Olá, pensadores!

Essa semana, os jornais noticiaram as denúncias de desvio das verbas federais que foram destinadas à reconstrução das cidades serranas do Rio de Janeiro. Uma comissão parlamentar municipal, em Nova Friburgo, está sendo montada para investigar o caso e o Ministério Público Federal também está de olho na situação

Só para lembrar, há cerca de seis meses as tempestades de verão atingiram em cheio 9 cidades da região da Serra Carioca, fazendo mais de 900 vítimas fatais e deixando mais de 30 mil desalojados.

Pois é. Enquanto os moradores choram seus mortos e passam por severas restrições, tendo perdido suas casa e pertences, os "permissores" da desgraça comemoram mais um ano de bem sucedida maracutaia. Enquanto as vítimas pelejam voltar a viver, as autoridades se fartam em dividir a verba que, em tese, serviria para devolver um pouco de dignidade às vítimas do desastre.

Falo em permissores porque está mais que provado que um plano sério de ocupação do solo poderia minimizar, sensívelmente, as tragédias que, anualmente, se repetem em cidades como o Rio de Janeiro ou como na região serrana. Há pessoas sérias, estudiosos, que estão prontos para aplicar suas pesquisas para a construção de cidades mais planejadas, mais seguras e menos suscetíveis às intempéries. Mas isso não interessa a classe política. Tragédias evitáveis, no Brasil, é como carnaval: geram lucro e, por isso, todo ano tem.

Novidade? Não, não... Nada novo! A indústria da desgraça é um negócio antigo no Brasil. Vive-se da desgraça alheia e este é o combustível para a eleição e, principalmente, para a roubalheira. Estou certo: quando os jornais noticiam eventuais desastres, como as chuvas serranas, mostrando a dor e o sofrimento das vítimas, boa parte dos políticos empunha suas taças e brindam! Pegam seus aviões e certificam-se que está tudo destruído. Depois, tomam, de seus telefones, começam a repartir o bolo que virá. Está aí Nova Friburgo que não me deixa mentir.

Fazem isso numa rapidez descomunal, em total descompasso como ritmo da recomposição das vidas dos atingidos. No Rio, se nem os destroços foram totalmente removidos, que se dirá da reconstrução reconstrução das casas? Em Alagoas, depois de mais de um ano das chuvas que devastaram alguns municípios da zona da mata, a população ainda vive em barracas improvisadas, sem a menor estrutura sanitária, sofrendo a rigidez das chuvas atuais. Se o Brasil tivesse as condições geográficas do Japão, tenho certeza, já não mais existiríamos ou, então, seríamos uma nação mais miserável que o Haiti.

Meus amigos, estou cansado de ouvir discurso de hipócritas na televisão. Bandidos de terno e gravata que, descaradamente, tentam convencer o povo de que o Brasil é um país sério e de que as coisas estão melhores ou vão melhorar. O Brasil é um país de corruptos, que premia o ladrão. São tantos escândalos, milhões e milhões comprovadamente desviados e não há uma autoridade séria – uma única – capaz de fazer tais bandidos pagarem por seus assassinatos (porque seus roubos provocam mortes)! Judiciário, Ministério Público, vocês também se lambuzam no bolo?

Enquanto nós, sociedade, legitimarmos com a nossa passividade essa prática (a de achar que o desvio de dinheiro é algo inerente à prática política), estaremos fadados a, aqueles que tem compaixão, todo ano, ano a ano, organizar campanhas de arrecadação de alimentos para as vítimas das tragédias. Tragédias que, calculada e lucrativamente, tornarão a acontecer.

 

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