Olá, pensadores!
Imagine dois homens, um com 42 e outro com 18 anos. Imagine, agora, que estes mesmos homens estão abraçados, demoradamente, numa festa pública, pouco se importando com quem vem ou quem vai. Pense num outro grupo de homens, cerca de 5 ou 6 mais exaltados, que olha para os abraçados e começa maquinar uma agressão, desmotivada. Pense nesse grupo, sumariamente, sem perguntar nada, partindo pra cima dos dois primeiros e agredindo-os violentamente, com socos e pontapés.
Foi exatamente esta a cena que ocorreu numa exposição agropecuária em São João da Vista, no interior de São Paulo, na última sexta-feira, dia 15. Narrada assim, a conclusão óbvia seria a seguinte: crime de homofobia.
Pois é. Do lado dos agressores, essa foi a tônica: pensaram estar diante de um casal homoafetivo e, como bestas descontroladas, partiram para o ataque, sem qualquer motivo, a não ser a suposta orientação sexual das vítimas. Contudo, quando se analisa o perfil das vítimas, a história toma um outro rumo: os agredidos não eram homossexuais. Na verdade, as vítimas eram pai e filho. O abraço gerador da violência nada mais era que a genuína expressão do amor mais sincero que pode existir entre duas pessoas. O amor entre um pai e um filho, demonstrado publicamente.
Apesar de absolutamente triste, esse episódio tem um papel pedagógico importantíssimo. Há um bom tempo, parte da sociedade tem despertado para a necessidade de criação de um ambiente social mais tolerante, onde as pessoas consigam conviver em harmonia, independentemente, das características pessoais de cada um, entre elas, a orientação sexual.
Dentro dos esforços envidados, está a criação de leis que incentivem a educação sexual, que criminalizem a homofobia, projetos de educação e esclarecimento sobre as diversas esferas que compõem a sexualidade humana, etc. Essas iniciativas, é verdade, muitas vezes são confundidas com a ação intransigente de extremistas que desejam fazer dos homoafetivos uma espécie de classe com super direitos. Todos sabemos, os homossexuais não devem ter super, nem menos, direitos que qualquer pessoa. As ações educativas ou a regulamentação de direitos devem ser balizadas no limite da razoabilidade.
Por exemplo, apesar de ser favorável à educação de crianças quanto à diversidade sexual, posicionei-me inteiramente contra o material que seria distribuído pelo MEC (chamado de “kit gay”), por entender que o conteúdo do programa em nada contribuía para o esclarecimento e amadurecimento dos pontos importantes da questão. Mas, estou certo que esse material deve ser refeito para abordar a coisa de forma mais séria e mais elucidativa. Estamos falando de uma mudança de comportamento social, processo que deve ser gradual e progressivo.
Contudo, o que a sociedade precisa entender é que é benéfico a todo mundo – e não somente aos homossexuais – que iniciativas sérias de conscientização quanto à convivência harmoniosa e pacífica com gays e lésbicas sejam disseminadas. Embora os homossexuais sejam a maior parte das vítimas dos crimes de ódio, o que já é fundamento suficiente para que o Estado aja em seu favor, este caso do pai e filho, heterossexuais, agredidos é a prova de que qualquer um pode sentir, dolorosamente, na pele o que é conviver num mundo onde as pessoas continuam se matando apenas por não aceitarem o outro como ele é.
As iniciativas, repito, apesar de agirem mais diretamente em prol de quem é frequentemente vítima do problema da falta de tolerância, ou seja, dos homossexuais, têm uma função ainda maior: criar um ambiente social mais pacífico para todos, que, dentre tantos outros benefícios, impedirá que você, gay ou não, passe pela privação de abraçar um filho seu, na rua, numa festa ou num shopping, por receio de ser agredido por um grupo de bestas intolerantes.
Estou no twitter: @sjteles
GENTEMMM TO PASSAAAADA ACREDITO NÃO QUE UMA BRUTALIDADE DESSA ACONTECEU NO NOSSO LINDO BRASIL ADOOORO MEU PAIS SEI QUE ISSO NAO PODE IR PRA FRETE ESSES BRUTAMONTES TEM QUE PAGAR NA CADEIA E ABRIR A CABEÇA AFINAL DE CONTAS O MUNDOOOOOO É GAYY!!! precisamos dar um basta nesta descriminação TE ADORO TE
Bestas mesmo, violência contra o comportamento dos homossexuais não vão impedi-los. É compromisso de todo cristão mostrar que esse comportamento é imoral, corrigir é um ato de caridade, e isso deve ser feito com tranquilidade e não com truculência.
Paara mim quyalquer crime deve ser punido, indepentemente de qualquer classe social, o que está faltando é lei severa e cumprimento da mesma, como antigamente, agora uma opiniuão minha, a culpa disso tudo é dos direitos humanos que fraquejaram a lei.
Teles, Jesus te ama!
Qto às bestas devem ser punidas pelo mal que fizeram, ñ há justificativa p tal atitude violenta. De outro lado sou contra qq lei que vise aumentar a desigualdade entre os seres humanos sob pretexto de defender as "minorias" Os crimes violentos, qq a vítima, devem ser punido com rigor sem diferenças.
Hj se espanca e se mata apenas pq seu semelhante estar com a camisa do time rival, a violência é q estar sem limites, e na minha opinião isso se deve a falta de educação e a impunidade.
Caro Teles, muito bom seu texto bastante objetivo, o problema na minha opinião é de educação de uma maneira geral, a violência ta fora de controle, banalizada, se agredi e se mata por qualquer coisa, hj assaltantes atiram em suas vítimas sem haver nenhuma reação..
Parabéns Silvio Teles pelo texto conciso e reflexivo acerca das atrocidades que os seres humanos são capazes de concretizar na atualidade. Inimaginável, se não fosse realidade, tamanha atrocidade e bestialidade. Abraços!!
Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.