Olá, pensadores!
Diante das inúmeras manifestações de personalidades aderindo aos movimentos pró faxina no governo federal, combatendo à corrupção e seus malefícios, reedito, aqui, texto nosso que, apesar de contar com quase dois anos de escrito e publicado no O globo, parece que acabou de ser criado:
Esquecemos muito facilmente de fatos que poderiam mudar nossa história. A dúvida é saber se, verdadeiramente, esquecemos ou apenas nos acostumamos a eles. Exagero? Quem se lembra que há menos de dois meses o Congresso Nacional estava imerso na maior crise de sua história? Quem ainda fala das inúmeras e constantes denúncias contra os parlamentares, dos atos secretos e indecentes, da privatização imoral da coisa pública, da falta de vergonha na cara dos parlamentares e suas desculpas esfarrapadas?
Ensaiamos um discurso indignado e posamos de "senhores consciências" ao não entender porque as coisas, no Brasil, não seguem em frente. Por que tantas obras superfaturadas, por que tanta gente à míngua, por que ainda falta escola, rede esgoto, água encanada? Permanecemos apáticos quando ouvimos, num noticiário, que na "pátria mãe gentil", credora do FMI, ainda se morre por desnutrição, dengue, diarréia e outras doenças medievais. As coisas, de verdade, pouco ou não avançam. Há explicação lógica para isso?
Uma possibilidade é que nós, brasileiros, não temos o bom costume de olhar para trás. Não nos importamos se o político acumulou incontáveis denúncias, foi flagrado negociando cargos, participou de superfaturamento de obras, mandou matar e, de quebra, afirmou estar "se lixando para opinião pública". Parece que o cargo eletivo envolve tais figurões numa aura que cega o povo. As bocas mais incautas balbuciam: "o homem é senador", tentado encobrir falcatruas deslavadas. Muito pior, quando chegam aos seus redutos, nos estados, o político é aclamado pela corja de bajuladores e o povo, que só o vê pela TV, de repudiá-lo, quer se aproximar para tirar uma foto, ou pedir um emprego... Mais importa a festa do momento e o orgulho, depois: "minha foto com o senador". Sem dúvida, o profeta Oséias acertou na mosca: o "povo perece por falta de entendimento".
A outra explicação é a de que nós, brasileiros, podemos ter herdado de ancestrais lusitanos o "gene" da corrupção. Essa carga hereditária, transformada em cultural, incorporou-se ao nosso DNA. A roubalheira não nos aborrece, a corrupção não nos enoja, o enriquecimento ilícito é uma "uma oportunidade ímpar", o "jeitinho" é tolerável... Guardadas as proporções, somos todos corruptos. Subornamos a polícia, sonegamos impostos, "agradamos" ao oficial de Justiça, saqueamos cargas viradas, roubamos água, luz, telefone e, agora, internet. Por isso, de forma verdadeira, não condenamos os atos dos nossos parlamentares, a não ser que o façamos hipocritamente ou, no mínimo, desejando-lhes o lugar.
A "teoria da representatividade" nunca foi tão bem comprovada: como esperar políticos diferentes se advindos de uma sociedade corrupta? Recentemente, recebi um e-mail que pedia para não reelegermos ninguém, forma de renovarmos a classe política brasileira. Se a teoria do gene estiver certa, inútil terá sido a corrente. Os novos eleitos estarão diante de sua "grande oportunidade" para mudar de vida, motivo maior pelo qual se disputa uma eleição, hoje, no Brasil. Aliás, pensando bem, a coisa já começa meio estranha: como se explica o gasto de milhões, numa campanha, cujos salários renderão, no máximo, milheiros? O equilíbrio da balança é alcançado de outra forma e é aí onde moram o perigo, a imoralidade, o favorecimento e toda ordem de desordens.
Por fim, fato é que temos visto - e dado - tão poucos exemplos de sensatez, honestidade e preocupação pública que o pessimismo antropológico nos domina. Cegos, portadores de amnésia moral ou dolosamente corruptos, seguimos, egoístas, cada um o seu caminho. Rumo que, a despeito de nos fatigar, não nos leva a lugar algum.
Estou no twitter: @sjteles
Um abraço amigão, que tudo esteja em paz ai, da um abraço na turma. Fique com DEUS.
Esse meu amigo teles fala bem demais, vou mais além nossa população mostra-se permissiva até demais, não que seja uma questão só de esquecimento, e sim de permissividade, pacividade e dai por diante, enquanto for assim a corrupição dominara nossa sociedade, e continuaremos a pagar um alto preço.
...reportegem de roubo de carga em que a PC apreendeu mais de 20T de carga possivelmente roubada.Uma internauta fez o simples comentario:"esse cara é gente boa, nem tudo que ta ai é roubado". Não entendi, será que hj o certo é ser errado? ser gente boa é alimentar a safadeza? Alagoas é demais.
Nossa sociedade é tão falha por que não tem educação e consequentemente há uma ma formação ética e moral, onde a palavra respeito e direito não fazem parte do cotidiano das pessoas? Vejam que os politicos saem da sociedade e os bandidos tb.Vejam só que absurdo que eu li em uma reportagem sobre uma..
Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.