde ela era reconhecida, além da exigência do seu retorno a Portugal. Isso ocorreu depois que o príncipe tomou algumas medidas, que já prenunciavam os ventos da independência da Colônia, influenciado pela Inglaterra que muito tiraria proveito da separação entre Brasil e Portugal.
Indignado, ele amassa as três cartas, pisoteia-as, joga-as ao chão, sobe em seu cavalo e segue em direção às margens do Ipiranga. Lá, arranca as insígnias com as cores da bandeira portuguesa do seu uniforme e sob o sol das 16h30, em uma pequena elevação que o coloca em destaque, saca a espada e brada: “Por meu sangue, por minha honra e por Deus, farei do Brasil um país livre! Para em seguida proclamar a famosa frase: “Independência ou Morte”
É o artista Pedro Américo (1843-1905) que seis anos após aquele acontecimento, em 1888, nos concede as imagens que imortalizam o momento, onde à presença e bem na frente do príncipe está a sua guarda de honra, enquanto do lado esquerdo da tela, alguns humildes camponeses o assistem. Sobre os cavalos da tropa está toda a força e vigor da cena. Eles dão a impressão de terem acabado de chegar ao local e que vieram correndo. Sinalizam para a emoção dos cavaleiros apressados em ouvir o que D. Pedro tem a proclamar.
Com isso o problema da independência política estava resolvido, mas, a ‘independência’ no âmbito geral, não aconteceu para todos. A classe representativa da elite fez a independência do Brasil, através do príncipe monarca, e tendo se apoderado do controle do governo, orientou uma política, em harmonia com interesses particulares, inclusive os de D. Pedro.
Hoje é dia de desfile. Em Maceió, a Avenida da Paz, em Jaraguá, será palco de inúmeras apresentações. O desfile cívico-militar, em frente ao memorial à República trará policiais, Corpo de Bombeiros, as Forças Armadas, alunos de escolas e a população que emocionada e envaidecida, mergulha no espetáculo e acaba esquecendo-se de pensar sobre que independência nós estamos comemorando.
Afora a bela expressão de civismo patriótico, compete à simulação, disfarçar a realidade.
Sob qual inspiração estaria D. Pedro, quando escreveu o Hino da Independência? “Brava gente brasileira! Longe vá... temor servil: Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil.”
Hoje, os mais significantes inimigos da Pátria, infelizmente, são brasileiros.
