Olá, pensadores!
Diz um conhecido adágio popular que “quem tem telhado de vidro, não atira pedras no vizinho”. A zombaria acentuada que nós, brasileiros, despejamos em cima da Argentina, por conta de sua precoce eliminação da Copa América, será-nos retribuída, por los hermanos e por todos quantos viram a vexaminosa eliminação brasileira, com uma carga ainda maior.
A seleção de Mano, que desde o primeiro jogo, contra a Venezuela, demonstrava que teria muito a evoluir, se quisesse permanecer viva na competição, ontem, contra o Paraguai, demonstrou que na, verdade, a eliminação do Brasil veio tarde.
A mim, não pareceu nada humilhante ver a Argentina, anfitriã da competição, deixá-la depois do espetacular jogo contra a Costa Rica, quando apresentou um futebol envolvente e, sobretudo, tendo objetividade e aproveitamento nas finalizações, marcando três gols e alcançando, com dignidade, o segundo lugar de seu grupo.
Não me pareceu nada humilhante ver a Argentina dominar todo o jogo contra o Uruguai – seleção que, a meu sentir, é o melhor time sul-americano da atualidade – e contar com o desprestígio da sorte ao ter, por três ou quatro vezes, o gol da vitória impedido pelas barras da trave. Muito menos humilhação houve no vacilo de Tevez, único pênalti perdido do time na escalada de pênaltis que decidiu a vaga da semifinal.
Pelo contrário, neste último domingo, envergonhei-me da seleção canarinho, cuja camisa e tradição o mundo inteiro conhece e respeita. Fiquei constrangido ao ver nomes de milhões e milhões de dólares jogarem sem objetividade e, sobretudo, sem eficiência. Porque, meus amigos, a jogada bem feita, o drible perfeito ou o time bem armado e dominando a partida se perdem no esquecimento e merecem descrédito e toda sorte de crítica se tudo isso não se converte em gol.
Fui criticado quando, durante o jogo, afirmei isso. Repreenderam-me dizendo que era mérito do goleiro paraguaio, Justo Villar. Aceitei a crítica e fiquei pensativo. Mas, então, vieram as penalidades máximas e confirmaram minhas iniciais conclusões: a seleção de Mano Menezes, a despeito de talvez ter feitro sua melhor apresentação, foi de uma incompetência jamais vista na hora de fazer o que interessa no futebol, isto é, de marcar gol.
A Argentina não foi humilhada, nem se deixou humilhar. Tanto é que os torcedores, numa inesquecível demonstração do melhor espírito fair-play, aplaudiram sua seleção, reconhecendo que o futebol tem seus contratempos. Los hermanos deixaram a Copa América 2011 de cabeça erguida, prontos para encararem qualquer competição, logo mais a frente. A seleção argentina, posso dizer, está pronta.
Já o Brasil... Humilhação foi pouco! Não por mérito do Paraguai, que, repito, foi dominado todo o jogo. Mas por uma inimaginável falta de eficiência em finalizações, que pode ter sido gerada pela falta de maturidade emocional do time. Uma vergonhosa demonstração de falta de profissionalismo. Porque ser profissional, em qualquer profissão, inclui também ter habilidade emocional para suportar as nuances do ofício.
Copa América não é treino. Não tem esse negócio de que a derrota serviu para pensar. Pensar, treinar e errar são coisas que o técnico e os jogadores devem fazer nas concentrações, antes da competições. No campo, na hora do valendo, os jogadores, como quaisquer profissionais, têm é que produzir... É para isso que recebem seus salários milionários. Se a partida é mata-mata, então, há aí mais motivos para se fazer gol... Fazer gol... Coisa que a seleção de Mano demonstrou não ter aprendido.
Pois é, amigos. Zoar a Argentina pode ter sido bom, enquanto durou. Mas não foi nada se comparado ao que o mundo inteiro, inclusive nuestros hermanos, devem estar fazendo, e com razão, com a nossa seleção e com a imagem atual de nosso futebol. Se o purgante uruguaio, tomado à força pela Argentina, foi ruim, o paraguaio, provado pela seleção brasileira devido a sua incompetência, não tenho dúvidas, foi muito pior.